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Ônibus SP Por Todas estreia no GP de São Paulo de F1 com ações para o combate de assédio às mulheres

Unidade ficará em Interlagos durante os três dias do evento, com orientações e materiais informativos; iniciativa se soma à mobilização de torcedoras por mais segurança no automobilismo

O Autódromo de Interlagos receberá, pela primeira vez, uma unidade móvel de acolhimento e orientação às mulheres durante o Grande Prêmio de São Paulo, entre os dias 6 e 8 de novembro. Iniciativa busca ampliar a conscientização sobre assédio e discriminação nos espaços esportivos.

O Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 terá uma novidade voltada à segurança das torcedoras em 2026. Pela primeira vez, o Governo de São Paulo levará o Ônibus SP Por Todas ao Autódromo de Interlagos, com ações de conscientização e prevenção ao assédio contra mulheres durante os três dias de programação.

A unidade móvel da Secretaria de Políticas para a Mulher ficará instalada na área interna do circuito, próximo ao Portão 9. No local, serão oferecidas orientações sobre os direitos das mulheres, além da distribuição de materiais informativos, adesivos e brindes com mensagens de enfrentamento à violência.

A iniciativa busca aproveitar a dimensão do GP de São Paulo para ampliar o alcance das políticas públicas de proteção feminina, levando o debate sobre respeito e segurança também aos ambientes de lazer e entretenimento. A presença no autódromo ocorre em um momento de maior participação das mulheres no automobilismo, mas em que relatos de assédio e discriminação ainda fazem parte da experiência de muitas torcedoras.

Segundo a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, a proposta é reforçar que situações de assédio não devem ser naturalizadas em eventos esportivos.

“O assédio não pode ser tratado como parte da experiência de um evento esportivo. As mulheres têm o direito de ocupar as arquibancadas, acompanhar seus pilotos e aproveitar a corrida com liberdade e segurança”, afirmou.

Além das ações realizadas no GP, o Ônibus SP Por Todas percorre municípios paulistas oferecendo escuta qualificada, acolhimento psicossocial, orientação sobre direitos e encaminhamentos à rede de proteção, especialmente em casos de violência doméstica e familiar.

Mobilização de torcedoras transforma experiência pessoal em rede de apoio

A presença do ônibus em Interlagos também dialoga com iniciativas que surgiram da própria comunidade de mulheres que frequentam o automobilismo. Um dos exemplos é o trabalho de Beatriz Rosenburg, economista que transformou uma experiência de assédio no autódromo em uma mobilização coletiva.

Em 2013, durante sua segunda visita a Interlagos, Beatriz foi vítima de assédio e acabou se afastando das corridas por alguns anos. A situação mudou em 2018, quando percebeu que outras mulheres também enfrentavam experiências semelhantes.

A partir daí, decidiu promover uma campanha de conscientização. O primeiro passo foi a produção de apenas 30 adesivos com mensagens de respeito às torcedoras, distribuídos durante o Grande Prêmio daquele ano. O material terminou ainda no primeiro dia, dando início a uma mobilização que cresceu ao longo dos anos.

Para a edição de 2026, a campanha prepara a distribuição de 4.500 adesivos, com o apoio de 24 voluntárias. A iniciativa também deu origem ao Interlagos Safe, grupo que reúne mais de 750 mulheres em uma rede de apoio.

Entre as atividades estão a troca de informações, a organização de pontos de encontro, a combinação de trajetos e a possibilidade de encontrar companhia para acompanhar as corridas.

Mesmo com o crescimento da mobilização, Beatriz afirma que os episódios de desrespeito continuam. Entre os relatos recebidos estão toques sem consentimento, trombadas propositais e tentativas de aproximação física forçada.

Nesse cenário, ela considera que a presença de um espaço institucional de acolhimento pode ajudar as mulheres a identificar onde buscar orientação e apoio durante o evento.

O assédio nos ambientes esportivos não se limita ao contato físico. A experiência de Lisandra Francine Parede, designer de moda que mora em Arapongas, no Paraná, mostra como o preconceito também aparece em atitudes que tentam colocar em dúvida o interesse e o conhecimento das mulheres sobre automobilismo.

Lisandra começou a acompanhar a Fórmula 1 mais de perto em 2020 e conheceu o movimento de apoio às torcedoras pelas redes sociais. No ano seguinte, decidiu viajar sozinha a São Paulo para assistir pela primeira vez a uma corrida em Interlagos.

Mesmo sem companhia na viagem, encontrou na comunidade feminina uma rede de apoio para compartilhar informações e acompanhar o evento com mais segurança.

Ao longo de sua experiência como torcedora, porém, também enfrentou situações de desqualificação. Segundo ela, homens já questionaram seu conhecimento sobre o esporte, exigindo respostas sobre pilotos, equipes e engenheiros como forma de comprovar que realmente gostava de automobilismo.

Também ouviu comentários insinuando que mulheres frequentam as corridas apenas pela aparência dos pilotos.

Para Lisandra, a troca de informações e a possibilidade de contar com outras torcedoras ajudam a tornar a experiência mais tranquila. A preparação começa antes mesmo da chegada ao autódromo, com orientações e contatos que permitem às mulheres encontrar apoio durante o fim de semana.

Apesar de reconhecer avanços na presença feminina nas arquibancadas e na visibilidade das denúncias, ela ressalta que ainda há um caminho a percorrer para que todas possam frequentar os eventos sem receio de assédio ou discriminação.

Segurança das mulheres também faz parte da experiência do GP

A estreia do Ônibus SP Por Todas no Grande Prêmio de São Paulo amplia a presença de ações de prevenção à violência em um dos principais eventos esportivos do país. A unidade integra o movimento SP Por Todas, que reúne políticas públicas estaduais voltadas à segurança, saúde e autonomia feminina.

Durante o GP de São Paulo de 2026, a unidade móvel estará disponível para orientar o público e divulgar os canais de proteção existentes. A proposta é reforçar que o direito de acompanhar uma corrida não deve estar condicionado à necessidade de lidar com situações de constrangimento, assédio ou discriminação.

Para as mulheres que ocupam as arquibancadas de Interlagos, a expectativa é que a atenção esteja concentrada apenas no que acontece dentro da pista.

Serviço

Ônibus SP Por Todas no Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1
Datas: 6, 7 e 8 de novembro de 2026
Local: Autódromo de Interlagos – Avenida Senador Teotônio Vilela, 261, São Paulo (SP)
Onde encontrar: Área interna do autódromo, próximo ao Portão 9.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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