A Fórmula 1 encerra sua sequência de três etapas iniciada em Baku com o GP de Singapura, que também marcará a última prova Sprint da temporada 2026. Para o fim de semana no circuito de Marina Bay, a Pirelli optou por repetir a seleção de pneus utilizada há um ano, dessa forma a escolha é pela gama mais macia, formada pelo: C3 (duro – faixa branca), C4 (médio – faixa amarela) e C5 (macio – faixa vermelha).
A escolha coloca novamente os três compostos mais macios da gama à disposição das equipes. Embora os pneus duros e médios continuem sendo considerados as principais referências para a corrida, a Pirelli avalia que o C5 pode ganhar espaço neste ano, especialmente diante do comportamento dos carros da atual geração e do formato Sprint.
Com 4.940 km, o circuito de Marina Bay mantém as características tradicionais de um circuito de rua, com barreiras próximas da pista e poucas oportunidades para ultrapassagens. Se classificar bem é de extrema importância nesse traçado.
As alterações realizadas no terceiro setor em 2023, porém, modificaram parte do comportamento do traçado. O setor passou a contar com trechos mais rápidos, tornando a volta mais fluida e veloz.
Mesmo assim, a pista continua exigindo bastante dos pilotos nos trechos de frenagem e tração. São 19 curvas, enquanto as retas e os pontos de desaceleração também oferecem oportunidades para recuperação de energia pelos carros.

Outro aspecto importante será a evolução do asfalto durante o fim de semana. Marina Bay apresenta um nível de rugosidade considerado médio a alto para um circuito de rua, tanto em macrorrugosidade quanto em microrrugosidade.
Como não houve recapeamento desde a última temporada, a expectativa é de que as características do asfalto permaneçam semelhantes às de 2025, ou até apresentem níveis de rugosidade ligeiramente maiores.
A aderência, no entanto, tende a mudar significativamente entre as sessões. As chuvas intermitentes típicas do clima equatorial podem alterar as condições do circuito e fazer com que cada atividade apresente um cenário diferente.
A corrida em Singapura é realizada à noite, com temperaturas de pista previstas entre 30°C e 35°C. Segundo a Pirelli, essas condições devem permitir que os pneus trabalhem dentro de sua janela ideal de funcionamento.
Por isso, o superaquecimento não aparece como uma das principais preocupações para o fim de semana.
O estresse mecânico também não é considerado particularmente elevado. A principal fonte de degradação deve estar relacionada à perda de desempenho do eixo traseiro durante as fases de tração, enquanto granulação e desgaste não são esperados como fatores determinantes para a estratégia.
Diante dessas características, a estratégia de uma parada continua sendo apontada como a principal opção para a corrida de domingo.
O tempo perdido nos boxes e a possibilidade frequente de períodos de neutralização também pesam nessa escolha, já que uma segunda parada precisa oferecer um ganho significativo de desempenho para compensar o tempo cedido no pit-lane.
Os pneus C3 e C4 devem novamente ter papel importante na prova, mas existe uma diferença em relação ao cenário tradicional de Singapura: o C5 pode aparecer com mais frequência. A expectativa da Pirelli é sustentada pelo comportamento apresentado pelo composto mais macio em etapas como Budapeste, Monza e Baku. Nessas provas, o pneu demonstrou capacidade de manter um ritmo competitivo mesmo com degradação limitada, além de oferecer maior aderência e confiança aos pilotos.
Em um circuito como Marina Bay, onde a evolução do asfalto ao longo do fim de semana é relevante, essas características podem ganhar ainda mais importância.
Com duas corridas e duas sessões de classificação no fim de semana, as equipes precisam administrar seus conjuntos disponíveis de maneira diferente de uma etapa convencional. Nesse cenário, a Pirelli não descarta que o C5 seja utilizado de maneira mais ampla, inclusive durante a Sprint de sábado.
Os carros da geração atual também parecem lidar melhor com os compostos mais macios. A combinação entre carga aerodinâmica, gerenciamento térmico mais eficiente e as características dos compostos atuais permite que os pneus da faixa mais macia sejam utilizados durante períodos mais longos sem perder competitividade.
Por isso, Singapura pode oferecer um cenário diferente do habitual, com o C5 deixando de ser apenas uma opção para classificação e ganhando espaço também nas corridas deste fim de semana.

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