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O Barão da Casa Fittipaldi

Dia 75 de 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo – 04 de agosto de 1920, nascia o Barão da Casa Fittipaldi

O inverno de 2017 veio empregando uma força descomunal, criando e impondo situações indesejáveis, porém, para data de hoje fui surpreendido em três momentos, primeiro que me deparei com o tema que eu havia escolhido sendo esgotado por diversos portais, o segundo, ao escolher um novo tema, me deparei com um texto tão brilhante que eu não poderia fazer melhor, havia decidido falar de Jeff Gordon, ex-piloto da Nascar, assim debrucei sobre as minhas pesquisas e fico maravilhado com o texto de Livia Castrioto no site dos nossos amigos do Big One Brasil, por isso indico a leitura do texto Um Pouco Mais Sobre Jeff Gordon, e por fim o tema que decide rascunhar no texto abaixo foi a satisfatória descoberta que em 04 de agosto de 1920 um dos, se não o maior responsável pelo pioneirismos do automobilismo nacional e o nosso alvorecer no automobilismo internacional.

l Dos prolegômenos

Lemyr Martins é um jornalista que a muito me agrada usar os seus texto como fonte de pesquisa para a série dos 365 dias, daqui da minha mesa do qual redijo este post vejo algumas obras que adquiri nos últimos anos deste jornalista, entre elas um livro de lombada negra com letras prateadas, uma pena não serem douradas, A Saga dos Fittipaldi da editora Panda Books, livro este que eu adquiri em uma estação do metrô de São Paulo, salvo engano na Trianon-Masp em uma noite de longa bebedeira e que paguei apenas dois reais por este exemplar que já li, reli e do qual devo reler novamente em breve, enfim, como cheguei ao livro, como dito acima, descartei duas opções e me veio a vaga lembrança que esta data estava contando na obra citada, e eu estava certo.

Wilson Fittipaldi, o Barão, com o neto Christian e os filhos Emerson e Wilsinho (Regis Filho/VEJA)

l Disclaimer

Aqui eu vou abordar a carreira do Barão até o primeiro título de Emerson em 1972, pois neste ponto o cajado da família Fittipaldi é entregue ao mais jovem campeão de Fórmula 1 da época.

Wilson Fittipaldi ao lado do pôster de campeão mundial de Emerson em 1972 (Lemyr Martins/VEJA)

l O Barão

O sobrenome Fittipaldi é um dos sobrenomes mais fortes no mundo do automobilismo, pois está presente no mundo do esporte a motor, desde a década de 1930, pois Wilson Fittipaldi, o pai, ou melhor dizendo o Barão como era conhecido, nasceu em 04 de agosto de 1920, sendo filhos de imigrantes italianos, logo já foi picado pela mosca da “cosa nostra”, não ele não era mafioso, era apenas o chefe de uma família que iria despontar no automobilismo, porém isso era impensável para aquele jovem que já na década de 1930 participava de corridas de carros e motos e aos 23 anos casa com Józefa “Juzy” Wojciechowska, que no mesmo ano tiveram a felicidade no nascimento do seu primogênito, Wilson Fittipaldi Júnior e depois de 23 anos do nascimento de Wilsinho, Emerson vinha ao mundo, ambos notoriamente apaixonados por velocidade, como afirmou o Barão em entrevista ao Estado de São Paulo em 20015:

Posso ter passado o amor pela velocidade aos meus filhos, mas não o talento

Wilson Fittipaldi entre os filhos Emerson e Wilsinho (Carlos Namba/VEJA)

Era puro mato a região de Interlagos nos anos 40 e 50, porém o engenheiro britânico Louis Romero Sanson e a Auto Estrada S/A decidiram que ali seria um excelente local para se construir um autódromo e assim foi feito, nesta época o Barão já cobria eventos esportivos para a Rádio Excelsior e junto com Interlagos a sua carreira de radialista iria trilhar dificuldades e conquistas que marcariam a história do automobilismo nacional.

O radialista Wilson Fittipaldi em transmissão da rádio Jovem Pan (Lemyr Martins/VEJA)

Eu conhecia o dono de um restaurante próximo que me emprestou a linha telefônica para transmitir a corrida. Os outros não conheciam direito as dificuldades de Interlagos

Contudo, como hoje, o esporte a motor necessitava de incentivo e o Barão buscava patrocinadores para que o seu trabalho fosse realizado, após concluir as tratativas com patrocinadores conseguiu com as rádios Panamericnae Record que os eventos por ele narrados seriam transmitidos por elas e ainda teria um programa diário, das 20:30 às 20:45.

Em 1948, Chico Landi já estava disputando GPs e neste ano ele conquistaria o GP de Bari a bordo de uma Ferrari, marca recém-criada pelo então jovem Enzo Ferrari, vitória esta que proporcionou a ida do barão para cobrir o GP de Bari de 1949, porém nesta prova a Ferrari de Chico Landi o deixou na mão.

