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Colton Herta vence corrida caótica no misto de Indianápolis

Com a chuva indo e vindo, o piloto da Andretti teve o ritmo mais competitivo e as melhores estratégias, enquanto os rivais diretos escorregavam pelo caminho

Colton Herta teve uma atuação de gala para desencantar em 2022 (Joe Skibinski/IndyCar)

A abertura dos eventos do mês de maio no Indianapolis Motor Speedway ocorreu em grande estilo. O Indy GP, realizado no traçado misto no famoso circuito americano foi marcado pela chuva e pelo caos, com muitos pilotos cotados como favoritos tiveram problemas variados. Quem se safou foi Colton Herta, que teve uma atuação de gala e espantou a má fase com uma vitória categórica, sendo esta sua primeira na temporada 2022 da Fórmula Indy.

A vitória de Herta veio em uma corrida em que praticamente todos os demais candidatos principais ao triunfo tiveram problemas em momentos distintos e ficaram longe das primeiras posições. Talvez, a maior exceção foi Will Power, que largou na pole e, apesar de não brilhar, conseguiu escapar dos maiores contratempos e terminou na terceira posição, assumindo a liderança do campeonato.

A largada foi com pista molhada, mas como não chovia, a pista ia secando rapidamente. Neste cenário, as McLaren se deram bem e conseguiram assumir a primeira e segunda posições, com Pato O’Ward e Felix Rosenqvist, enquanto, as disputas no resto do pelotão era cheio de empurra-empurra (inclusive, dentro da Penske, com Power colocando Josef Newgarden para fora da pista).

Mas logo na terceira volta, Colton Herta e Takuma Sato foram os primeiros a se arriscar a parar para colocar pneus slick no lugar dos de chuva. Apesar da pista estar traiçoeira, a mudança surtiu efeito e os líderes foram para os boxes logo na sequência.

O’Ward ainda voltou em primeiro, mas os seus pneus ainda estavam frios e pouco aderentes. Com uma volta a mais de pista, Herta já tinha o melhor ritmo e conseguiu a ultrapassagem, com direito a uma bela segurada, digna dos melhores pilotos de drift.

Logo na sequência, as primeiras rodadas começaram a ocorrer. Primeiro foi Kyle Kirkwood na saída da reta oposta. Quase que simultaneamente, Alex Palou ficou parado na grama e perdeu uma volta, causando a primeira das oito bandeiras amarelas que a prova teve.

A corrida recomeçou e as disputas seguiram bastante intensas no meio do pelotão, até que na volta 17, Josef Newgarden disputava posição com Sato, Alexander Rossi e Jack Harvey, mas acabou ensanduichado e rodou, tendo os pneus traseiros furados, o que lhe tirou qualquer chance de um bom resultado.

Na relargada seguinte, Rinus Veekay rodou e foi tocado por Delvin DeFrancesco e provocou mais uma bandeira amarela. Após este período de bandeiras amarelas, a prova recomeçou, com os pilotos se preocupando com o consumo de combustível e estudando a estratégia de parada nos boxes, já que a janela de pit-stops foi bastante mexida com o período atrás do Pace Car.

Como foi o primeiro a parar na primeira leva, Herta novamente foi quem iniciou o ciclo de boxes, na volta 32. Já a maioria dos pilotos optou por fazer o pit nos giros seguintes. Rosenqvist conseguiu fazer um bom trabalho e superou o companheiro de equipe pelo segundo lugar virtual, além de quase superar o piloto da Andretti.

Enquanto isso, Scott Dixon tentou alongar o stint, mas ficou sem combustível ao entrar nos boxes e, com o tempo perdido, perdeu uma volta para os líderes. Na pista, Tatiana Calderon aproveitou o momento para liderar uma volta antes de parar (a colombiana ainda terminaria a prova em 15ª, seu melhor resultado na Fórmula Indy nesta temporada).

Na volta 36, Dalton Kellett bateu na barreira de pneus e causou mais uma bandeira amarela. A partir daí, as estratégias passaram a ficar mais variadas, com Marcus Ericsson assumindo a ponta com uma tática de parada diferente. Com o grid mais misturado, a receita para novas confusões estava preparada.

E isso se viu na relargada, quando O’Ward tentou passar Rosenqvist e Herta de uma vez. O mexicano rodou e foi acertado pelo próprio companheiro de equipe. Além disso, Sato também rodou ao sair para a grama para não bater. Pato ainda conseguiu se recolocar no grid no meio do pelotão sem danos, enquanto o sueco da McLaren precisou trocar o bico.

