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Exclusivo: Theo Pourchaire projeta corrida imprevisível nas 6 Horas de São Paulo

Em entrevista ao Boletim do Paddock, piloto da Peugeot comenta os desafios de Interlagos, a previsão de chuva e a estratégia para a etapa brasileira do FIA WEC

Às vésperas das 6 Horas de São Paulo, 4ª etapa do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), Théo Pourchaire acredita que o Autódromo de Interlagos colocará equipes e pilotos diante de um dos maiores desafios da temporada. O piloto da Peugeot destacou que o traçado brasileiro exige atenção constante ao tráfego entre as diferentes categorias, além de apontar a possibilidade de chuva como um fator que pode tornar a corrida ainda mais imprevisível.

Para o francês, o circuito paulistano possui características semelhantes às de Ímola, com poucas retas, muitas curvas e grande variação de relevo, elementos que tornam a gestão do tráfego decisiva ao longo das seis horas de prova.

“Acho que o gerenciamento de tráfego vai ser uma loucura em São Paulo. É um pouco como Ímola, um autódromo antigo com muitas curvas e poucas retas, mas isso é divertido, eu gosto, porque você pode fazer muita diferença no tráfego ou perder tempo. Isso vai ser fundamental. Também será muito importante ter um bom carro para corrida, que consiga se comportar bem”, disse Pourchaire ao Boletim do Paddock durante entrevista exclusiva.

“É uma pista difícil, eu acho. Interlagos é curta, mas com muitas curvas e muitas variações de altitude.”

Além das dificuldades naturais do traçado, a previsão do tempo deve mudar ao longo do fim de semana. Com um circuito que fica entre duas grandes represas – a Billings e a Guarapiranga – combinado com a época do ano, as temperaturas e o vento, sofrem alterações constantes no traçado paulista. Neste início de fim de semana, a chuva também não pode ser descartada para o domingo e entra também como um fator de atenção para as equipes ao longo do fim de semana.

“Provavelmente vai chover no domingo, então a corrida pode ser maluca. É algo a que temos que nos adaptar [as variações climáticas], porque, por exemplo, acho que vai estar mais de 25 graus no sábado, para a classificação e o TL3, então, mais será mais quente, pista seca. Isso é como um dia normal, digamos, com temperaturas amenas.”

“Mas aí, no domingo, com a previsão de chuva e temperaturas bem mais baixas, é um mundo diferente, uma corrida diferente. Teremos que adaptar o acerto do carro, a pilotagem e torcer por um milagre”, falou.

O piloto também acredita que uma eventual corrida sob chuva aumenta ainda mais a complexidade da disputa. Além da menor aderência, o tráfego entre Hypercars e LMGT3 passa a exigir ainda mais atenção, enquanto o gerenciamento dos pneus ganha papel fundamental caso as condições climáticas variem durante a prova.

Segundo Pourchaire, essa mudança nas condições da pista exige uma preparação diferenciada, já que o comportamento do carro e dos pneus muda significativamente entre pista seca e molhada.

“Sim, acho que na chuva, a maior diferença para mim é a gestão do tráfego, que é diferente porque todos estão seguindo linhas de corrida diferentes, adaptando o acerto do carro e gerenciando os pneus, porque é fundamental gerenciar os pneus”, explicou Pourcheire.

“Se, durante a corrida, a chuva diminuir um pouco em um momento e aumentar em outro, você precisa adaptar os pneus, talvez colocar pneus slick em algum momento. Então, sabe, isso vai ser importante para a estratégia.”

Integrando a formação da Peugeot ao lado de Loïc Duval e Malthe Jakobsen, Pourchaire explicou que as provas de seis horas possuem uma dinâmica bastante diferentes provas com 8 horas ou da tradicional 24 Hora de Le Mans.

Na avaliação do francês, cada piloto disputa praticamente um “stint de sprint”, sem muito espaço para administrar o ritmo.

“As corridas de 6 horas são interessantes, eu gosto delas, porque é como uma corrida de sprint, sabe? Temos 3 pilotos por carro, e a sensação é de que… então, o Loïc provavelmente vai largar na frente, é sempre assim para nós.”

“O Loïc é o mais experiente, então ele larga, que é o momento da corrida em que algo ruim pode acontecer, e também com a experiência você pode fazer a diferença. Então, ele terá aproximadamente 2 horas, será uma corrida de sprint, depois serei eu, 2 horas de corrida de sprint, depois será o Malthe, novamente, 2 horas de corrida sprint.”

“Então, eu gosto das corridas de 6 horas, claro, aí você tem o calendário, por exemplo, as 24 Horas de Le Mans, mas esta é muito especial, é tão especial, tão diferente, mas sim, 6 horas em Interlagos, vai ser divertido.”

Apesar dos desafios previstos, o francês demonstrou entusiasmo com a oportunidade de competir em Interlagos pela primeira vez e acredita que o tradicional circuito brasileiro proporcionará uma corrida intensa do início ao fim, principalmente se a previsão de chuva se confirmar.

Loïc Duval e Malthe Jakobsen formaram a dupla da Peugeot durante a temporada de 2025 e competiram juntos nas 6 Horas de São Paulo. Já Theo Pourchaire chegou à equipe após migrar das categorias de monopostos para o endurance. Sua estreia pela fabricante francesa aconteceu nas 8 Horas do Bahrein, etapa de encerramento do campeonato, quando substituiu o piloto belga Stoffel Vandoorne. Na época o competidor já estava confirmado como piloto titular da Peugeot para a temporada de 2026.

Programação – Horário das 6 Horas de São Paulo do WEC – Foto: Ale Ranieri / Boletim do Paddock

 

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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