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Preview do GP de Singapura: Verstappen busca confirmar reação e Mercedes tenta ampliar vantagem

Marina Bay recebe o último Sprint de 2026 em um fim de semana decisivo para o campeonato, com Antonelli na liderança e Verstappen embalado pela vitória na Malási

A Fórmula 1 chega a Singapura para a 17ª etapa da temporada 2026 e o sexto e último evento Sprint do campeonato. O cenário é de crescente pressão sobre a Mercedes: depois de quase vencer no Azerbaijão e ver George Russell levar a melhor por uma diferença mínima, Max Verstappen finalmente voltou ao topo na Malásia e conquistou sua primeira vitória no ano.

O piloto da Red Bull mostrou força durante todo o fim de semana do GP do Bahrein, disputado em Sepang. Após conquistar a pole position, Verstappen precisou lidar com uma corrida marcada pela chuva, mudanças de estratégia e forte pressão da Mercedes. Mesmo com uma relargada nas voltas finais, conseguiu controlar a aproximação de Andrea Kimi Antonelli e confirmou a vitória.

O resultado colocou Verstappen novamente no centro da disputa, justamente em um momento no qual a Mercedes vinha ampliando sua vantagem no campeonato. Agora, a Fórmula 1 desembarca em Marina Bay para uma prova tradicionalmente exigente e em um circuito no qual a Red Bull não apresenta um histórico tão forte. A grande questão é se a equipe conseguirá manter a evolução demonstrada nas últimas etapas e transformar o bom momento de Verstappen em uma nova ameaça à liderança do campeonato.

Resultado do GP do Bahrein, na Malásia – Foto: Ale Ranieri / Boletim do Paddock

Na ponta da tabela, Antonelli segue confortável na liderança, com 320 pontos, enquanto George Russell aparece em segundo, com 236. Lewis Hamilton é o terceiro, com 214, seguido por Charles Leclerc, com 191. Lando Norris soma 188 pontos, e Verstappen chega a Singapura empatado com Norris, também com 188, enquanto Oscar Piastri aparece em sétimo, com 128.

Circuito de Rua de Marina Bay

A Fórmula 1 chega a Singapura para mais uma das provas mais particulares do calendário. Inaugurado em 2008, o Circuito de Rua de Marina Bay entrou para a história como o primeiro traçado a receber uma corrida noturna da categoria e, desde então, passou por diferentes modificações para tornar o espetáculo mais competitivo e melhorar o fluxo das voltas.

A mudança mais significativa ocorreu em 2023, quando o circuito deixou de ter 23 curvas e passou a contar com 19. O trecho entre as antigas curvas 16 e 19 foi remodelado e substituído por uma reta mais longa, deixando o traçado mais rápido e fluido. Com a alteração, a distância da volta passou para 4.940 km e a corrida ganhou uma volta adicional, passando de 61 para 62 giros.

Circuito de Marina Bay – GP de Singapura – Foto: divulgação Fórmula 1

Apesar da corrida acontecer sob os holofotes, as condições enfrentadas pelos pilotos estão longe de serem amenas. O calor e a elevada umidade tornam Marina Bay um dos circuitos mais desgastantes fisicamente da temporada. A umidade pode superar os 70%, enquanto a sensação térmica dentro do cockpit pode ultrapassar os 60°C, aumentando consideravelmente a perda de líquidos durante as quase duas horas de prova.

O desafio também se estende às equipes. Mecânicos e demais integrantes dos times precisam lidar com o desgaste provocado pelo calor, especialmente durante as paradas nos boxes, quando concentração e precisão são fundamentais. Para os pilotos, a preparação física ganha ainda mais importância, com treinamentos específicos para reproduzir as condições extremas encontradas em Singapura.

Na pista, o desafio é igualmente complexo. Marina Bay é um circuito de rua sinuoso, com 19 curvas, muros muito próximos do traçado e pouca margem para erros. A combinação exige precisão nas frenagens, bom controle de tração e um carro capaz de passar pelas ondulações e zebras sem comprometer o equilíbrio.

Embora as oportunidades de ultrapassagem sejam limitadas, elas não estão completamente ausentes. A curva 7 aparece como uma das principais possibilidades depois do primeiro setor mais travado, enquanto a curva 13, que antecede uma reta, também pode abrir espaço para ataques. A sequência final, por sua vez, volta a exigir bastante do equilíbrio do carro.

Outro elemento que influencia diretamente a preparação para a prova é a possibilidade de chuva. As pancadas são comuns na região e podem modificar rapidamente as condições do asfalto, alterando o nível de aderência e obrigando as equipes a reagirem rapidamente às mudanças.

