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✍️ ENTREVISTA com Sam Bird

O novo piloto da Jaguar Racing fala sobre a pré-temporada da Fórmula E e sua integração com a nova equipe

Desde que foi anunciado como companheiro de equipe de Mitch Evans, Sam Bird criou grandes expectativas no mundo da Fórmula E. A dupla é uma das mais fortes do grid, e ele mesmo reconhece isso, mas faz questão de dizer que o importante é o resultado conquistado por eles.

Passada a pré-temporada da Fórmula E, em Valência, o agora dono do carro #10 da Jaguar Racing encontrou um tempo para responder as perguntas do Boletim do Paddock em uma entrevista exclusiva. Aqui, Bird fala sobre os testes na Espanha, os trabalhos com o novo engenheiro, a saída de Audi e BMW e outros assuntos.

Boletim do Paddock: O que você achou das modificações feitas para a pré-temporada deste ano (remoção da chicane, inclusão da eliminação do tempo para quem excedesse os limites da pista)?

Sam Bird: Acho que foram bons passos para tornar os três dias de testes mais úteis. Antes quando não tínhamos os limites de pista, era meio… não inútil, mas em termos de referência para o futuro não era tão realista. A chicane era meio que um “quebrador de carros”, mas era provavelmente uma curva bem útil para julgar como o carro estava para a Fórmula E. 

A pista dessa vez estava um pouco mais próxima do que precisamos ver. E deletar os tempos de volta foi bem útil também.

BP: Você é o “cara novo” na Jaguar e também sabemos que a relação entre um piloto e seu engenheiro é uma das mais importantes em uma equipe. Como o trabalho entre você e seu novo engenheiro tem sido até agora? 

SB: Até agora, estou muito feliz com a forma que tenho sido integrado na Jaguar Racing. Estou muito confortável com o meu novo engenheiro, Phil Ingram, e com o restante do pessoal, incluindo diretor técnico, Phil Charles, e com os engenheiros de dados e de software também. Estamos nos dando bem, fazendo amizade, não só “amizade de trabalho”. Por enquanto tudo está indo muito bem.

BP: Sabemos que o teste de pré-temporada não se trata de ser o mais rápido. Você acha que o carro funcionou como planejado? Se não, você e a equipe já identificaram áreas de melhoria?

SB: Os testes em Valência foram muito úteis, trabalhamos muito [nesse período]. Aprendemos muito. Temos coisas para melhorar sim, mas também tivemos coisas que funcionaram extremamente bem. Estou super encorajado depois desse teste, tudo estará no lugar em Santiago e lutaremos por muitos pontos.

BP: Alguns jornalistas, analistas de corrida consideraram você e Mitch como uma das três duplas mais fortes desta temporada. Você concorda com isso? Isto é uma pressão extra sobre você?

SB: Com certeza acho que somos uma dupla forte, mas depende das pessoas dizer quem é o seu Top 3 ou não. Para ser sincero, isso não interessa muito. O que interessa é ter um bom desempenho em qualquer que seja o sábado [de corridas]. É o que realmente conta, sabe? Ver quantos pontos conseguimos marcar, aí as pessoas podem nos julgar.

BP: As primeiras quatro corridas da próxima temporada serão duas rodadas duplas, você gosta desse formato? Acha que é algo que a Fórmula E deveria fazer mais no futuro?

SB: Acredito que por causa da pandemia esse formato será adotado mais vezes. Eu gosto, é bem intenso. Acho que é difícil para os mecânicos e engenheiros, já que eles dormem pouco por praticamente uma semana. É intenso, mas é um desafio bem proveitoso. 

BP: Você é um piloto muito experiente, está na Fórmula E desde o início da categoria e agora temos muitos pilotos jovens se juntando a ela também. Quão importante você acha que é isso (ter todos estes jovens) na Fórmula E?

Sam Bird – Foto: reprodução

SB: Bom, os anos passam e pilotos mais jovens vão chegando. Não é que eu seja velho, tenho apenas 33 anos, mas é legal ter caras chegando da Fórmula 2 e de outras categorias. Esses jovens vêm para a Fórmula E ao invés de irem para outras categorias e são uma ótima adição para o campeonato. Vamos ver como eles se saem. 

BP: O que você acha da saída da Audi e da BMW da Fórmula E no final de 2021?

SB: Obviamente são notícias decepcionantes. A Audi está envolvida com a Fórmula E desde o começo quando a equipe ainda se chamava “Abt” e só depois se tornaram “Audi” mesmo. É uma pena. A BMW também, eles estão por aqui desde a temporada 3 ou 4 com a Andretti. São duas grandes montadoras que com certeza farão falta.

Contudo, tenho certeza de que a Fórmula E vai anunciar boas notícias no futuro em relação a novas montadoras. Mas eles (Audi e BMW) vão proporcionar ótimas lutas esse ano, espero ve-los no meu retrovisor durante toda a temporada. 

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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