O GP do Japão fica conhecido como palco onde Max Verstappen conquistou o seu segundo título. Foi uma temporada dominante do holandês e a prova disputada em Suzuka serve como um recorte do seu ano.
Max foi consagrado campeão depois que Charles Leclerc cometeu um erro na disputa com Sergio Pérez e foi punido. Tivemos um ano bem conturbado para a Ferrari, mesmo com o time começando a temporada como líder, foram sucessivos erros que levaram a equipe italiana a perder os dois títulos nesta temporada.
Com mais quatro corridas pela frente, Max ainda pode colecionar mais algumas poles e vitórias, como a do Japão onde o holandês fez mais uma vez uma prova de habilidade e domínio. Porém, que fica um pouco apagada, principalmente quando fatores que estão além do seu domínio acontecem pelo esporte.
Mesmo com a Red Bull envolvida em mais uma polêmica, agora relacionada ao teto orçamentário, tivemos um ano muito forte de atuação por parte de Verstappen que obteve a sua 12ª vitória do ano no Japão.
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A temporada não foi como a do ano passado, disputada ponto por ponto, porém, ainda existem várias controvérsias que acabam por levantar alguns questionamentos. Como o poder e força política que a Red Bull assumiu e o quanto a sua influência impede em alguns momentos a aplicação de punições aos seus pilotos de forma condizente.
E para completar, na última segunda-feira a FIA confirmou que a Red Bull ultrapassou o teto orçamentário de 2021. A penalidade para o time ainda não foi aplicada, mas os outros times aguardam a divulgação para tomar as suas medidas, podendo tornar essa briga de cabo de guerra mais intensa até o final do ano.
Charles Leclerc estava em uma disputa particular com Sergio Pérez quando o final da corrida se aproximou. O mexicano estava buscando um erro do seu adversário para realizar a ultrapassagem. No final da prova Leclerc cortou a chicane e pouco depois foi punido, recebendo cinco segundos de punição – com o resultado, Max Verstappen pode comemorar o título no Japão.
Quando falamos de um retrato da temporada, o GP do Japão foi um compilado de coisas que vimos ao longo da temporada. Uma Red Bull que cresceu muito e se tornou uma equipe dominante, uma Ferrari pautada pelos seus erros e problemas (como o do desgaste dos pneus), mas também um time italiano que perdeu o seu pulso firme e parte de sua influência.
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Além disso, uma corrida que novamente a direção de prova ganha uma dose de protagonismo, especialmente na questão dos tratores (no início da prova) e na aplicação da punição de Charles Leclerc. Ainda é importante dizer que mais um resquício do ano passado paira no ar, como a redação de uma regra para a distribuição de pontos que não foi feita de forma correta e permitiu que uma corrida que não foi disputada em sua totalidade, contemplasse os dez pilotos do grid com uma pontuação completa.
A cada novo GP falhas são escancaradas e acabam roubando a cena das discussões, quando o Campeão da temporada poderia facilmente ganhar um pouco mais destaque, mas as contestações novamente tomam o palco. É interessante ver como pontas soltas do campeonato se tornam muito mais importante até mesmo do que o desempenho apresentado por aquele piloto que apresentou a melhor performance.
Existe uma demanda para ontem: a necessidade de uma revisão das regras, pois por mais que o regulamento tente prever a maioria das coisas, são os erros constantes que tem chamado a atenção. E ainda é necessário cobrar bom senso dos seus gestores e que eles saibam lidar de uma forma melhor com a categoria.
Outros pontos

Fernando Alonso e Sebastian Vettel ainda fornecem os seus shows particulares ao público. A imagem do fim de semana certamente foi a tentativa de ultrapassagem do espanhol no alemão ao final da prova. Sim, a manobra também tem relação com a confusão que aconteceu ao final da corrida – quando ninguém sabia direito em qual momento a prova seria finalizada, mas Alonso tentou aproveitar para ganhar a posição de Vettel na linha de chegada. O feito não deu certo, pois Vettel terminou à frente, porém é um daqueles momentos que a categoria deve eternizar.
Esses dois pilotos protagonizaram boas disputas neste ano quando tiveram a oportunidade de se encontrar pela pista. Agora que a temporada está se aproximando do final, vamos entrando naquele clima de saudade, principalmente por saber que Vettel não estará nas pistas no próximo ano, ainda tentando travar boas disputas.
O alemão ficou emocionado por correr mais uma vez em Suzuka, um dos seus circuitos favoritos e cheio de boas memorias. Vettel fez uma ótima largada, no começo da prova se encontrou com Fernando Alonso, mas um toque aconteceu entre os pilotos, onde o alemão rodou. O mais importante foi a Aston Martin realizar uma prova de recuperação, principalmente após Vettel ter feito uma boa classificação, para ter a oportunidade de disputar desta forma no domingo.
Seb goes spinning off at the start! 😮
Catch up with the most dramatic onboard action at Suzuka 🇯🇵#JapaneseGP #F1
— Formula 1 (@F1) October 11, 2022
A Alpine apesentou uma evolução e com o resultado do GP do Japão, onde Esteban Ocon conseguiu um quarto lugar e Fernando Alonso foi o sétimo colocado, o time volta a ultrapassar a McLaren no Campeonato de Construtores, para então ocupar o quarto lugar. O resultado em bem-vindo, principalmente após o abandono duplo que aconteceu no GP de Cingapura.
Fora da Curva
Ocon que em algumas vezes tem seus protagonismos, brigou foi Lewis Hamilton pela quarta posição e passou a prova se defendendo dos ataques do piloto britânico. Com o carro difícil que a Mercedes construiu, Hamilton não encontrou uma brecha para ultrapassar o francês, sem a ativação do DRS os carros se tornaram muito parelhos e precisou se contentar com o quinto lugar.
Agora falando um pouco sobre outro destaque da corrida, foi a conquista dos primeiros pontos da temporada por Nicholas Latifi. O piloto usou de uma boa estratégia e da pista molhada para avançar no pelotão e terminar a prova ocupando o nono lugar. O piloto da Williams tinha começado o fim de semana errando a entrada dos boxes, mas conseguiu aproveitar a oportunidade, o que é curioso para um piloto que sempre reclama do desempenho de seu carro e das dificuldades que enfrenta ao longo do fim de semana.

A Haas tentou algo diferente para obter pontos, o time não realizou a parada de Mick Schumacher acompanhando a decisão dos outros competidores. O piloto alemão liderou a corrida brevemente, mas foi rapidamente escalado, se tornando algo até mesmo um pouco perigoso pela condição que a pista estava, pois em seu carro ele ainda contava com os pneus de chuva extrema, enquanto os outros competidores apostavam nos pneus intermediários.
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