ColunistaDestaquesFórmula 1Post

Quarenta mil num ingresso da F1?

Esse valor pode assustar muita gente, mas a gente te explica o porquê desse preço nas alturas

Nos últimos dias, muitos fãs brasileiros ficaram indignados com os valores dos ingressos para o GP de São Paulo de F1. O valor de 40 mil reais para assistir à corrida parecia jogar um balde de água fria na cabeça de quem tinha planos de ir à Interlagos.

Mas calma, que esse valor não é o ingresso geral, aquele que a gente está acostumado a comprar. Então o que é esse ingresso de 40 mil?

F1 Experiences

A F1 Experiences é uma agência de turismo especializada que tem acordo com a F1. Com isso, ela oferece ao público pacotes especiais. Alguns desses pacotes incluem acesso à área da cerimônia do pódio, onde você fica junto com os membros da equipe, até aquelas voltas no circuito em carros esportivos. Já pensou pegar uma carona com Lando Norris numa McLaren? Ou com Sebastian Vettel a bordo de um Aston Martin? Sim, dependendo da corrida é possível, desde que você tenha muito dinheiro para desembolsar em um desses pacotes.

 

Mas nem tudo está perdido! Existem também os pacotes mais em conta, chamados de Starter, Hero e Trophy.

No Starter, por exemplo, estão inclusos os ingressos para os três dias, uma volta guiada pela pista naqueles caminhões em que os pilotos costumavam andar antes da corrida, e uma foto com os troféus. Já no Hero e no Trophy, além do que é oferecido no Starter, ainda estão inclusos uma visita ao pitlane, com direito a uma parada em uma equipe onde um membro explica o trabalho feito nos boxes, uma foto no pódio, palestras de como funciona a F1 e um jantar com a aparição de um piloto. A diferença entre os dois é o lugar na arquibancada. Todos os pacotes vêm com uma assinatura de um ano da F1TV Access e mais uns mimos.

Falando em valores, o Starter custa em média 800 dólares (R$4.200), o Hero sai em torno de 1550 (R$8.165) e o Trophy em torno de 1340 dólares (R$7.060 reais). Esses valores, por exemplo, são os cobrados no GP da Bélgica, que terá Mick Schumacher como piloto convidado.

Nessa mesma corrida, também estão sendo oferecidos os pacotes da McLaren e da Red Bull, que incluem também um lugar no Paddock Club para ver a corrida, com direito a comes e bebes, entrevistas virtuais com os pilotos, tour pela garagem e um kit de produtos da equipe, tudo pela bagatela de 8500 dólares, que na conversão de hoje, dá uns 45 mil reais. Esse valor pode ficar ainda mais caro se você escolher incluir a acomodação junto, outra coisa que eles oferecem além dos pacotes.

Mas por que não têm esses pacotes mais baratos no Brasil?

A F1 Experiences já existe há alguns anos, mas nunca tinha oferecido pacotes no Brasil. Um dos motivos pode ser a falta de espaço para acomodar tanta gente no paddock.

Outro problema encontrado na etapa brasileira são as arquibancadas. Todos os pacotes vendidos pela empresa contemplam os ingressos com lugar marcado, algo fácil de se encontrar nos circuitos afora. Já em Interlagos, não há essa possibilidade. Por isso só estão sendo ofertados os pacotes mais caros, que incluem assistir à corrida da área VIP que fica no paddock.

Por que eles estão vendendo ingressos, sendo que a venda para o público nem começou?

Com a Covid-19 e o cancelamento da presença do público, a F1 Experience acabou sofrendo por não poder oferecer seus serviços. Com algumas corridas já permitindo a entrada de torcedores, eles voltaram a oferecer os pacotes, na condição de que se houver um cancelamento, o valor pago pode ser devolvido como um crédito para ser usado em outra etapa ou o pacote ser transferido para o ano seguinte.

Eles vendem só os ingressos?

A F1 Experiences vende apenas os pacotes com os ingressos inclusos. Ela não vende as partes separadas, como só a acomodação ou apenas os ingressos. A parte de venda dos ingressos é exclusiva da F1, mas como eles tem parceria, conseguem colocar os ingressos no pacote.

Vai ter ingresso mais barato disponível no Brasil?

Sim. Se a etapa em São Paulo realmente acontecer e contar com a presença de público, os ingressos gerais, aqueles que nós estamos acostumados a comprar, estarão disponíveis normalmente. Talvez com um pequeno aumento, como acontece todos os anos, mas nada perto de 40 mil reais!

