O campeonato da MotoGP ruma para o final da temporada 2026. Neste fim de semana a categoria disputará o GP do Catar, como 20ª etapa, porém, a realização desse evento tem gerado várias discussões, especialmente por conta dos conflitos que estão acontecendo no Oriente Médio.
A categoria pretende visitar o Circuito Internacional de Losail, mesmo destino da Fórmula 1 no final deste mês. Correndo na Malásia neste último fim de semana, várias reuniões aconteceram, com o intuito de discutir sobre a realização da etapa.
Os pilotos cobraram uma posição da MotoGP Sports Entertainment Group (MGPSEG), para que eles assumissem a responsabilidade de uma possível escalada dos conflitos no Oriente Médios, porém as condições estabelecidas pelos competidores não foram atendidas.
Após manifestação pública do piloto Jack Miller, contra a decisão do campeonato de forçá-los a ir para um local em que as tensões continuam, em decorrência dos ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, desde fevereiro. A população da Arábia Saudita tem acompanhado todo o desenvolvimento, mas alguns locais já estão planejando a sua saída, especialmente por temer a interrupção de voos.
A situação foi agravada por conta do Teerã, que lançou nas cidades árabes vários mísseis e drones, afetando a vida cotidiana da polpação, como a interrupção do funcionamento de escolas, impedimento de viagens e a realização de atividades comerciais.
O cenário, assim como a declaração de Miller, bastou para Yamaha emitir um comunicado e anunciar que não participaria do GP do Catar, por não ter recebido respaldo suficiente que justificasse encaminhar os seus funcionários para zona de guerra.
A categoria respondeu ao anúncio, encaminhando para todas as equipes uma carta que reiterava não haver motivos suficientes para impedir a realização do evento e que tinham garantias seguras do governo do Catar para dar continuidade a etapa.
A Fórmula 1 também passou os últimos meses avaliando a situação, o GP do Bahrein foi realizado, mas disputado na Malásia. Por outro lado, aguardava-se uma decisão sobre as corridas no Catar e Abu Dhabi, mas entende-se que o intuito também é fazer essas etapas e evitar a utilização do plano B – que seria uma final na Itália.
O campeonato
Marc Márquez pode encerrar a disputa pelo campeonato da MotoGP já no GP do Catar. Com 399 pontos, o espanhol da Ducati chega à etapa com a possibilidade de garantir matematicamente mais um título, enquanto Jorge Martín e Marco Bezzecchi ainda aparecem entre os pilotos que podem prolongar a disputa.
Martín ocupa a segunda posição, com 355 pontos, 44 a menos que Márquez. Bezzecchi é o terceiro colocado, com 332 pontos e uma diferença de 67 para o líder. O cenário coloca os dois em situações distintas na briga pelo campeonato, especialmente diante da possibilidade de o espanhol ampliar sua vantagem nas corridas do fim de semana.
A etapa no Catar reúne duas oportunidades de pontuação: a corrida sprint e a prova principal. Com uma vitória em cada disputa, Márquez pode somar até 37 pontos — 12 na sprint e 25 no GP — e dar um passo decisivo rumo ao título.
Entre os adversários, Bezzecchi aparece em uma situação mais delicada. Mesmo que o italiano termine em segundo lugar tanto na sprint quanto na corrida principal, Márquez ainda poderá ampliar sua vantagem caso vença as duas provas.
Nesse cenário, Bezzecchi somaria 29 pontos — nove na sprint e 20 no GP — enquanto Márquez acrescentaria 37. A diferença entre os dois aumentaria, portanto, em oito pontos ao longo do fim de semana.
A situação de Jorge Martín também merece atenção. O espanhol sofreu uma lesão no punho direito durante o GP da Austrália e ficou fora da etapa da Malásia. Embora exista a expectativa de que viaje ao Catar, sua condição física ainda é incerta, o que pode interferir diretamente em suas chances de permanecer na disputa.
Cada etapa da MotoGP distribui até 37 pontos: 12 pela vitória na corrida sprint e 25 pelo primeiro lugar no GP. Assim, depois do fim de semana no Catar, ainda estarão em disputa 74 pontos nas etapas de Portugal e Valência. Márquez chega à rodada com 44 pontos de vantagem sobre Martín e 67 sobre Bezzecchi. Para garantir o título sem depender de outros critérios, o espanhol precisa terminar o fim de semana com uma vantagem superior aos 74 pontos restantes sobre cada rival. No caso de Martín, uma diferença de 30 pontos no Catar deixaria a disputa sujeita ao critério de desempate; contra Bezzecchi, oito pontos a mais já seriam suficientes para abrir 75 de vantagem.

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