A Fórmula 1 chega a Interlagos para a 20ª etapa da temporada 2026 com uma seleção de pneus mais macia em relação à utilizada no ano passado. A Pirelli definiu os compostos C3 (duro – faixa branca), C4 (médio – faixa amarela) e C5 (macio – faixa vermelha) para o fim de semana.
A escolha representa um passo em direção aos compostos mais macios em comparação com 2025, quando o GP de São Paulo contou com o formato Sprint. A seleção deste ano também terá um desafio adicional: as mudanças no asfalto do Autódromo José Carlos Pace, que podem influenciar o comportamento dos pneus ao longo da programação.
No último ano a Pirelli adotou a gama intermediária de pneus para o evento, por conta da alta degradação dos pneus observada em 2024.
Novo asfalto será um dos pontos de atenção em Interlagos
Durante 2026, foram realizados trabalhos de recapeamento em dois trechos do circuito: entre as curvas 3 e 5 e entre as curvas 8 e 9. As alterações podem modificar os níveis de aderência e a evolução da pista ao longo do fim de semana, com possíveis efeitos sobre o desgaste dos pneus em sequências mais longas de voltas.
As três sessões de treinos livres serão importantes para que as equipes compreendam como o novo pavimento interfere na degradação e no desgaste dos compostos. A análise será especialmente relevante para definir estratégias de corrida e encontrar o equilíbrio entre velocidade em uma volta e conservação dos pneus.

Ao longo dos últimos anos, a Fórmula 1 realizou eventos Sprint no Brasil, desta forma, as equipes estavam mais acostumadas com um formato diferenciado e que foi aperfeiçoado temporada por temporada. Desta forma é um tanto estranho voltar ao formato tradicional com a categoria.
Interlagos apresenta exigências laterais consideradas intermediárias, combinando curvas de alta velocidade com retas longas. De acordo com a Pirelli, o traçado distribui as cargas de maneira relativamente equilibrada entre os eixos dianteiro e traseiro, sem impor solicitações extremas aos pneus.
Na edição anterior, o desgaste dos pneus foi um dos principais fatores técnicos do GP de São Paulo. Embora o graining — formação de pequenas irregularidades na superfície da borracha — tenha sido menos intenso do que o inicialmente previsto, os compostos apresentaram diferentes níveis de degradação.
O C2, utilizado como pneu duro em 2025, mostrou tendência a deslizar, enquanto os compostos C3 e C4 registraram degradação significativa, mas ainda permitiram stints competitivos.
A estratégia de duas paradas foi a mais eficiente e adotada pela maioria dos pilotos. Apenas dois competidores conseguiram completar a prova com uma única visita aos boxes, enquanto o composto duro apareceu em apenas alguns trechos curtos das corridas.
Para 2026, a seleção mais macia coloca novamente a gestão da degradação entre as principais preocupações das equipes. As oportunidades de ultrapassagem oferecidas pelo traçado permitem alguma flexibilidade estratégica, mas controlar o desgaste será fundamental para manter o ritmo ao longo da prova.
Outro fator que adiciona complexidade ao desafio é o asfalto irregular e levemente ondulado de Interlagos, consequência do terreno instável sobre o qual o autódromo foi construído. Isso exige atenção especial das equipes no acerto dos carros e na gestão dos pneus ao longo do fim de semana.
Outro fator tradicional de Interlagos é a possibilidade de mudanças bruscas de temperatura e a ocorrência de chuva. Por sua posição no calendário e pelas características climáticas da região, o circuito frequentemente apresenta condições variáveis.
Ao longo da semana, a cidade deve ser atingida pelas chuvas, algo que impacta diretamente no emborrachamento e limpeza da pista, podendo contribuir para acentuar o desgaste dos compostos nessas condições.
Por isso, os pneus intermediários e de chuva extrema também podem ter participação importante durante o GP de São Paulo. A combinação entre o novo asfalto, a escolha mais macia de compostos e as condições meteorológicas deve exigir atenção das equipes desde os primeiros treinos.
O circuito de Interlagos já recebeu 42 Grandes Prêmios. Entre 1973 e 2019, foram 37 edições realizadas com o nome de GP do Brasil. A partir de 2021, a etapa passou a ser denominada GP de São Paulo, com cinco edições disputadas até 2025.
Michael Schumacher é o piloto com mais vitórias no circuito, somando quatro conquistas. Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Max Verstappen aparecem logo atrás, com três triunfos cada.
Entre os construtores, Ferrari e McLaren dividem a liderança histórica em Interlagos, com nove vitórias cada uma.
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