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Renault de 1982! Como perder um título

1982, uma das temporadas mais equilibradas, tumultuadas e acidentadas da Fórmula 1. Muito se fala que neste ano o título de pilotos deveria ter sido de um dos pilotos da Ferrari: Gilles Villeneuve ou Didier Pironi. É verdade que a Ferrari tinha um carro muito rápido, mas a Renault naquela temporada também tinha um belo carro que poderia sim ter conduzido os franceses Alain Prost ou Rene Arnoux à gloria.

Para se ter uma ideia de como o carro francês era rápido:

Em dezesseis GPs foram dez poles, em seis oportunidades os carros franceses dominaram toda a primeira fila. Em apenas quatro vezes nenhum carro da Renault esteve na primeira fila; tal rapidez nos treinos classificatórios não se traduziu em vitorias, foram quatro, sendo que primeiro foi herdada por desclassificação dos adversários.

Na maioria das provas os carros amarelos largavam na frente e lideravam até quebrar ou bater: Rene Arnoux iniciou o ano com um podium em Kyalami e só voltou a pontuar no GP da França, décima primeira etapa do ano. Neste intervalo: quebrou no Brasil, foi obliterado por Bruno Giacomelli em Long Beach, em Imola após uma intensa disputa com as Ferraris nova quebra, Zolder, Mônaco, Detroit e Montreal quebras mecânicas, Zandvoort batida forte na curva Tarzan, Brands Hatch obliterou Patrese que havia ficado parado na largada, a zica finalmente terminou em Paul Ricard onde venceu sem dificuldades, mas selou sua saída da equipe por não ter cedido a posição para Prost que estava melhor no campeonato; em Hockenheim um segundo lugar, Osterreichring e Dijon novas quebras, voltando a vencer em Monza e fechando com nova quebra em Las Vegas.

O caso de Prost é mais dramático: perdeu três vitórias nas últimas voltas, Mônaco (bateu), Áustria (quebrou) e Dijon quando perdeu a ponta para Keke Rosberg a duas voltas da bandeirada. Foram vinte pontos perdidos que impediram o titulo de Prost e da Renault.

Algumas efemérides deste ano conturbado:

– Onze pilotos venceram: Prost, Arnoux, Piquet, Pironi, Lauda e Watson, sendo que 5 venceram pela primeira vez: Patrese, Tambay, De Angelis, Rosberg e Alboreto;

– 7 equipes venceram: Renault, McLaren, Ferrari, Brabham, Lotus, Williams e Tyrrell;

– Nelson Piquet não conseguiu classificar a Brabham para o grid de largada em Detroit e terminou o campeonato com menos pontos que seu companheiro Riccardo Patrese;

– Antes de contratar Mario Andretti para substituir Didier Pironi a Scuderia tentou Alan Jones que pediu muito $ e Carlos Reutemann que não aceitou o convite para substituir o francês nas provas finais;

– Mario Andretti pilotou para a Williams em Long Beach no lugar de Carlos Reutemann, a partir de Zolder a vaga foi ocupada por Derek Daly;

– Prost, Arnoux, Alboreto, De Cesaris e Giacomelli foram alguns dos poucos que disputaram as dezesseis provas do ano;

– Didier Pironi foi vice mesmo ficando ausente em seis etapas (quase metade do campeonato);

– Foi o último título dos motores aspirados apesar do favoritismo dos turbos, dai até o final da era turbo em 1988 os aspirados venceram apenas três provas;

– Claro que não poderíamos deixar de mencionar os sopapos que Nelson Piquet deu em Eliseo Salazar após ser obliterado em Hockenheim quando liderava.

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A França teria que aguardar até 1985 para ter um piloto campeão, já a Renault teve que aguardar 1992 para ver seu motor levantar o título e até 2005 para que finalmente sua equipe fosse campeã.

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Cristiano Seixas

Fã hardcore de Fórmula 1, apreciador da história, números e estatísticas da categoria, mais conhecido como Mestre Cristiano Seixas, Wikipédia erra o Cristiano não.

10 Comentários

  1. Alain Prost disse uma vez, numa revista francesa, que a maior parte das quebras tinha a ver com o turbo. Naquele ano, decidiram fazer “em casa” em vez de ir buscar os britânicos, mais fiáveis. E quebravam “por uma peça que custava 30 francos”, como disse ele.

    Eles não fizeram a substituição um pouco por orgulho: queriam fazer um carro cem por cento francês. Foi isso que lhes custou o título em 82.

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