As declarações de Fernando Alonso sobre a qualidade dos pilotos que ocupam as últimas posições do grid da Fórmula 1 provocaram reações no paddock do GP da Cidade do México. Depois de afirmar que o nível de alguns competidores da parte de trás do pelotão era “muito baixo”, o espanhol voltou a defender seu posicionamento nesta quinta-feira (30).
A discussão começou após o GP dos Estados Unidos, quando Alonso e Albon se envolveram em um toque na primeira volta. O contato danificou o carro do piloto da Aston Martin e comprometeu suas chances de pontuar na corrida. Incomodado com a manobra do tailandês, o bicampeão mundial aproveitou o episódio para questionar o comportamento de alguns pilotos que disputam posições na parte inferior do grid.
Albon, por sua vez, não considerou a disputa inadequada e avaliou que o incidente foi resultado de uma situação de corrida em que ambos tinham responsabilidade.
“Achei que foi uma boa batalha. Tivemos uma disputa interessante. Claramente, ele não pensa da mesma forma, mas foi uma briga que durou a corrida inteira. Até o incidente em si, achei que foi algo bastante equilibrado, com os dois carros em posições muito próximas na pista”, afirmou.
O piloto da Williams também discordou diretamente da avaliação de Alonso sobre o nível dos competidores. Apesar de reconhecer a importância do espanhol em sua trajetória e dizer que o admirava desde criança, Albon defendeu que a qualidade dos pilotos atuais é elevada em todo o grid.
“Tenho um enorme respeito pelo Fernando. Eu o admirava muito quando era criança, e obviamente não é nada agradável ouvir esses comentários. Você está competindo com alguém que admira.”
“Mas, ao mesmo tempo, discordo. É simples assim. Acho que o nível está alto em todas as categorias. Acho que há 10 ou 15 anos, a parte de trás do grid não era como é agora. Não temos mais pilotos pagantes. Então, sim, é o que é. Espero que não nos cruzemos nas curvas ou nos enfrentemos na corrida deste fim de semana.”
Para ele, a presença de pilotos pagantes, que no passado era mais comum, já não define da mesma maneira a composição do grid.
Mesmo diante das reações, Alonso não recuou. O espanhol afirmou que suas declarações não tinham como objetivo apontar um número específico de pilotos, mas sustentou que existem competidores cujo comportamento não corresponde ao nível exigido pela Fórmula 1.
“Não estou falando de um número específico, mas acho que todos sabemos de quem estamos falando e quais pilotos se sentiram atingidos pelo comentário. Isso já diz tudo”, afirmou.
O bicampeão também voltou a questionar a manobra de Albon no GP dos Estados Unidos. Para Alonso, o risco assumido pelo adversário não se justificava diante das circunstâncias da disputa. O espanhol ressaltou, porém, que sua percepção não se limita ao episódio em Austin, já que, segundo ele, passou boa parte da temporada envolvido em situações semelhantes na parte de trás do pelotão.
“Então, continuo com a mesma opinião. Foi um erro desnecessário. O que ainda me custa entender é qual foi a oportunidade que Alex enxergou naquele momento.”
“Mas não é só em Austin. Infelizmente, estive nessa parte do grid durante toda a temporada, então vejo coisas do carro que não posso controlar.”
Alonso reconheceu que pilotar carros menos competitivos pode aumentar a dificuldade das disputas. Com menos aderência e um comportamento mais imprevisível, os erros tendem a acontecer com maior frequência. Ainda assim, ele considera que isso não justifica todos os contatos e incidentes registrados nas primeiras voltas.
O espanhol, no entanto, questionou a quantidade de toques, asas dianteiras danificadas e incidentes que, em sua avaliação, poderiam ser evitados. Também relacionou o problema ao limite orçamentário da categoria, argumentando que os danos recorrentes representam um custo adicional para as equipes.
“Eles têm menos aderência, então os erros acontecem com mais frequência porque você não tem o ambiente sob controle. O carro não te recebe de uma forma amigável. Então você comete mais erros.”
“Mas não acho que todos os incidentes na primeira volta, todos os toques, todas as asas dianteiras que voaram – todas essas coisas sejam necessárias.”
“Principalmente se você está lutando por nada no fundo do grid, e ainda tem o teto de custos, o que também agrava o problema. Mas, sabe, se as equipes estão satisfeitas com o teto de custos para quebrar peças a cada corrida, tudo bem para elas.”
O debate segue aberto no paddock justamente em um momento em que a Fórmula 1 busca equilibrar competitividade, segurança e custos para as equipes.
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