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Drive to Survive: sem formar grandes expectativas para a 4ª temporada

Quarta temporada dá destaque para Mercedes, Red Bull, Ferrari e McLaren. Alguns personagens voltam a se repetir

A última temporada de Drive to Survive me fez não criar nenhuma expectativa para o quarto ano da série. Várias coisas na terceira temporada me desagradaram, principalmente por conta daquelas narrativas caóticas. Quem acompanha a categoria e vê a série, encontra vários furos, algumas coisas que incomodam.

Antes mesmo da série ser lançada oficialmente no dia 11 de março, aqueles jornalistas que tiveram acesso aos 8 primeiros episódios da temporada, levantaram vários pontos que eles não gostaram. Neste texto vou contar um pouco das minhas percepções e mencionar um pouco as coisas me agradaram e desagradaram. Ele será longo e com spoilers, você foi avisado!

Por incrível que pareça, quando o último episódio acabou, percebi que a 4ª temporada não tinha me desagradado tanto. Talvez por não criar muitas expectativas, não me decepcionei tanto. Exceto pelo fato de ter cerca de 20 segundos de GP do Brasil, isso foi algo que me chateou bastante. Aquela corrida foi simplesmente brilhante, é uma pena ter constado apenas de forma superficial.

A Netflix pode ignorar o GP do Brasil, mas nós não vamos – Foto: reprodução

Fiquei um pouco chateada por novamente por não demonstrarem que existem dez equipes no grid. Só que isso é algo que ocorre de forma recorrente na série. Acho que não adianta mais se frustrar com isso. Esqueça a participação da Alfa Romeo ou a menção sobre a saída de Kimi Raikkonen, o piloto que disputou dezenove temporadas e conquistou um título em 2007, só aparece em um flash.

Algumas pessoas esperavam que os bastidores da tentativa de compra da Sauber pela Andretti seriam mostrados, mas a realidade é outra. O 6º episódio é praticamente dedicado à Williams, neste ponto começam a mostras as dificuldades do time, assim como a vontade de George Russell de conquistar pontos. A Williams terminou na oitava posição do campeonato de Construtores após superar a Alfa Romeo. A partir do GP da Hungria as coisas mudaram nas duas garagens, a Sauber não sabia se poderia ficar mais uma temporada na categoria e a Williams dava início a sua virada. A trama foi ignorada, mas a Williams teve o seu episódio, necessário, afinal, Frank Williams faleceu ao final de 2021.

 

As disputas que ganharam foco são as que ocorreram entre Mercedes e Red Bull, Ferrari e McLaren, portanto a mecânica da maioria dos episódios se volta para contar o ano destes times, seus dramas e suas batalhas particulares. Sem os depoimentos de Max Verstappen para a Netflix, os rádios do piloto e outras entrevistas ao longo do ano, são usadas para dar a sua visão sobre a disputa com Hamilton.

A Red Bull tem bastante tempo de tela, principalmente com Christian Horner. Neste quesito senti, que ao longo dos anos alguns personagens que ganharam destaque na primeira temporada de Drive to Survive, começaram a compreender a mecânica da série e forneceram exatamente o que os produtores queriam, ganhando assim um tempo adicional na tela.

Horner tem várias frases que dão aquela sensação de serem prontas, que são perfeitas para a autopromoção e sem dúvidas vão colocar na série. As próprias conversas dele com a esposa tem aquele ar forçado. A cada novo episódio, o chefe de equipe da Red Bull deixava cada vez mais evidente o seu medo de ser mais uma vez superado pela Mercedes. Horner não deixa de cutucar várias pessoas no paddock pedindo aquela força para que façam algo para atrapalhar Hamilton e ajudar o time austríaco.

Pior que não é apenas Horner que modula as suas frases, na realidade grande parte dos personagens já conseguiu se atentar ao que eles querem mostrar ao público da série, qual imagem querem construir na tela do streaming. A espontaneidade se perdeu.

Aliás, o tom dado pela série, é que ninguém mais aguenta a dominância da Mercedes no grid, algo que é reforçado pelas falas de Will Buxton, portanto alguém precisa pará-los, não importa a forma como isso será feita, todos vão aceitar no final.

Para o público que não acompanhou a temporada completa, mas gosta de assistir DTS, a série não conta nada sobre a mudança do regulamento de 2020 para 2021 que prejudicou o desempenho do carro da Mercedes. Na verdade, eles atrelam a falha do time alemão, responsabilizando mais o motor – ele também foi questão, mas não apenas isso. Ao mesmo tempo que não cita em nenhum momento que o regulamento benefício a performance da Red Bull.

A disputa da Ferrari e McLaren, ressalta também a dificuldade que Ricciardo encontrou para se adaptar ao novo time, principalmente ao equipamento, mas revela o outro lado da moeda, quando mostra que Carlos Sainz se adaptou rapidamente ao time de Maranello.

As edições da série deixam subentendido que a classificação na Fórmula 1 é composta por voltas lançadas, uma forma que encontraram para deixar aquela tensão sobre o resultado, principalmente de Hamilton e Verstappen. Outra explicação que fica de lado, é a realização da Sprint Qualifying, em Silverstone aparenta que naquele final de semana optaram por realizar duas corridas no final de semana.

Novamente contamos com uma série de dez episódios, a minutagem deles não é tão grande, então algumas coisas ficaram de fora. Senti a repetição de provas como Bahrein, Barcelona e Mônaco – um vai e volta nas mesmas pistas. Os dois primeiros episódios têm uma narrativa igualzinha, só muda os personagens. Outro detalhe é a repetição constante das imagens.

