11 de Janeiro de 1923, Shelby, Piloto e Construtor – Dia 235 dos 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo

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“Next year, Ferrari’s ass is mine!” –Carroll Shelby after losing to Ferrari in ’64, and in ’65 it would be just as Shelby predicted. Don’t mess with Texas, baby. Fonte: selvedgeyard.com

Alguns nascem com o dom para a pilotagem, sendo capazes de extrair cada milésimo de performances de seus bólidos e encontrar aderência onde ninguém mais consegue. Outros tem a habilidade inquestionável de construir as máquinas, alcançando novos níveis de eficiência e encontrando soluções aerodinâmicas inovadoras. 95 anos atrás, nascia um americano que combinaria os dois talentos e marcaria a história do automobilismo mundial.

Carroll Shelby Fonte: airportjournals.com

Carroll Hall Shelby nasceu em Leesburg, Texas no dia 11 de Janeiro de 1923. Ainda aos 7 anos, passou a sofrer com um vazamento em uma das válvulas de seu coração, sendo forçado a ficar boa parte de sua infância na cama. Após anos batalhando essa condição, Shelby foi liberado pelos médicos, mas ainda sofreria consequências desse problema durante toda sua vida. Sua família não tinha tradição alguma no mundo do automobilismo, entretanto, seu pai plantou a semente da velocidade logo cedo ao levar seu filho adolescente para competições de carro e motocross. Ainda no ensino médio, Carroll começou a aprender sobre motores de combustão interna ao desmontar e resconstruir karts sistematicamente.

Shelby em uma Ferrari Fonte: ShelbyAutos.com

O jovem americano tinha apenas 16 anos quando a Segunda Guerra Mundial teve início. Shelby se alistou como piloto de patrulha ainda em Novembro de 1941. O piloto não participou do conflito nos seus quatro anos de serviço, mas aproveitou a aeronave para jogar uma carta de amor no quintal de sua amada, Jeanne Fields. Os dois se casariam em 1943 e sua primeira filha nasceria no ano seguinte. Ao retornar das forças armadas, Carroll tentou engrenar um negócio na área de caminhões de entulho, mas a ideia logo falhou. O americano partiu então para a criação de galinhas, que foi bem sucedida no começo, mas seu segundo grupo morreu devido á uma grave doença e o acontecimento trágico o levou a falência. Em 1952, Shelby enfim pilotou um carro de corrida ao participar de uma corrida de arrancada. A realização de um sonho e o começo de uma linda história no automobilismo.

Bruce McLaren a bordo de um carro preparado por Shelby para a Indy 500 de 1968 Fonte: Indy
Bruce Mclaren e Carroll Shelby Fonte: Pinterest

Apresentando um talento fora do comum para corridas de rua em detrimento de ovais e arrancadas, Shelby foi levado para a sua primeira competição pelo seu amigo, Ed Wilkins. Pilotando um MG TC, o americano venceu uma corrida contra carros da mesma categoria com facilidade e no mesmo dia voltou a terminar em primeiro, só que dessa vez contra Jaguares com o dobro da cavalagem. Em 1954, buscando atingir a mídia americana, a Aston Martin convidou Carroll para ser um dos pilotos de seu DB3 em Sebring. Shelby levou o bólido para uma respeitável segunda posição e foi levado pela montadora para as 24h de Le Mans daquele ano, mas o piloto seria forçado a abandonar a prova.

Duas grandes lendas automotivas americanas – Carroll Shelby e o emblemático Ford GT40. Originalmente rotulado GT, o 40′ foi adicionado devido à sua posição incrivelmente baixa de 40 polegadas Fonte: selvedgeyard.com

No ano seguinte, o piloto estava enfrentando múltiplas cirurgias para reparar um de seus braços após um grave acidente automobilístico. Ainda sim, Carroll pediu para sua equipe amarrar sua mão no volante de um Monza Ferrari para participar de uma corrida em Sebring novamente. Ao lado de Phil Hill, o americano conquistou uma incrível segunda colocação mesmo com suas contusões. Uma vitória em Torrey Pines meses depois foi o suficiente para atrair a atenção de Tony Pavarano, um entusiasta com um estábulo cheio de Maseratis e Ferraris. O sucesso da parceira foi tamanho nos Estados Unidos que Tony decidiu enviar Shelby e seus carros para competições na Europa. Carroll dominou competições americanas e europeias nos anos seguintes, chegando a ser convidado pela Porsche em algumas etapas e a receber o prêmio de “piloto do ano” da Sports Illustrated em 1956 e 1957.

13 de junho de 1969, o carro vencedor das 24 hs de Le Mans e os pilotos Jacky Ickx e Jackie Oliver, a parceria entre a Ford e Shelby rendeu os títulos nas edições de 1966 a 1969. Fonte: Schlegelmilch/Corbis

Carroll permaneceu na Europa nos dois anos seguintes, atingindo seu auge em 1959, ao conquistar uma vitória nas 24h de Le Mans, dividindo um Aston Martin DBR1/300 com Roy Salvadori. Ainda no mesmo ano, o lado construtor de Shelby deu seus primeiros sinais de vida. Em parceira com Jim Hall e e Gary Laughlin, o americano comprou três chassis de Corvette. Os chassis foram então enviados para uma modificadora italiana e os protótipos que retornaram foram levados para a GM, que adorou a ideia de patrocinar a participação dos chassis em corridas, mas uma regra contra esse tipo de investimento já havia sido estabelecida. No ano seguinte, o americano foi forçado a se aposentar das pistas por conta de seus problemas no coração, entretanto, sua história no automobilismo estava longe de acabar.

Carroll Hall Shelby Fonte: Tumblr

Longe dos volantes, Shelby decidiu abrir uma academia para jovens pilotos em 1961. A empreitada não foi suficiente para saciar a apetite do americano, que logo entrou em contato com a Aston Martin para propor a criação de um protótipo para corridas. A montadora, que enfrentava uma má fase financeira, negou a proposta. Todavia, Carroll foi perseverante, e após algumas negociações foi capaz de unir carrocerias de AC Ace com motores V8 da Ford, fazendo nascer assim o primeiro AC Cobra. Em Março de 1962, a Shelby-American abriu as portas em Los Angeles, instantaneamente recebendo diversos pedidos. Ainda em Agosto do mesmo ano, a recém-criada montadora também recebeu permissão da FIA para participar do Campeonato Mundial de Construtoras. Apesar do começo atribulado, o americano protagonizaria uma batalha ferrenha com a Ferrari nas décadas seguintes, que inclusive viraria documentário em 2002, The Cobra and the Stallion.

Equipe Cobra Fonte: Tumblr

A batalha contra seus problemas cardíacos seria eventualmente perdida em 2012, mas seu legado ficará eternamente marcado na história do automobilismo mundial. Sua coragem e persistência foram fatores essenciais para seu sucesso, certamente mais do que merecido, e seu dom no volante e na construção de bólidos com certeza ainda servirá de inspiração nas próximas décadas.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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