Neste momento, alguns pilotos, como Alexander Rossi, Graham Rahal, Felix Rosenqvist, entre outros, que estavam mais atrás aproveitaram as gotas de chuva que começavam a cair em Indianápolis para trocar para compostos de pista molhada, porém, a pista não ficou molhada o bastante e  o grupo que colocou os pneus biscoito foi obrigado a voltar para os slick, perdendo bastante tempo.

Lá na frente, Herta abria grande vantagem, enquanto a briga estava quente pelo segundo lugar, com O’Ward aparecendo bastante com ultrapassagens, mostrando que o carro ainda estava rápido, mesmo depois da rodada, mas o máximo que podia almejar era o segundo lugar, que estava com Scott McLaughlin.

Contudo, uma bandeira amarela causada pela rodada de Jimmie Johnson na volta 57 causou mais uma neutralização da corrida. Os pilotos fizeram a parada para reabastecer e colocaram pneus de pista seca novos. Então a chuva apertou, com pilotos que estavam descontando a volta perdida parando para colocar os pneus biscoitos.

Na sequência, os líderes tiveram que decidir se paravam de novo ou não. Apenas McLaughlin, O’Ward e Romain Grosjean arriscaram ficar na pista com pneu slick, enquanto os demais trocaram para os de chuva.

A direção de prova já havia confirmado que a prova terminaria no tempo limite de duas horas, já que não seria possível completar as 85 voltas previstas no tempo. O trio que ficou de pneus de pista seca torcia pelo máximo de tempo de bandeira amarela para manter a posição, mas mesmo com o regime de Pace Car, a pista estava escorregadia demais.

Assim, cada um deles rodou na pista, mesmo com ritmo mais lento e, com isso, foram forçados a parar nos boxes outra vez, vendo o sonho da vitória escapar. Para o torcedor da McLaren ficou um doloroso deja vu do GP da Rússia de 2021, quando Lando Norris esteve em situação similar.

Com a última relargada, Herta abriu grande vantagem, seguido por Simon Pagenaud (em seu melhor resultado na Meyer Shank, e por Will Power, que garantia a pontuação suficiente para assumir a liderança do campeonato.

Mais atrás, Juan Pablo Montoya, que fazia a primeira aparição na temporada pelo terceiro carro da McLaren, acabou batendo faltando dois minutos para o fim da corrida, causando a bandeira amarela derradeira e com a prova terminando em bandeira amarela.

Problemas de visibilidade atrapalharam Hélio Castroneves na parte final da prova (Karl Zemlin/IndyCar)

Hélio Castroneves até teve uma corrida competitiva na maior parte do dia, chegando a andar entre os dez primeiros na segunda metade da etapa, mas o brasileiro teve problemas de visibilidade no seu carro nas voltas finais e despencou para 14ª na classificação.

A Fórmula Indy agora foca todas as suas atenções para a 106ª edição das 500 Milhas de Indianápolis. Na próxima terça-feira, teremos as primeiras sessões de treinos livres e a classificação da prova, com 33 inscritos, será dividida em dois dias, no próximo fim de semana. A largada da grande prova do automobilismo mundial será no dia 29 de maio.

Classificação do GP de Indianápolis Aqui

Classificação do campeonato:

1 – Will Power (AUS) – Penske/Chevrolet – 170
2 – Alex Palou (ESP) – Chip Ganassi/ Honda – 156
3 – Scott McLaughlin (NZL) – Penske/Chevrolet – 152
4 – Josef Newgarden (EUA) – Penske/Chevrolet – 140
5 – Scott Dixon (NZL) – Chip Ganassi/Honda – 133
6 – Colton Herta (EUA) – Andretti/Honda – 132
7 – Pato O’Ward (MEX) – McLaren SP/Chevrolet – 126
8 – Marcus Ericsson (SUE) – Chip Ganassi/Honda – 117
9 – Romain Grosjean (FRA) – Andretti/Honda – 114
10 – Rinus Veekay (NED) – Ed Carpenter/Chevrolet – 113

18 – Hélio Castroneves (BRA) – Meyer Shank/Honda – 71

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Eduardo Casola

Jornalista formado na Universidade de Sorocaba (Uniso) e apaixonado por esporte a motor desde quando se conhece por gente. Apenas um rapaz que gosta de uma boa corrida e de uma boa história!

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