“Eu levava dois gravadores imensos, impensáveis para os dias de hoje”, lembrou na época. “E usava ternos de linho que para o verão europeu me fizeram sofrer o tempo todo. Mas tudo era novidade para mim, estava tão entusiasmado que, na realidade, não me perturbava tanto.”

Nesta época a precariedade do esporte a motor colocou em cheque o destino do autódromo de Interlagos como relatou “Em 1952, a Auto Estrada estava cansada de não ganhar nada com o investimento em Interlagos e loteou a área de um milhão de metros quadrados” e “Consegui me infiltrar na Secretaria de Esportes, o que ajudou a Prefeitura a adquirir o autódromo e salvá-lo. Para chegar lá, cruzávamos uma ponte de madeira, sobre o Rio Pinheiros, onde passava um carro de cada vez. E era comum o piloto parar no box para reclamar da presença de um cavalo no meio da pista.”

Na viagem para cobrir a corrida do Chico eu assiti à largada da Mille Miglie, em Brescia, e disse a mim mesmo que promoveria algo semelhante no Brasil, mas em vez de ser pelas estradas do País, como na Itália, seria em Interlagos, as Mil Milhas Brasileiras.

E assim se fez, em 1956 foi realizada a primeira edição da Mil Milhas Brasileiras, o que fez com que o jovem Emerson, filho do Barão tivesse contato com uma verdadeira prova de automobilismo, pois nesta ocasião, Emerson deu a sua primeira volta no antigo traçado de Interlagos, momento este que garantiu o alicerce do automobilismo nacional.

Emerson Fittipaldi no kart, observado pelo pai, Wilson (Jorge Butsuem/Reprodução/VEJA)

Porém, os direitos desportivos era do Automóvel Clube do Brasil – ACB. “Havia de tudo naquele clube. Todos estavam saturados dos desmandos e da sua ineficiência. Tínhamos de pagar altas taxas para ter nada em troca” e “Um grupo de abnegados começou a trabalhar para mostrar para a FIA que precisávamos outra entidade para cuidar do automobilismo.”

Wilson Fittipaldi, locutor da Rádio Panamericana, promovendo o 2º Grande Prêmio Automobilístico Getúlio Vargas (Tuta Carvalho/Arquivo Pessoal/Reprodução/VEJA)

E assim o Barão e dissidentes da ACB fundaram a Confederação Brasileira de Automobilismo – CBA, convencendo a FIA que o esporte a motor no Brasil seria melhor gerido pela CBA

Concomitantemente, na Europa uma categoria aumentava substancialmente, o que atraiu a atenção de inúmeros aspirantes ao estrelato que a Fórmula 1 proporcionava e assim o Barão vê seus dois filhos partirem para o velho continente em busca da glória.

Wilson Fittipaldi com Niki Lauda (Lemyr Martins/VEJA)

Com o crescimento da Fórmula 1, a participação de seus filhos e os resultados que o Emerson vinha obtendo, o Barão consegue convencer os executivos da Rádio Panamericana da necessidade de uma cobertura mais efetiva da Fórmula 1 e assim no começo dos anos 70, o Barão se torna a voz da Fórmula 1 no Brasil.

Lembram da semente plantada em 1956 na mente de Emerson? Então ela brota, cresce e em 1972 os frutos são colhidos.

Larguei tudo após a bandeirada e saí correndo para abraçar o Emerson

Wilson Barão Fittipaldi, faleceu em 11 de março de 2013, deixando um legado que será sempre lembrado pelos amantes do automobilismo.

l Fora das Pistas

Billy Bob Thornton, este homem que completa mais um verão no Arkansas, justo ele que interpretou um dos personagens mais marcantes, na minha opinião, do cinema nos anos 90, Truman em Armagedon, porém como sempre gosto de incluir um vídeo ou uma música em meus textos e diante a esta efeméride só me resta afastar o senso comum que seria colocar o clipe da música do Aerosmith, I Don’t Want to Miss a Thing, e incluir o melhor momento musical do filme.

Nesta mesma data em 1997 era lançado a primeira edição de One Piece, o meu mangá favorito e por onde acompanhamos as aventuras Monkey D. Luffy, para tanto recomendo a leitura e deixo abaixo a apresentação deste personagem sensacional.

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Rubens Gomes Passos Netto

Editor chefe do Boletim do Paddock, me interessei por automobilismo cedo e ao criar este site meu compromisso foi abordar diversas categorias, resgatando a visão nerd que tanto gosto. Como amante de podcasts e audiolivros, passei a comandar o BPCast desde 2017, dando uma visão diferente e não ficando na superfície dos acontecimentos no mundo da velocidade. Nas horas vagas gosto de assistir a filmes e séries de ação, ficção científica e comédia. Atuando como advogado, também gosto de fazer análises e me aprofundar na parte técnica.

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