Mas vale a pena comprar o pacote da F1 Experience?

Minha resposta é sim e não. Eu tive a oportunidade de adquirir o pacote Hero para o GP do Canadá, em 2018, quando o dólar ainda estava baixo e o pacote, apesar de caro, ainda estava dentro do que eu conseguia pagar depois de passar um tempo economizando.

Quando você compra o pacote, se sente a pessoa mais importante do universo! Só pra chegar lá e encontrar umas 400 pessoas tão especiais quanto você. Dependendo do circuito, são cerca de 1000 pessoas que também adquiriram um dos pacotes da F1 Experience. O pacote incluiu também o guia oficial da corrida, um cordão com a credencial do pacote e uma necessaire com alguns itens, o mais interessante de todos foi um fone de ouvido sem fio da JBL. O ingresso para esse pacote era de frente para os boxes.

Vista para o box da Ferrari, lugar numerado que integrava o pacote. – Foto: arquivo pessoal
O kit do F1 Experiences, adquirido no GP do Canadá de 2018. – Foto: arquivo pessoal

Apesar do grande número de pessoas, o esquema é bem-organizado e somos divididos em grupos para realizar todas as coisas inclusas no pacote. Mas com tanta gente, tudo é feito em processo industrial. Na hora de tirar a foto com os troféus, que estavam posicionados na linha de largada/chegada, foi feita uma fila e você tinha poucos segundos para se posicionar entre os troféus para o fotógrafo oficial tirar sua foto.

Você só tem o tempo de parar por um segundo, antes de mandarem a próxima pessoa. – Foto: arquivo pessoal

A mesma coisa aconteceu na hora de tirar a foto no pódio. É o tempo de fazer a pose e sair andando.

Momento (curto) de glória. Agora eu sei como o Hamilton se sente! – Foto: arquivo pessoal

Assim como tudo na F1, o tempo para cada coisa era cronometrado, desde o tempo das palestras (foram três, com o fabricante de macacões, com um representante da Pirelli e com um encarregado de mídia da F1), até o tempo de visita do Paddock, com direito à palestra com o Bernd Mayländer, piloto do Safety Car.

Bernd Mayländer explica como funciona o Safety Car. – Foto: arquivo pessoal
Treino de pit stop da McLaren, uma das coisas que puderam ser vistas na visita ao pitlane. – Foto: arquivo pessoal.
Daniel Ricciardo foi um dos pilotos avistados no paddock naquele dia, mas não dava tempo para parar e pedir uma foto. – Foto: arquivo pessoal.

O jantar aconteceu na sexta-feira. Marcado para às 19h, começou com uma hora de atraso. Assim que entramos, Esteban Ocon, o convidado daquela etapa, entrou na sala, deu uma pequena entrevista e foi para uma mesa dar autógrafos. Como já era tarde e no outro dia aconteceria o último treino livre e a classificação, só foi permitido autógrafos, nada de fotos. Como eu já tinha pegado o autógrafo na sessão de autógrafos do dia anterior, perguntei para o Ocon se eu podia tirar uma foto. Sempre simpático, ele aceitou e bati uma selfie correndo, mal tendo tempo de enquadrar direito já que eu não queria tomar mais tempo do que seria gasto num autógrafo. Com pessoas ainda na fila, ele foi arrancado da sala. Sim, arrancado, porque se dependesse do piloto, ele teria terminado de atender a todos antes de voltar para o hotel.

Esteban Ocon participa do F1 Experiences. Depois da entrevista, o piloto ficou um tempo distribuindo autógrafos. – Foto: arquivo pessoal

E nós também tínhamos horário para sair de lá. Às 22h em ponto, fomos convidados a nos retirar, levando a sobremesa para viagem, já que não tivemos tempo de comer durante o jantar por conta do atraso. No Paddock Club, local do jantar, ainda tinha simuladores de corrida e os troféus para tirar fotos, dessa vez podendo pegar em mãos e com mais calma.

Ter a possibilidade de ter contato com os bastidores da F1, principalmente para quem é muito fã, vale a pena. Só é preciso manter as expectativas baixas quanto ao que esperar, porque é tudo muito corrido e não há tempo de saborear a experiência como se gostaria.

Mostrar mais

Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

Deixe uma resposta

Artigos relacionados