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BP entrevista Rodolpho Siqueira, assessor de imprensa da Stock Car. Saiba tudo sobre o GP Galeão

Após 11 anos sem receber uma etapa da Stock Car, o Cristo Redentor abriu os braços mais uma vez para a categoria. Após a demolição do Autódromo de Jacarepaguá em 2012, a cidade do Rio de Janeiro não sediava nenhum evento de automobilismo de grande porte. O palco da vez será uma das pistas Aeroporto Internacional Tom Jobim, cujo nome homenageia o músico e compositor do “Samba do Avião”. A letra foi escrita em 1962 para o filme italiano “Copacabana Palace”, lançado no mesmo ano. O eu-lírico está fazendo uma ponte aérea e aterrissa no Galeão. Sem dúvidas o palco da etapa inédita não poderia ser mais romântico. O reencontro da Stock Car com o Rio de Janeiro homenageia Cacá Bueno, que leva o nome do circuito. O carioca pentacampeão da categoria foi o último a vencer na cidade.

Foto: Lucas Neves/BP

Para comentar sobre a etapa, Rodolpho Siqueira, assessor de imprensa da categoria, conversou com o BP e falou um pouco sobre os bastidores do evento. Confira na íntegra:

Boletim do Paddock: O que esperar do GP Galeão, a primeira corrida em um aeroporto comercial na História do Brasil?

Rodolpho Siqueira: Vai ser uma corrida histórica. Não só porque a Stock Car está voltando para cá. Mas também porque fazer uma corrida em um aeroporto é algo totalmente inesperado. Se falássemos isso há um ano, o pessoal ia falar: “imagina, nunca vão fazer isso aqui no Brasil”. Você está aqui. Está vendo o nível. É muito complexo tudo aqui. Não é só montar tudo, mas também se adaptar ao ambiente do aeroporto. Como corrida, vai ser talvez uma das melhores corridas de todos os tempos. É uma expectativa que todos tem. A gente possui retas longas, uma pista muito larga. Então na largada, chegando na curva de 24 metros, talvez tenham oito carros lado a lado. O grid está cheio. A largada promete ser espetacular. E na reta que vai ser o Complexo da Gávea, que tem 1.550 metros, veremos brigas de 2 carros com 3 ou 4 ultrapassagens em um segmento de pista. Jogo de vácuo o tempo todo. Vai ser muito legal esportivamente e vai entrar para a História da Stock. A categoria tem alguns marcos, como quando fomos para Portugal, Buenos Aires, a Corrida do Milhão, as corridas de dupla… Então essa vai entrar na listinha de marcos da História da Stock Car.

B.P: Quais foram e/ou são os desafios de fazer esta etapa?

Rodolpho: Como você está vendo aqui, isso é uma laje gigante. Não tem nada. Então imagina, até as coisas mais simples, como o banheiro, são desafiadoras. Não tem encanamento. “Vamos montar a sala de imprensa”. Mas não há energia elétrica. Não tem internet. Então tudo tem que ser montado para receber as pessoas, e inclusive toda a estrutura para o trabalho das equipes. Tem a questão da pista, as barreiras de segurança, as zebras [que não podem ser pregadas no chão para não violar as regras aeroportuárias. Sendo assim, as zebras seguem o padrão da Formula E, feitas de metal e fixadas com uma escola especial e removível com um solvente específico]. Todo esse conjunto foi desenhado por um escritório especializado, que é do Luis Ernesto Morales, que cuida do GP do Brasil há mais de 20 anos. E projetou também a pista do Anhembi [São Paulo Indy 300]. Tiveram 3 edições na Pista do Anhembi. Eu era assessor da Indy na época. Ele tem muito conhecimento e produziu uma pista que segundo o próprio Cacá Bueno falou que tem tudo para produzir um espetáculo muito emocionante.

Foto: Lucas Neves

B.P: E quando vocês pensaram no GP do Galeão?

Rodolpho: O GP Galeão tem uma história curiosa. O Fernando Julianelli, nosso CEO, estava com um grupo de amigos, e perguntaram: “por que você não corre no Rio?”. Ele respondeu: “Não tem autódromo. Mas queria muito correr lá”. E um deles falou: “Pô, por que você não corre no aeroporto?”. O Julianelli rebateu: “Se o aeroporto deixasse a gente corria”. E aí esse cara ajudou o Fernando a fazer contato, chegar no canal certo, para apresentar o projeto, e a partir daí começou a andar. Para a cidade do Rio foi muito legal porque a Stock Car ela injeta 30 milhões de reais na cidade. E para o RIOGaleão é muito bacana também porque pelo menos a gestão atual tem uma meta de transformar o Galeão em uma praça que ofereça outros benefícios para a população e não ser só um aeroporto. Ela está trazendo a Stock, pode trazer em outros anos. Ela tem espaço, então há condições de receber eventos dessa magnitude. Então os interesses se casaram.

Foto: Lucas Neves

B.P: Há quanto tempo vocês estão trabalhando nele?

Rodolpho: Vai fazer quase um ano. A parte mais demorada é a parte burocrática. De você conseguir mostrar para todos os participantes qual é o projeto e receber um feedback para ver que tipo de expectativa você tem que satisfazer para cada um deles. Então, por exemplo, vamos fazer em um aeroporto. Então tem mil regras aqui que são diferentes de um autódromo. Tudo o que tem aqui dentro passou por um filtro diferente, e a Aeronática e a INFRAERO tem um modelo de segurança que devemos respeitar. Todas essas etapas com o aeroporto, com a cidade, com patrocinadores, tiveram que ser vencidas antes da gente falar: “agora vamos fazer a corrida”.

 

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