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Kimi Antonelli revela influência de Ayrton Senna e destaca evolução mental na conquista do título

Em encontro com a imprensa no Brasil, italiano fala sobre a admiração pelo tricampeão e a preparação psicológica que marcou sua trajetória até o primeiro campeonato mundial

O recém-coroado campeão mundial de Fórmula 1, Kimi, chegou ao Brasil ainda assimilando a conquista inédita, mas já com um novo objetivo em mente: vencer o Grande Prêmio de São Paulo. Durante um encontro com a imprensa realizado no Tangará e oferecido pela Petronas, o piloto falou sobre a emoção de alcançar o título tão jovem, a evolução psicológica que considera fundamental para seu desempenho e a admiração por Ayrton Senna, referência que acompanha sua trajetória dentro e fora das pistas.

A conquista, segundo o próprio piloto, ainda precisa de tempo para ser completamente compreendida. Mesmo depois de alguns dias desde a confirmação do campeonato, Kimi admitiu que ainda está assimilando a dimensão do feito.

“Bem, para ser sincero, ainda preciso de um tempinho para digerir, porque é uma conquista tão grandiosa que leva tempo para entender e assimilar, mas estou muito feliz. Muito feliz mesmo. Era obviamente um sonho meu me tornar campeão mundial e finalmente conseguimos, mas queremos ganhar ainda mais”, falou para o Boletim do Paddock e os veículos presentes.

“Queremos vencer cada vez mais, mas com certeza quando eu voltar para casa terei mais tempo para pensar nisso. Mas agora estamos no Brasil e o objetivo é tentar vencer neste fim de semana.”

A possibilidade de conquistar uma vitória em Interlagos tem um significado especial para o piloto. Mais do que o resultado esportivo, o circuito brasileiro carrega uma ligação histórica com um de seus maiores ídolos.

Ayrton Senna como inspiração dentro e fora das pistas

A relação de Kimi com Ayrton Senna foi um dos principais assuntos do encontro. O piloto revelou que teve a oportunidade de visitar a família do tricampeão mundial e conhecer de perto parte de seu legado, incluindo o carro utilizado por Senna em 1985.

A experiência foi descrita como emocionante. Kimi também aproveitou a passagem pelo Brasil para visitar novamente o túmulo do piloto brasileiro, um ano depois da sua primeira passagem pelo locar, por conta de toda a sua admiração pelo ídolo.

O seu carinho não se limita aos resultados conquistados por Senna na Fórmula 1. Para Kimi, o que torna o brasileiro uma referência é também sua personalidade e a influência que exerceu sobre o país.

“Ele não era apenas um grande piloto, mas também uma pessoa muito especial fora das pistas, e o que ele fez pelo Brasil, especialmente naquela época, foi muito especial.”

“E ver que o legado dele está ativo hoje em dia, com o Instituto Senna, administrado pela família Senna, e ver que seu legado ainda é tão forte, e ver o quanto ele ainda é amado aqui no Brasil e em todo o mundo é realmente ótimo. É por isso que o escolhi como meu ídolo.”

O italiano também ressaltou a força da memória de Senna, que permanece presente no automobilismo e na sociedade brasileira por meio do trabalho desenvolvido pela família com o Instituto Ayrton Senna, que colabora para melhorar a educação de várias crianças e algo que o piloto tinha muita preocupação.

A homenagem se estende à escolha do número 12, utilizado por Kimi na Fórmula 1 e que também representa uma conexão com o legado do brasileiro. O italiano afirmou que pretende continuar carregando essa inspiração ao longo dos próximos anos.

“E sim, sempre que eu puder, tentarei honrar o legado de Senna, porque ele é muito importante, ele é um herói para mim”, afirmou o italiano e mais novo campeão mundial de Fórmula 1.

O carinho recebido pelos torcedores brasileiros também foi mencionado. Segundo ele, a recepção no país é tão especial que a etapa de Interlagos chega a ter características de uma corrida em casa.

“O apoio do Brasil sempre foi incrível e é por isso que estou tão animado para vir aqui, porque parece uma corrida em casa, mesmo não sendo, mas parece uma corrida em casa porque o apoio dos brasileiros é simplesmente fantástico.”

Evolução psicológica foi decisiva para a conquista

Andrea Kimi Antonelli – Mercedes – Foto: acervo pessoal

Ao analisar o caminho até o título mundial, Kimi apontou a preparação mental como um dos fatores mais importantes de sua evolução. Depois de uma primeira temporada marcada por momentos positivos e dificuldades, o piloto entendeu que precisava mudar sua abordagem diante dos desafios da Fórmula 1.

Ele admitiu que, durante o ano de estreia, chegou a questionar a própria capacidade de competir na categoria.

“Eu realmente me questionei muitas vezes no ano passado se eu era bom o suficiente para a Fórmula 1, mas depois que consegui superar isso, entrei na pré-temporada, com tempo para digerir e analisar a temporada.”

“Tentei identificar os momentos cruciais e também entender por que tive bons fins de semana e por que tive fins de semana ruins.”

“E tudo se resumiu ao aspecto mental, que foi uma parte enorme disso. A mentalidade antes de cada sessão acabou sendo o fator decisivo. Este ano, tentei sempre adotar a abordagem correta e ter a mentalidade certa, focando nos pontos importantes e tentando aproveitar ao máximo.”

O período de intervalo entre as temporadas foi fundamental para essa reflexão. Kimi procurou identificar os momentos determinantes de seu primeiro ano, analisando tanto os finais de semana em que teve bons desempenhos quanto aqueles em que encontrou dificuldades.

A conclusão foi que a maneira de encarar cada sessão fazia diferença direta nos resultados.

A partir disso, passou a trabalhar com uma mentalidade mais equilibrada, concentrando-se nos aspectos realmente importantes e, principalmente, tentando aproveitar mais a experiência de pilotar.

O italiano reconheceu que, em diversos momentos de sua primeira temporada, havia deixado de lado um aspecto fundamental, que era o prazer de competir e que tanto motivou ele ao longo dos últimos anos.

“Acho que na temporada passada, muitas vezes esqueci de curtir pilotar o carro, porque, no fim das contas, tenho muita sorte de poder competir no auge do automobilismo. Então, também me lembro de que preciso aproveitar, porque é o que sonho em fazer desde criança.”

A juventude também foi apontada como uma característica que influencia sua maneira de pilotar. Kimi acredita que, por ainda ser muito jovem, tende a pensar menos e agir mais por instinto, comportamento que pode resultar tanto em boas decisões quanto em erros.

Ainda assim, considera que a experiência acumulada e o amadurecimento foram essenciais para alcançar o nível necessário para conquistar o campeonato.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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