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SÉRIE CIRCUITOS DA F1: Portimão

Portimão foi construído para quebrar um jejum de 24 anos sem corridas em Portugal e viu Hamilton quebrar recorde em sua pista

Pouco anos depois de receber seu primeiro carro, organizando corridas pelo país, com o automobilismo atraindo cada vez mais multidões. Não demorou muito para que o país recebesse a F1, que passou por circuitos como Boavista e Estoril. 

Depois de realizar 16 corridas da F1, Portugal ficaria de fora do calendário, com a última corrida sendo disputada em 1996 no circuito de Estoril, que sem atualizações, não tinha mais a licença para receber a categoria.

Para acabar com esse jejum, começou a se pensar em um circuito novo para trazer a categoria de volta. E foi aí que surgiu, em 2002, a ideia do Autódromo do Algarve, também conhecido como Portimão. 

O sonho, no entanto, teve que esperar, já que os organizadores não conseguiram o dinheiro necessário para tirar o circuito do papel. Três anos depois, os Ministros da Economia e do Meio-Ambiente se juntaram para apoiar o plano de construção da pista, já que as obras trariam emprego e as corridas seriam boas para o turismo da região, que fica no sul do país, a cerca de 300 km da capital Lisboa. O projeto foi aprovado e 800 acres de terra foram destinados ao novo circuito, que teria a construção e gestão feita pela empresa Parkalgar, em um contrato de 10 anos.

O projeto ficou por conta do arquiteto Ricardo Pina, que criou um traçado que se adequava aos padrões tanto da FIM quanto da FIA. A diferença para os demais circuitos é a elevação da pista, maior do que a maioria das pistas construídas recentemente. As obras começaram em 2007 e sete meses depois, a pista ficou pronta. O projeto inicial ainda incluía uma pista de kart, um parque tecnológico, um hotel resort, um complexo esportivo e apartamentos, com a estimativa das demais partes ficarem prontas até 2014.

Vista aérea do circuito de Portimão. – Foto: reprodução

Logo após ser concluído, o circuito recebeu a certificação da FIM e alguns meses depois, recebeu uma etapa da World Superbike. A corrida contaria com uma equipe da própria Parkalgar, criada para promover o circuito. Mas infelizmente, o piloto da equipe, Craig Jones, faleceu durante um acidente em Brands Hatch três meses antes da corrida em Portugal. No ano seguinte, o piloto foi homenageado com uma estátua e passou a dar nome a uma das curvas.  

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Estátua erguida em homenagem ao piloto Craig Jones, que faria parte da equipe do circuito, mas faleceu meses antes da estreia. – Foto: reprodução

Em seguida, o circuito recebeu a certificação da FIA e abrigou testes de inverno da F1, em janeiro de 2009, recebendo elogios dos pilotos. O traçado principal é constituído por 68% de retas, com a principal tendo 969m de comprimento, além de 15 curvas.

Lewis Hamilton testa sua McLaren no recém inaugurado Autódromo de Algarve, em janeiro de 2009, com a VIP Tower ao fundo. – Foto: reprodução

Em setembro de 2009, o circuito recebeu a etapa de encerramento da temporada da GP2, com planos de receber a categoria também no ano seguinte. Mas os organizadores não cumpriram com suas obrigações contratuais e a corrida de 2010 foi cancelada.  

Várias categorias passaram a usar o circuito em seus calendários, que possui 32 possibilidades de configuração. Além da World Superbikes, Portimão abrigou etapas da Le Mans Series, FIA GT, A1GP e WTCC. Apesar do calendário cheio, a situação financeira não era boa, com as dívidas se acumulando, inclusive com a própria FIA. Com isso, as obras do restante do complexo, como o hotel e os apartamentos foram paralisadas. Em setembro de 2013, a Portugal Capital, que pertence ao governo, assumiu o controle do circuito. Com isso, as obras puderam continuar, com um hotel resort finalmente ficando pronto. Um dos destaques da pista, é a VIP Tower, que abriga 48 boxes executivos e tem uma arquibancada exclusiva para 150 pessoas.

Vista da VIP Tower, que conta com arquibancada exclusiva. – Foto: reprodução

Com a nova administração, as principais categorias continuaram a competir no circuito, que ainda mantinha sua qualificação Grade 1 pela FIA. O circuito ficou novamente em destaque em 2016, quando o autódromo fez parte da série da Amazon “The Grand Tour”, com uma competição entre os carros esportivos da McLaren, Porsche e Ferrari. Enquanto a F1 não vinha, os organizadores passaram a cortejar a Motovelocidade em 2017. Mas o máximo que o circuito conseguiu foi ficar de reserva, caso algum circuito tivesse problema e não conseguisse receber a corrida. 

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Traçado de Portimão, com 4,653 km de extensão, longas retas e 15 curvas, com várias alterações de elevação. – Foto: reprodução

Depois de três anos de espera, a epidemia do Coronavírus trouxe a oportunidade que Portimão vinha esperando. Com muitos países tendo suas corridas canceladas devido a restrições de viagens, a FIA buscava substitutos na Europa e Portimão recebeu a luz verde para receber sua primeira corrida na categoria, precisando fazer alguns ajustes antes de receber a F1, como a mudança do asfalto e da sinalização. Logo depois, a MotoGP também fechou um acordo para correr no circuito, em substituição às corridas canceladas.

Dos pilotos do grid atual, alguns pilotos já tinham andado no circuito antes da F1 desembarcar por lá. Em 2009, Lewis Hamilton participou dos testes de inverno, Daniel Ricciardo disputou uma corrida da F3 britânica Internacional e Sergio Pérez correu pela GP2. Charles Leclerc, George Russell, Lance Stroll, Antonio Giovinazzi e Alex Albon correram em Portimão pela Formula 3 Europeia em 2015 e em 2017, Lando Norris fez um teste com uma McLaren de 2011, como parte do prêmio por ter vencido o McLaren Autosport Award BRDC no ano anterior. 

George Russell, Charles Leclerc e Alex Albon foram alguns dos pilotos que já correram em Portimão antes da F1 realizar sua primeira corrida no circuito. – Foto: reprodução

No dia 25 de outubro de 2020, a F1 disputou sua primeira corrida no circuito, que teve a pole e a 92ª vitória de Lewis Hamilton, passando a ser o piloto que mais vezes subiu no degrau mais alto do pódio na F1, desempatando com Michael Schumacher, que tem 91. Valtteri Bottas e Max Verstappen completaram o pódio. 

Com a vitória, Lewis Hamilton se tornou o piloto com mais triunfos na F1. – Foto: reprodução
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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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