GP do Brasil de 2001, a Corrida Maluca – Dia 315 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo.

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Contar a história do Grande Prêmio do Brasil de 2001, que aconteceu em um 1º de abril, é correr o risco de ser chamado de mentiroso.

Mas a verdade é que esse GP, o de número 30 em terras brasilis, foi um dos mais movimentados de todos que já aconteceram por aqui. O que é bastante interessante, já que o início foi marcado pela falta de movimento. Para começar, da Ferrari de Barrichello, que teve que usar o carro reserva – naquela época o pessoal estava com a grana, não só podiam usar quantos motores quisessem, como até carro extra a turma levava.

Barrichello em velocidade máxima rumo aos boxes. Fonte: PF1BR

Barrica largava em sexto lugar, ao lado de Coulthard. A primeira fila era dos filhos do seu Rolf Schumacher, por ordem de idade. E, na segunda, Häkkinen e um Montoya no seu primeiro ano de F1.

A McLaren do finlandês, equipada com motor Mercedes, fez cosplay de McLaren Honda dos anos 10. Simplesmente não se mexeu (segunda imobilidade da corrida), e ficou lá como um paredão para a galera que largava do lado mais próximo à torcida. Incrível como não foi obliterada por ninguém.

Fonte: YouTube

Com a jabiraca estacionada no meio da reta dos boxes, o SC foi arrebanhar a galera. Mas foi jogo rápido. Já na segunda volta a corrida foi reiniciada, e quem resolveu levantar prá pegar outra cerveja enquanto o SC estava na pista se arrependeu.

Potencial grande de VDM. Fonte: GP Expert

Montoya, que tinha passado Ralf, simplesmente mergulhou por dentro da primeira curva do S do Senna, batendo Roda com Roda com o então campeão e ganhando a ponta. Meia volta depois, Barrichello deve ter visto o Thiago Raposo no setor G, porque esqueceu de frear na placa de 50m e encheu a traseira do baby Schumi, abandonando. Ralf ainda se arrastou até os boxes, demorou um tempo para trocar a asa traseira, fez a melhor volta da corrida e acabou abandonando em uma rodada.

A Williams do gordito venezuelano estava entubando todo mundo. Juan Pablo tinha mais de 30 segundos de vantagem para o alemão, e parecia que iria ganhar seu primeiro GP logo na terceira corrida mas, também no final da reta oposta, ao ultrapassar o retardatário Jos “pai do Max” Verstappen, se deu mal. Montoya já tinha colocado o carro à frente da Arrows do holandês quando esse incorporou Rubens, errou o pedal da esquerda e só parou quando acertou o carro do líder. “The dream is over”, diria John Lennon. “Hijo de una puta”, deve ter dito Montoya.

Schumacher, com uma estratégia de duas paradas (já tinha feito uma), assumiu a liderança. Coulthard já tinha parado, enchido o tanque, trocado o óleo e comprado um energético e iria até o fim da corrida. Aí começou a chover. Daquelas chuvas que vem da represa, sabem?

A pista virou um rio, obrigando o escocês a parar novamente para trocar pneus. A Ferrari estava tranquila, com um piloto bom com pouco combustível e outra parada programada. Vitória fácil de Schumacher, você pode pensar.

Pois pensou errado!!! O carro do alemão não estava rendendo nada, ele vinha brigando com um understeer a corrida inteira, e logo na saída do pitlane deu a entender que tinha colocado supercondutores nos pneus. Como se estivesse no vácuo completo, viu o mundo girar sem poder fazer nada. Rodada que permitiu a McLaren de Coulthard chegar perto e preparar o bote.

Uma das mais belas manobras da F1 no terceiro milênio. Fonte: Pinterest

E que bote! Na reta dos boxes Schumi botou o carro à esquerda do Tarso Marques, que estava tomando volta, e DC simplesmente fez uma das manobras mais épicas de sua carreira. Colocando por fora da primeira curva do S, exatamente como Montoya tinha feito, ultrapassou os dois e correu para a bandeirada.

Schumacher teve que se contentar com o segundo lugar, e Nick Heidfeld, que largou com sua Sauber em nono e não fez nada de interessante para aparecer antes nesta história, conquistou seu primeiro pódio.

Um daqueles GPs para se rever, com certeza absoluta.

FORA DAS PISTAS

Nasceram no dia da mentira o japonês Toshiro Mifune, ator de confiança de Kurosawa, o goleiro húngaro Puskás, um dos melhores do mundo nessa posição ingrata, Jimmy Cliff que é da Jamaica mas fez tantos shows aqui em Curitiba na década de 90 que deve ter alugado um apartamento por aqui e Moreira da Silva, o Kid Morengueira, um dos três malandros do samba.

E foi também nesta data que o planeta perdeu um pouco de swing. Em 1º de abril de 1984, um dia antes de completar 45 anos, Marvin Pentz Gay Jr., ou Marvin Gaye, foi assassinado por seu pai em Los Angeles. Gaye foi um pioneiro da soul music, com clássicos como Sexual Healing, Ain’t no Mountain HIgh Enough (que está na trilha sonora de Guardiões da Galáxia), Heard It Through The Grapevine (que teve covers espetaculares do Creedence e da Marisa Monte) e, é claro, a música que é considerada um hino ao sexo: Let’s Get It On.

Carlos Eduardo Valesi

Médico, marido, pai, atleticano, roqueiro, podcaster, jogador de poker e fã de F1. Nem sempre nessa ordem.. Nosso membro Ferrarista é frequentador assíduo do autódromo de Interlagos e para ele, Schumacher foi o maior de todos. Também baseado em Curitiba, é o comandante do notório podcast Edição Rápida, de literatura. Esta é sua conta no Twitter, notoriamente bloqueada por Barrichello, o que não chega a ser uma surpresa para quem ouve o programa.

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