Cada vez mais Drive to Survive se distância das imagens dos bastidores, desta forma é facilmente confundido com resumos do final de semana. Acho que nem precisa mencionar o fato de imagens misturadas de vários GPs que não correspondem a narrativa que está sendo contada naquele momento, né?

O que mais gostei

Finalmente temos mais sobre Lewis Hamilton, esse ano eles foram forçados a mostrar mais o inglês, pois estavam contando a história da Red Bull. Nos outros anos o fato de Hamilton ganhar um campeonato era praticamente ignorado.

A dúvida de Toto Wolff de manter Valtteri Bottas na equipe ou contratar George Russell, foram bem interessantes de ver neste ano. O chefe de equipe da Mercedes realmente estava com dúvida, o finlandês sempre foi um piloto que não gerou muitos danos, pontuava, mas por um lado, sempre deveu em alguns quesitos.

Wolff ponderou a contratação de Russell, pois é um jovem piloto, portanto é necessário fazer alguns ajustes para que ele se encaixe perfeitamente à Mercedes. Assim como também vemos a opinião de Hamilton, o inglês gostava de Bottas e estava acostumado ao companheiro de equipe.

Como sabemos, Russell é contratado pela Mercedes – Foto: reprodução

Gostei de ver o carinho que Russell tinha pela Williams, mas a tensão que ele guardava por ainda não ter um contrato com a Mercedes. A sua insatisfação ficou mais evidente a partir do 7º episódio. Finalmente a conversa de Russell com Wolff, é algo que a gente realmente gosta de ver dos bastidores que a série deveria mostrar mais.

Fiquei feliz por ao menos mencionarem a venda da Williams, a chegada de Jost Capito e as transformações que o time iniciou desde a mudança de gerência da equipe.

A narrativa sobre Yuki Tsunoda também foi algo interessante. Eles mostram o drama de um novato, além do choque da transformação de vida que o japonês teve. Tsunoda cresceu rapidamente no automobilismo, chegando à Fórmula 1 em quatro anos, que se mostrou um pouquíssimo tempo para moldá-lo. E mesmo com todos os erros que cometeu no ano parrado, o pessoal do grid nutre um carinho por Tsunoda e acredita no seu potencial para evoluir.

A mudança de Tsunoda que tanto foi comentada no ano passado, ganhou um espaço na trama da Netflix – Foto: reprodução

O episódio da Haas e de Nikita Mazepin também é no mínimo curioso. Fica claro na narrativa a dificuldade para o piloto russo e para o seu pai compreender que o problema era o filho e não só o carro. O oligarca em um certo momento da temporada, até começa a fazer ameaças sobre a retirada do patrocínio, exigindo que a Haas faça alguma coisa, como mudar os chassis dos seus pilotos, passando o de Schumacher para Mazepin.

Fica claro que tanto Mazepin, como o pai não aceitam que ele não está evoluindo e atribuem todos os problemas aos carros dos pilotos não serem iguais – Foto: reprodução

A única coisa que a F1 deve, é o fato de praticamente simular que Mazepin fez uma grande corrida na Rússia e por ter realizado a escolha de pneus, praticamente ganhou a corrida.

Vemos a confirmação de um clima na equipe estava bem ruim, Schumacher não tinha uma relação com o piloto russo, não havia uma troca entre eles. Além disso, Mazepin não fazia o mínimo para compartilhar dados sobre o carro na frente do companheiro de equipe.

Dos Personagens

A trama volta a abordar Esteban Ocon e Pierre Gasly, os pilotos fazem parte da série praticamente desde o seu início. A Netflix ainda os trata como pilotos que fazem parte do grupo dos jovens pilotos – quase estreantes na categoria, mas acabam atribuindo mais responsabilidades a figuras como Lando Norris e Charles Leclerc.

Como mencionei, vamos ver muito de Toto Wolff, Lewis Hamilton, Valtteri Bottas, Christian Horner, Daniel Ricciardo, Charles Leclerc, Guenther Stainer, Mick Schumacher e Nikita Mazepin. A ex-pilota e CEO da Venturi na Fórmula E, Susie Wolff também traz sua visão sobre a batalha entre Hamilton e Verstappen sobre o campeonato, comentários pontuais, mas que acrescentam muito a narrativa, principalmente por ela ter a visão de como é gerir uma equipe.

Veredito sobre a quarta temporada

Deixei de criar expectativas para não me sentir frustrada, desta forma me sinto até que satisfeita com o que foi entregue.

Sobre a batalha em Abu Dhabi, temos um episódio inteiro dedicado ao que aconteceu por lá. Novamente Horner reforça que eles precisariam fazer o que fosse possível para ganhar o campeonato, um ‘milagre’ aconteceu e ficou evidente que a Red Bull soube como usá-lo ao seu favor.

O final não é tendencioso apontando o que foi certo ou errado, isso fica à cargo do expectador tirar as suas conclusões, mas ao longo de toda a temporada, a Horner aparece conversando também com Michel Masi, questionando algumas decisões do diretor de prova e até tentando impor alguma influência. Como o canal entre chefe de equipe e o diretor de prova estava liberado, eles também mostram os questionamentos de Wolff, principalmente com relação a aplicação de regras. A temporada dá a entender que Masi, pendeu para os dois lados no campeonato.

Acho que novamente o que faltou neste ano, foi dar a oportunidade para outras equipes no grid. A Aston Martin quase não aparece, a mudança de Sebastian Vettel para lá é ignorada.

Não sabemos se a 5ª temporada será filmada, mas se for possível resgatar a essência dos bastidores, seria bem interessante, principalmente em um ano que vamos ter o início da nova era da Fórmula 1.

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Drive to Survive: a terceira temporada, suas narrativas caóticas e personagens

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Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele despertou o meu interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Hoje gosto de tirar fotos e escrever textos!

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