ColunistasDestaquesFórmula 1Post

FIA reforça consenso entre equipes e justifica ajustes nas regras de 2026

Nikolas Tombazis explica alterações após primeiras corridas e destaca foco em segurança e dirigibilidade

Na última segunda-feira (20) a FIA definiu uma série de mudanças no regulamento da temporada 2026, após entrar em acordo com os fabricantes de motores, as equipes de Fórmula 1 e FOM. O diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo, Nikolas Tombazis detalhou as alterações e garantiu “um amplo consenso em relação a todos os pontos”.

“Como dissemos algumas vezes, o regulamento de 2026 representa uma das maiores mudanças na história da Fórmula 1 e foi fundamental para manter a relevância tecnológica diante da crescente eletrificação. Sabíamos que ele apresentaria alguns desafios e sempre dissemos que o revisaríamos após as primeiras corridas”, comentou.

“Portanto, a abordagem que adotamos aqui foi de evolução e aprimoramento, não de revolução. Não acreditamos que houvesse necessidade de uma revolução. Dito isso, é claro que a Fórmula 1 envolve diversos participantes.”

Após a realização dos GPs da Austrália, China e Japão, a categoria não pode evitar as reclamações de algumas equipes, além da preocupação por conta de segurança que os pilotos levantaram. Nas primeiras etapas muito foi se falado sobre as questões ligadas à gestão de energia, as dinâmicas da classificação e prova e a falta de segurança com a diferença da velocidade dos carros.

O acidente de Oliver Bearman em Suzuka, após perseguir Franco Colapinto e precisar escapar de uma batida, chamou a atenção dos pilotos – alguns se tornaram voz ativa, cobrando que a FIA os escutasse e promovesse mudanças.

As mudanças foram implementadas após análise das três primeiras corridas do ano, depois de várias reuniões que aconteceram no mês de abril, aproveitando a pausa forçada após o cancelamento dos GPs do Bahrein e Arábia Saudita em virtude da guerra no Oriente Médio.

Quando o regulamento de 2026 foi lançado, marcado por uma grande mudança para as unidades de potência, assim como para a aerodinâmica, desta forma já era esperado que alguns ajustes fossem necessários no meio do caminho, especialmente quando as equipes descobrissem algumas dificuldades.

“Um dos problemas era que, em alguns casos, os pilotos não conseguiam forçar ao máximo na classificação, devido às limitações de energia. Para resolver isso, limitamos a quantidade de energia que pode ser recuperada durante uma volta de classificação. Isso significa que haverá menos necessidade, ou nenhuma necessidade, de usar estratégias de carregamento complexas para atingir o nível de energia necessário. Portanto, esse limite será reduzido de 8 MJ para 7 MJ a partir do próximo Grande Prêmio, e a FIA reserva-se ao direito de reduzi-lo ainda mais em algumas provas específicas, garantindo que os pilotos fossam forçar mais na classificação”, explicou Tombazis.

LEIA MAIS: F1 define ajustes técnicos para 2026 e anuncia mudanças a partir do GP de Miami

“Há uma série de outras pequenas alterações relacionadas à sensação que o piloto tem do carro e à dirigibilidade, e que também ajudarão os pilotos a se concentrarem na pilotagem, que é o que todos querem ver.”

MELBOURNE, AUSTRALIA – MARCH 08: Andrea Kimi Antonelli of Italy driving the (12) Mercedes AMG Petronas F1 Team W17 and Isack Hadjar of France driving the (6) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford battle for track position at the race start during the F1 Grand Prix of Australia at Albert Park Grand Prix Circuit on March 08, 2026 in Melbourne, Australia. (Photo by Simon Galloway/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202603080133 // Usage for editorial use only //

A diferença de velocidade entre os carros foi muito pautada e isso é uma questão de segurança, especialmente se a redução dessa velocidade acontece em pontos críticos dos circuitos, onde o piloto está na linha rápida e pode ser atingido por outro competidor. Também foi necessária uma alteração nesse quesito, após o acidente de Bearman colocar urgência nesta pauta.

O uso do boost em corrida também sofreu modificações. Agora, o piloto que estiver com o nível de bateria zerado receberá uma energia extra de no máximo 150 kW, evitando as ultrapassagens não intencionais e aumentando a segurança – por conta da diferença de velocidade.

“Portanto, nesse aspecto, significa que o tipo de problema que vimos com o acidente de Oliver Bearman em Suzuka, deve ser evitado a partir da próxima corrida.”

As duas próximas corridas também serão campo de análise para as largadas, um ponto que já passou por mudanças na pré-temporada.

“Provavelmente serão necessárias duas ou três corridas para a implementação completada. Faremos alguns testes e algumas modificações em Miami e no Canadá, mas o que teremos, na prática, é uma rede de segurança. Assim, se for detectado que um carro está tendo uma largada extremamente ruim, o sistema elétrico entrará em ação e assumirá o controle, garantindo que o carro largue em segurança para evitar problemas com os carros que estão atrás.”

Os pontos sensíveis foram discutidos após três provas, pois era necessário ter mais referências, além disso, a FIA tem mencionado constantemente que “as corridas foram emocionantes, houve muitas disputas acirradas e ultrapassagens”, nestes três primeiros eventos do ano.

“Acho importante ressaltar que, seja falando sobre os pilotos, equipes ou fabricantes de motores na Fórmula 1, é um esporte extremamente competitivo. As pessoas estão lutando umas contra as outras na pista o tempo todo, e as apostas são muito altas, então não é fácil encontrar consenso entre todos.”

“É papel da FIA tentar encontrar os melhores compromissos, é nisso que temos trabalhado arduamente. Também acho importante entender que todas essas mudanças são muito mais do que apenas algumas páginas de regulamentos. Elas envolvem milhares de simulações, muitas reuniões, muitas análises e cenários hipotéticos. A equipe tem trabalhado incansavelmente por semanas para elaborar o pacote final escolhido”.

Apesar de algumas criticas que surgiram por parte dos fãs da categoria, Nikolas avalia que os fãs tem gostado das mudanças no geral, por conta das corridas acirradas que elas tem proporcionado.

“A FIA não pode alterar os regulamentos unilateralmente. É necessária uma votação que envolva as equipes de Fórmula 1 ou os fabricantes de motores, que não podemos esquecer, investem milhões e milhões no esporte, portanto, têm o direito de opinar.”

“Segurança é algo que não podemos abrir mão. A segurança é algo sobre a qual a FIA, através de sua governança, tem o direito, ou mesmo a responsabilidade, de agir, inclusive unilateralmente. Portanto, quaisquer medidas de segurança, são discutidas com todos, a fim de ouvir as opiniões de pessoas experientes, mas em última análise, nós, da FIA podemos decidir tomar medidas de segurança se consideramos isso importante.”

Conheça nossa página na Amazon com produtos de automobilismo!

O Boletim do Paddock é um projeto totalmente independente. É por isso que precisamos do seu apoio para continuar com as nossas publicações em todas as mídias que estamos presentes!

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo do Apoia.se, você pode começar a contribuir com apenas R$ 1, ajude o projeto. Faça a diferença para podermos manter as nossas publicações. Conheça também programa de membros no nosso canal do Youtube.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

Artigos relacionados

Um Comentário

Deixe uma resposta para buy sneakers onlineCancelar resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading