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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Vallelunga

Um hipódromo transformado em circuito deu aos romanos o gostinho de receber a F1

Situado nos vales a cerca de 30 quilômetros ao norte de Roma, a história do circuito de Vallelunga começou no final dos anos 1940, quando o hipódromo na região de Campagnano passou a receber corridas de motos. 

Vendo que as corridas faziam sucesso em outros lugares, como no hipódromo Molinette, em Turim, o empresário Raniero Pesci apostou no automobilismo e em 1951, aconteceu a primeira corrida de carros em Vallelunga. 

O público adorou a novidade. Não só os dias eram recheados de corridas de todos os tipos, com pilotos conhecidos fazendo parte do grid, mas o autódromo tinha um formato que permitia que os espectadores tivessem uma vista privilegiada de toda a pista.

As corridas foram um sucesso em Vallelunga, que ainda dividia a pista com as competições de cavalos. – Foto: reprodução

O sucesso da pista foi tanto, que em 1957, foi decidido que a pista seria convertida definitivamente para o automobilismo. O piloto e engenheiro Piero Taruffi ficou encarregado de ajudar o projetista Filippo Montanari com o desenho da nova pista, que deixaria de ser oval. Além disso, a pista seria pavimentada pela primeira vez, acabando com o problema de excesso de poeira levantada pela passagem dos carros. 

O piloto e também engenheiro Piero Taruffi, ajudou a desenhar o novo traçado e o circuito acabou levando seu nome. – Foto: reprodução

Taruffi, que passou a dar nome ao autódromo, reaproveitou boa parte do traçado antigo, colocando uma sequência de curvas na parte interna da pista antiga. O novo traçado passou a ter 1,746 km e continuou a ser disputado no sentido anti-horário, como costumava ser. 

Boa parte do traçado oval do antigo hipódromo foi reaproveitado na nova pista. – Foto: reprodução

 

As obras começaram na metade de 1957 e no dia 1º de dezembro, aconteceu a primeira corrida oficial no novo circuito. A Esso 6 Horas foi vencida por Sergio Bettoja correndo com uma Alfa Romeo Giulietta SV, na categoria GT. Na categoria Sportcar, a vitória ficou com Luciano Mantovani, em um Osca. 

Luciano Mantovani na Esso 6 Horas, primeira corrida no novo traçado. – Foto: reprodução.

O circuito ainda era pequeno para os padrões da época e em 1961, a família Pesci, dona do circuito, aceitou o acordo proposto pelo município de Campagnolo para aumentar o tamanho da pista. 

Para a construção do novo traçado, que passaria a ter 3,222 km, parte da colina que circulava o circuito teve que ser demolida, com a extensão sendo construída em um terreno doado pela Universidade Agrícola de Campagnano di Roma. 

Uma extensão praticamente dobrou o tamanho do circuito. – Foto: reprodução

A inauguração oficial aconteceu no dia 7 de abril de 1963. Um pouco mais de um mês depois, no dia 19 de maio de 1963, aconteceu o GP de Roma, uma corrida não oficial da F1. 

Inauguração do novo traçado de Vallelunga, em abril de 1963. – Foto: reprodução

Realizada em duas baterias de 40 voltas, a corrida foi vencida por Bob Anderson, com a Lola, que chegou na frente nas duas baterias. Carel Godin de Beaufort e Ian Raby foram os pilotos que completaram o pódio e junto com Anderson, também foram os únicos a completarem as duas baterias. 

Carros alinhados para a largada do GP de Roma, em 1963. A corrida não era válida pelo Mundial de F1 e foi a única disputada pela categoria no circuito. – Foto: reprodução

A F1 não voltou a disputar corridas no circuito, com Vallelunga recebendo a Fórmula 2 Europeia, Fórmula 3 italiana e Fórmula 3000 Internacional nos anos seguintes.

Em 1967, Vallelunga passou para as mãos do Automobile Club of Italy (ACI), que em 1970, começou uma reforma para modernizar as instalações do circuito, construindo novas garagens, torre de controle e arquibancada. A reforma acabou atingindo o traçado, com a curva Roma sendo modificada. O resto do traçado também recebeu atualizações na segurança, com a colocação de barreiras e construção de áreas de escape. A direção da pista também mudou, passando a ser no sentido horário. 

A curva Roma acabou sendo modificada na reforma, ficando com um formato mais ovalado. – Foto: reprodução

Em outubro de 1971 as obras terminaram e o novo circuito acabou sendo aprovado pelas categorias, com a F2, F3 e F3000 continuando a disputar corridas no circuito, com a pista também servindo de local de teste para os carros esportivos da Alfa Romeo. Quanto a F1, Vallelunga teve que se contentar com algumas equipes usando sua pista para treinos, já que a categoria nunca mais disputou uma corrida no circuito.

A motovelocidade também passou a disputar corridas no renovado circuito, que por conta disso, recebeu uma chicane exclusiva para a categoria, em 1987. 

Apesar das reformas, o circuito não conseguiu atrair grandes categorias e fez mais uma alteração no traçado em 2005, adicionando uma nova parte e deixando a pista com 4,085 km de extensão. Com a mudança, o antigo traçado “Internacional”, que vinha sendo utilizado desde 1963, deixou de existir, com barreiras de proteção sendo colocadas no local. As demais instalações, como centro médico, torre de controle e boxes, também foram modernizadas, além da criação de duas dirty tracks, uma para o treino de rally e outra para uso de SUV. Outra novidade no circuito foi a instalação de um Centro de Condução Segura, que treina motoristas para enfrentarem diversas situações, com a pista da escola tendo um sistema que simula a aquaplanagem e neblina. E durante a reforma, um pedaço de um antigo caminho romano foi descoberto e os artefatos encontrados podem ser visitados no museu construído no circuito. 

Traçado depois da reforma, que deixou a pista com 4,085 km de extensão. – Foto: reprodução

Depois da reforma, as equipes de F1 continuaram a usar a pista para testes. Na motovelocidade, a World Superbike Championships correu no circuito em 2007 e 2008.

A pilota Katherine Legge testa com a Minardi em 2005. – Foto: reprodução

Vallelunga também construiu um centro de convenções, um hotel e um restaurante, diversificando suas atividades. A Kunos Simulazioni, que desenvolve o simulador de corrida Assetto Corsa, tem um escritório no circuito e incluiu a pista em seus simuladores. Atualmente o circuito recebe corridas locais, como a F4 italiana, corridas de GT e de motos, como a Moto3 e a Superbike. Além das competições, o circuito serve de base para escolas de pilotagem, que oferecem até carros de F1 para quem estiver disposto a gastar pelo menos 3.779 euros (aproximadamente 21.300 reais) pela experiência. Para quem está com o orçamento mais apertado, o circuito também oferece a chance de andar com o próprio carro ou moto por menos de mil reais.  

Vallelunga vista de cima. O traçado usado até 2005 foi fechado com uma barreira, mas pode ser facilmente revertido no futuro. O circuito acabou diversificando suas atividades e construiu um centro de convenções e escritórios no local. – Foto: reprodução

Entre 1963 e 1991, o Grande Prêmio de Roma foi disputado em Vallelunga, entre as categorias F1, Fórmula 2 Europeia, Fórmula 3 italiana e F3000. Dentre os diversos pilotos italianos que correram em Vallelunga, dez deles saíram vitoriosos, com destaque para os irmãos Ernesto e Vittorio Brambilla, que levaram 3 troféus de vencedor para casa. 

Entre os brasileiros, nove já correram na pista italiana, com quatro deles conquistando pódios. Pela F2 Europeia, Alex Ribeiro chegou em 3º em 1976, e Roberto Pupo Moreno terminou em 2º em 1984. Pela F3000, Maurício Gugelmin foi o 3º colocado em 1987 e Christian Fittipaldi terminou em 2º na corrida de 1991. Christian não foi o único da família a correr nessa pista. Emerson e Wilson Fittipaldi também participaram de algumas provas da F2, assim como Ingo Hoffmann, José Carlos Pace e Chico Serra. 

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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