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Saindo do zero

Como um 9º lugar levou George Russell às lágrimas

George Russell dava entrevista para a repórter Mariana Becker após a corrida, num rito corriqueiro que acontece inúmeras vezes durante os finais de semana de corrida. Mas aquele não era um fim de semana qualquer. Depois de amargar temporadas magras, sofrendo para marcar um mísero ponto, a equipe Williams colocou seus dois carros na zona de pontuação. 

No final da entrevista, ao ser perguntado se sentia alívio por finalmente marcar seus primeiros pontos com a equipe inglesa, Russell teve que segurar a emoção. Vendo que o piloto não conseguia responder, Mariana o liberou. O problema é que já tinha outro repórter esperando e George não conseguiu mais se segurar. “Eu estou sem palavras. P9’’, dizia o piloto entre lágrimas. “Significa muito mais do que só marcar pontos. Quando você está lutando por isso por tanto tempo, chega um ponto que você pensa: será que vai acontecer um dia?’’, completou mais tarde em entrevista para o programa pós-corrida da F1, ainda visivelmente emocionado com o resultado.

A Williams é uma das mais tradicionais equipes da F1. Em seus mais de 40 anos de existência, a equipe conquistou nove títulos de Construtores e mais sete de Pilotos. Depois do título de Jacques Villeneuve em 1997, a equipe não venceu mais nenhum campeonato, mas também não ficou muito longe do topo na maioria dos anos. Houve alguns pontos baixos, porém a equipe voltou a se reerguer a partir de 2014. Só que os pontos voltaram a ficar escassos e a equipe foi de 5ª melhor equipe no grid em 2017 para a lanterna no ano seguinte, conquistando apenas sete pontos. 

Campeão da GP3 e da F2, George Russell chegou na F1 em 2019 com status de vencedor. Só que pegou a Williams em uma de suas piores fases. Ansioso para marcar seus primeiros pontos na categoria e também ajudar a equipe a se recuperar, o piloto britânico bateu na trave em sua temporada de estreia. Na etapa alemã, quando apenas treze carros terminaram a corrida, mesmo com dois pilotos sendo punidos com o acréscimo de 30s, George só conseguiu terminar em 11º, com seu companheiro de equipe, Robert Kubica, chegando em 10º e marcando o único ponto da Williams no campeonato. 

Ainda trabalhando duro, Russell chegou perto no GP da Toscana em 2020, quando dos doze pilotos que cruzaram a linha de chegada, ele foi o 11º. Na etapa da Emilia Romagna, Russell andava em 10º quando perdeu o controle do carro e bateu quando a corrida estava sob safety car.

Os primeiros pontos vieram em Sakhir, mas não pela Williams. Substituindo Lewis Hamilton na Mercedes por uma corrida, apesar de enfrentar vários problemas durante a corrida, Russell conseguiu chegar em nono e levou para casa 3 pontos, dois pela posição e mais um pela volta mais rápida. Já a Williams terminou 2020 zerada, já que Nicholas Latifi também não conseguiu pontuar e a equipe ainda enfrentou uma troca de gestão, que viu a família Williams, dona e fundadora da equipe, vender tudo e se retirar do esporte. O nome foi mantido, pela tradição da equipe dentro do automobilismo. Agora só faltava recuperar as glórias. 

VÍDEO: A Despedida Emocional da Williams

Chegando em 2021, logo na segunda etapa, na Emilia-Romagna, Russell andava em 10º quando tentou ultrapassar Bottas. Os dois acabaram colidindo e saindo da corrida, acabando com a chance do britânico de quebrar o jejum da Williams. Na Estíria, mais uma chance que não se concretizou, com o piloto tendo que abandonar a corrida com problemas mecânicos quando estava em 8º.

Na Áustria, uma nova decepção. Depois de conseguir se manter na zona de pontuação por boa parte da corrida, Russell foi ultrapassado por Fernando Alonso a poucas voltas do fim e novamente terminou em 11º. O próprio piloto espanhol declarou que ficou triste em negar o tão sonhado ponto da Williams. 

Na corrida seguinte, com um novo formato sendo testado, o britânico conseguiu chegar no Q3, mas na Sprint Qualifying, que definiria o grid de largada, Russell foi punido por provocar uma batida e acabou largando fora do top 10, não se recuperando durante a corrida. 

A redenção veio na Hungria. Depois de um acidente que tirou seis pilotos da disputa logo na primeira curva e que ainda danificou vários carros, essa é a hora de se destacar. No começo da corrida, foi Latifi quem ficou na frente, o que levou George a pedir que a equipe priorizasse o companheiro se fosse preciso, mesmo que isso significasse comprometer sua própria corrida. Valia tudo pelos primeiros pontos da Williams.

E eles finalmente vieram! E em dose dupla. Latifi terminou em 8º e Russel logo atrás, em 9º. “Foi um dia emotivo. Falando sério, isso foi mais do que apenas o resultado. Pode não parecer muito à primeira vista, mas muito trabalho foi colocado nisso. Durante todos os momentos difíceis e todos os quases, nós nunca paramos de acreditar. Estou orgulhoso dessa equipe. Todos os dias”, escreveu Russell nas redes sociais.

Com a desclassificação de Vettel (a equipe irá recorrer, mas a desclassificação se mantém até lá), os dois pilotos herdaram uma posição e a Williams agora subiu para a 8ª colocação no campeonato, com 10 pontos. 

Agora só resta a equipe voltar aos tempos de glória. Os primeiros passos já foram dados.

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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