E, em um fim de semana que terá formato Sprint pela primeira vez em Singapura, o desafio será ainda maior. Com menos tempo disponível para preparação e coleta de dados, as equipes precisarão encontrar rapidamente o acerto ideal para um circuito que exige muito dos carros, dos pneus e, principalmente, dos pilotos.

Pneus

Para o fim de semana, a Pirelli decidiu manter a mesma seleção utilizada no ano passado e levará novamente os três compostos mais macios da gama: C3 (duro – faixa branca), C4 (médio – faixa amarela) e C5 (macio – faixa vermelha).

Pneus escolhidos para o GP de Singapura de 2026 – Foto: divulgação Pirelli

A escolha coloca os pneus mais macios disponíveis à disposição das equipes e abre espaço para diferentes possibilidades ao longo de um fim de semana que terá duas classificações e duas corridas. Para a prova principal, C3 e C4 aparecem como as referências mais prováveis, mas o C5 pode assumir um papel mais importante do que o habitual.

A Pirelli aponta que o comportamento dos carros da atual geração favorece a utilização dos compostos mais macios. O C5, em particular, apresentou bom desempenho em etapas como Budapeste, Monza e Baku, combinando ritmo competitivo, aderência e confiança sem registrar níveis elevados de degradação. Em Marina Bay, essas características podem ser ainda mais relevantes diante da evolução do asfalto ao longo do fim de semana.

Como não houve recapeamento desde a temporada passada, a expectativa é de que o asfalto mantenha características semelhantes às de 2025, podendo apresentar níveis de rugosidade ligeiramente superiores.

A aderência, por outro lado, deve sofrer alterações importantes entre as sessões. As chuvas intermitentes comuns ao clima equatorial podem modificar as condições da pista e fazer com que as equipes precisem lidar com níveis diferentes de grip ao longo do fim de semana.

A corrida acontece à noite, com temperaturas de pista previstas entre 30°C e 35°C. De acordo com a Pirelli, esse cenário deve manter os pneus dentro de uma faixa adequada de funcionamento, sem que o superaquecimento seja uma das principais preocupações. O estresse mecânico também não é considerado particularmente elevado.

A maior fonte de degradação esperada está relacionada ao eixo traseiro, especialmente durante as fases de tração. Já a granulação e o desgaste não aparecem como fatores determinantes para a estratégia.

Diante desse cenário, a estratégia de uma parada surge novamente como a principal opção para a corrida de domingo. O tempo perdido no pit-lane e a possibilidade de neutralizações ao longo da prova tornam uma segunda parada menos atraente, já que seria necessário obter um ganho significativo de desempenho para compensar o tempo cedido nos boxes.

Os C3 e C4 devem, portanto, concentrar boa parte das atenções durante a corrida. Ainda assim, o C5 pode ganhar espaço, especialmente porque o formato Sprint exige uma administração diferente dos jogos de pneus disponíveis.

Com duas classificações e duas corridas no fim de semana, as equipes precisarão distribuir cuidadosamente os compostos entre as diferentes sessões. Nesse contexto, a Pirelli não descarta uma utilização mais ampla do C5, inclusive na Sprint de sábado.

A atual geração de carros também parece aproveitar melhor os pneus mais macios. A combinação entre carga aerodinâmica, gerenciamento térmico mais eficiente e as características dos compostos atuais permite que o C5 seja utilizado por períodos mais longos sem perder competitividade.

Sprint

Um fim de semana com esse formato consiste na realização de duas classificações e duas corridas.

A ideia é que os times possam trabalhar alterando a configuração dos carros, por conta de o evento contar com dois sistemas de parque fechado.

  • Na sexta-feira o dia começará com um TL1 (de 90 minutos), está será a única atividade avaliativa e preparatória para os competidores; a FIA ampliou a sessão, por conta das novidades e da pausa que ocorreu do Japão até o evento de Miami
  • No final do primeiro dia será definido o grid de largada da prova Sprint;
  • O sábado por sua vez começa com a Sprint (prova de 100 km);
  • Com a conclusão da primeira fase do fim de semana, os pilotos vão retornar ao traçado mais uma vez no sábado, agora para definir o grid de largada da corrida principal;
  • O domingo fica com a prova principal como tem acontecido desde a implementação deste formato.

Classificação Sprint

Na classificação para a prova Sprint, volta a obrigatoriedade do uso dos pneus.

  • Q1 e Q2, os competidores são obrigados a usar um conjunto de pneus médios novos – C4;
  • Q3 pneus macios – C5;
Programação do GP de Singapura de 2026 – Foto: Ale Ranieri / Boletim do Paddock

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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