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Vibrando com as mulheres no Extreme E

A Extreme E optou por um grid misto, onde mulheres e homens estiveram dividindo a condução do Odyssey 21 na Arábia Saudita

A gente que acompanha automobilismo sempre se pergunta sobre quando as mulheres vão voltar a correr na Fórmula 1?

O questionamento é sempre presente pois é uma das categorias mais antigas e que atualmente existe um grid com 20 homens, mas sem a perspectiva de quando uma mulher vai voltar a assumir um assento na categoria. Nomes acabam surgindo, mas por conta do dinheiro e dos patrocínios, sabemos que as escolhas acabam afunilando cada vez mais as oportunidades e ter uma mulher na categoria, ainda pode-se levar muito tempo para este sonho se concretizar.

Enquanto o questionamento é feito, a Extreme E surgiu com uma proposta completamente diferente… A categoria off-road elétrica preocupada com questões ambientais e que já promove pautas importantes para o mundo, também se atentou as mulheres no automobilismo e em sua essência já apostou em grid misto dando oportunidade para os dois sexos de forma igual.

Nove times compostos de homens e mulheres, a mesma quantidade de pilotos e pilotas no grid. E o termo pilota deve ser usado sim!

Cada equipe que vai competir no Extreme E, precisa ter uma equipe mista. A dupla se reveza na pista executando as mesmas funções e tem a mesma posição e responsabilidade no time.

Pódio da primeira prova da Extreme E – Foto: reprodução Extreme E

Para obter sucesso a equipe precisa estar em perfeita sincronia, se entregar e levar as suas melhores qualidades para o circuito, pois é exatamente isso que conta para a competição.

As reações

E neste fim de semana acompanhando as redes sociais, várias mulheres deram os seus depoimentos, se sentindo representadas já que estavam vendo outras mulheres competindo em uma categoria tão difícil, mas em pé de igualdade.

Algo que parece simples, mas que faz diferença tanto para nós que acompanhamos o automobilismo e somos torcedoras; mas também para a futura geração que poderá olhar para as categorias e ver uma oportunidade e pautas as escolhas do seu futuro nesta realidade de igualdade.

LEIA MAIS: Extreme E, além de uma corrida, um legado para o mundo

A Extreme E que optou por um grid misto, deu a liberdade para os times escolherem várias mulheres incríveis, campeãs e representantes de várias modalidades. Em seu grid temos vários exemplos inspiradores e juntas (ainda que travando uma disputa) temos a oportunidade de observar vários talentos de idades diferentes, mas que promovem o interesse pela categoria de várias formas.

Johan Kristofferson e Molly Taylor da equipe RXR – Foto: reprodução RXR

Para alguns pode parecer bobo a questão da representatividade. Mas nesta pauta mulheres posso dizer que me sinto mais confortável quando vejo outras mulheres jornalistas, ou pilotas competindo, pois é importante se ver inserido naquela realidade. É um incentivo para acreditar mais em você e em futuras oportunidades.

Relevante!

A graça de tudo isso, é que a categoria é superdifícil já que as provas serão disputadas nos mais diversos tipos de terrenos e climas, propostas que vão mudar a cada disputa e mudar o nível da competição. O desafio para homens e mulheres será igual, mas só será o mesmo porque deram a oportunidade de elas mostrarem ainda mais as suas habilidades.

Os homens também estão vindo dos mais diversos tipos de categoria e tem várias habilidades, está combinação dos times torna as coisas bem interessantes.

A categoria ter em sua essência a proposta de campeonato misto, mostra que ainda é necessário pensar nas mulheres para normalizar a realidade. Para que no futuro o campeonato com homens e mulheres disputando seja tão natural! É essencial neste momento também para que surjam mais vagas e que elas sejam ocupadas por mulheres capazes e que tiveram a mesma oportunidade dentro de uma escolha.

Só posso dizer que depois deste fim de semana vibrei com a entrada de cada mulher no circuito, pois me sentia entrando com elas nesta competição. Pronta para mais etapas do Extreme E. Estou esperando a transformação no automobilismo acontecer! 

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Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele despertou o meu interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Hoje gosto de tirar fotos e escrever textos!

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