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O que acontece com um carro da Fórmula E depois de um acidente?

A Fórmula E abordou o assunto numa série de vídeos que explica a categoria

A Fórmula E é uma categoria de automobilismo que permite muito contato entre seus competidores. Os circuitos estreitos e desafiadores aliados a um carro desenhado para pilotos andarem lado a lado são dois dos elementos mais característicos da competição. Por isso, é muito comum ver batidas como resultados das disputas travadas nas pistas, mas você já parou para pensar no que acontece com um carro da Fórmula E depois de um acidente?

A Fórmula E tem feito uma série de vídeos no seu canal do Youtube que explicam diversos aspectos da categoria. Hoje vamos aproveitar que eles falaram sobre elementos ligados aos acidentes para entender melhor a preparação para lidar com esses momentos.

OS CARROS

Para começar, vamos entender como os carros são feitos. Duas peças fundamentais na segurança dos carros de fórmula são o Santo Antônio e o Halo, eles servem para proteger a cabeça do piloto, inclusive em casos de capotagem. O chassis do Gen2 é feito de fibra de carbono e possui painéis internos e estruturas externas de proteção contra colisões laterais. 

“O carro todo é construído com base na segurança e, ao mesmo tempo, precisa ser leve o suficiente para as corridas. Não dá pra ser um tanque, mas me sinto super seguro dentro da célula de segurança”, explica Sam Bird da Jaguar Racing.

O piloto também explica que o carro possui três luzes externas que sinalizam a condição do equipamento depois de uma batida. Se a luz vermelha estiver acesa, é sinal que alguma coisa está errada. Bird diz que nesse momento é preciso ficar dentro do carro e esperar que os fiscais cheguem até o carro para avaliar a situação. 

A luz verde significa que o carro está eletricamente estável e a azul indica que o impacto da força G foi muito grande e o piloto deve ser avaliado por um médico.

Em todo caso, enquanto a corrida estiver acontecendo, os pilotos só podem sair dos carros com autorização do diretor de provas, Scot Elkins, independente da situação.

Banco do carro de Sam Bird da Jaguar Racing. Imagem: Youtube Fórmula E.

As pernas também possuem uma proteção especial e o banco foi desenhado para ajudar na extração do piloto com facilidade. 

AS BATERIAS

A tecnologia de fibra de carbono empregada no chassis é a mesma que protege as baterias construídas pela McLaren Applied Technologies. O equipamento passa por intensos testes de impacto para garantir que não haja nenhum rompimento em caso de acidente. Mesmo assim, a bateria também possui um sistema de resfriamento que não conduz energia elétrica. Assim, o sistema fica livre de eletricidade durante a diminuição da temperatura. 

AS BARREIRAS DE PROTEÇÃO

Corrida após corrida, os “muros” dos circuitos montados para a Fórmula E são constantemente atingidos de diversas maneiras e todo esse impacto exige materiais bem resistentes.

Por incrível que pareça, as retas são limitadas por concreto, dessa forma, os carros deslizam por elas até pararem completamente e os destroços se espalham apenas dentro do traçado. Barreiras de pneus são utilizadas em alguns pontos do circuito, elas servem para absorver parte do impacto e diminuir os danos causados pelas colisões.

A mais recente adição de segurança são as barreiras TechPro. Um composto de espuma especial bem reforçado com hastes de aço absorve o impacto de maneira mais segura que as barreiras de pneus. Outra vantagem dessas novas barreiras é que elas são montadas mais facilmente, além de serem substituídas com mais rapidez após o impacto. 

Impacto de um acidente absorvido pela barreira de proteção TechPro. Imagem: Youtube Fórmula E.

MAS E DEPOIS DO ACIDENTE?

Para sair do carro depois de acidentes mais simples, o piloto basicamente só precisa de duas coisas: esperar a autorização do diretor de provas e checar a luz externa do carro. “Depois disso você chuta algumas coisas, afasta a câmara, volta pra garagem e você vai ter um dia bem ruim”, afirma Lucas di Grassi, piloto da Audi. 

Se o acidente for mais sério, a equipe médica entra em ação com um procedimento específico chamado “extração do carro vermelho”. Bruno Franceschini, delegado médico da FIA, explica que o primeiro passo é pedir para os fiscais identificarem a cor da luz do carro. Se ela estiver vermelha, a corrida é interrompida com o acionamento da bandeira vermelha e toda a equipe de resgate é destacada para o local. 

Como a luz vermelha indica um problema elétrico, ninguém pode tocar o carro sem autorização da direção da prova. Para garantir que a equipe de resgate não entre em contato com a superfície do carro, o veículo é coberto com capas de material não condutor para não haver corrente elétrica entre ele, o chão e a pessoa que sobre no carro para fazer a extração do piloto. 

Final do exercício de “extração do carro vermelho” com o carro Fórmula E sendo guinchado ainda com a capa de proteção. Imagem: Youtube Fórmula E.

Durante o resgate, os médicos protegem a cabeça e a coluna do piloto com um dispositivo de cor amarela chamado BOA, que parece uma corda bem grossa que envolve o pescoço do piloto para que ele fique completamente protegido. 

O procedimento de extração do carro vermelho é praticado na sexta-feira que antecede as corridas, mas graças à toda tecnologia utilizada na construção das baterias, a Fórmula E nunca presenciou um “carro vermelho” ao vivo. 

SAFETY CAR 

O português Bruno Correia tem sido o responsável por comandar o Safety Car da Fórmula E desde o início da categoria. Ele relata no vídeo que comandar o carro de segurança pode parecer fácil, mas é uma situação que exige perfeição. 

“As corridas não são longas como o Endurance ou algo assim, temos 24 carros correndo entre muros, muitos pontos cegos e aqui você não pode cometer erros. Não posso nem arranhar o retrovisor. Tudo tem que ser perfeito. E, claro, essas corridas são rápidas, tem muita coisa acontecendo.”

O Safety Car se comunica com os pilotos através de possui luzes e ele trafega pela área dos boxes com um sinal sonoro, isso serve de alerta para o pessoal da área, já que o motor elétrico quase não faz barulho.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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