O Piloto Italiano

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| Por: Carlos Eduardo Valesi

lll Série 365: 16 de Maio – O Piloto Italiano – 02ª Temporada: dia 359 de 365 dias.

Farina, Fagioli, Ascari, Brambilla. Ferrari, Maserati, Alfa. Os italianos sempre gostaram de velocidade. E todos sempre gostaram de Luigi Villoresi.

Luigi, ou Gigi, completaria hoje 110 anos. Nascido em 16 de maio de 1909 em Milão, filho de família rica, logo tomou gosto pelas competições automobilísticas do entre guerras. Junto com seu irmão mais novo Emilio, participaram de várias competições de rali e provas de velocidade, sendo bem-sucedidos. A bordo primeiro de um Lancia Lambda, depois de um Fiat Balilla e por fim de um Maserati, eles participaram de edições da Mille Miglia, da Targa Florio e da Coppa Ciano, fazendo frente aos alemães da Auto Union e da Mercedes, e inflamando a torcida da Bota. No final da década de 30, os irmãos Villoresi eram astros do esporte, e acabaram seguindo caminhos diferentes: enquanto Luigi assumiu um posto de piloto na Maserati, Emilio assinou com Enzo Ferrari para correr pela Alfa Romeo.

Villoresi Emilio_Luigi todos los pilotos muertos

Na Coppa Ciano de 1938, a expectativa da Maserati era alta, mas a nova Alfetta 158 vinha para a vitória. Como nos melhores roteiros, os irmãos batalharam intensamente pela primeira posição, com Luigi à frente do irmão que não dava espaço para erros, até que a 6CM da Maserati não agüentou e Emilio entregou uma histórica vitória para sua equipe.

Só que uma primeira tragédia estava na esquina desta trajetória. Em 1939, em Monza, a Alfa Romeo iria estrear uma modificação na Alfetta, e chamou vários jornalistas para uma festa em Monza. Típica festança italiana, com vinho, salame, pasta… Após o banquete, lá se foi Emilio para a pista, mas o carro saiu de controle e chocou-se com uma árvore. O jovem piloto foi levado ao hospital, onde faleceu no dia seguinte. Luigi, um cara muito família, ficou arrasado. Ao conversar com Enzo, o Comendador lhe disse que o irmão havia comido e bebido demais. Mas a imprensa logo começou a noticiar que houvera falha mecânica, e Gigi passou a ser um detrator de Ferrari. “Como homem, Enzo não é bom”, ele dizia a quem quisesse ouvir.

Pensou em abandonar a carreira, mas seguiu em frente como forma de honrar o irmão mais novo. Em 1940, Luigi venceu a Targa Florio, e a guerra chegou à Itália.

CAPA vintage racecar

O período de confronto paralisou as competições, e Villoresi começou a lutar pela vida. Se já não bastassem as emoções nas pistas, as histórias de Luigi neste período superaram em muito a imaginação de qualquer escritor de ficção. Em dado momento, quando estava a bordo de um navio para a África, fugindo do fascismo, virou alvo de canhões e após o naufrágio escapou nadando, só para ser capturado e mantido prisioneiro por mais de um ano.

Com o fim do conflito, a Maserati o chamou novamente, e Gigi começou mais uma vez a ganhar um pouco de tudo, tanto na Europa quanto na América. Venceu o Grand Prix de Nice, foi o primeiro italiano a fazer parte do Champion Club (reservado aos pilotos que completavam a prova em Indianápolis), disputou a vitória na Argentina e venceu corridas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os resultados fizeram que recebesse um convite inesperado: Enzo Ferrari o queria para a sua recém-criada Scuderia.

Desafetos antigos, Villoresi e o Comendador respeitavam-se muito na área profissional. Enzo sabia que o milanês conhecia a fundo os segredos da Maserati, principal concorrente de sua equipe, e deixou o orgulho de lado para conseguir o principal piloto do rival, sabendo que teria um belo bônus caso Luigi aceitasse.

Villoresi Ascari e Enzo ruiamaraljrblog

Gigi tinha se tornado um misto de irmão mais velho, melhor amigo e mentor de Alberto Ascari após este perder o pai. Os dois eram da mesma cidade, Luigi tinha conhecido e aprendido com Antonio, e encontrou em seu filho o irmão mais novo que tinha perdido. Os dois estavam sempre juntos, então Enzo Ferrari sabia que se Villoresi aceitasse sua proposta, Ascari viria no pacote. Foi o que aconteceu.

Assumindo o papel de coadjuvante para o piloto mais novo, Luigi foi fundamental no desenvolvimento inicial da Rossa. Eles ficaram na Scuderia até 1953, e Gigi foi o escudeiro fundamental para a conquista de dois títulos mundiais. Apesar de não ter vencido na Fórmula 1 (teve oito pódios, duas vezes em segundo lugar), ele representava bem o Cavallino Rampante em outras arenas: com o carro de Enzo conquistou a Mille Miglia, o GP francês de Les Sables d’Olonne e as provas em Siracusa, Pau e Marselha.

Villoresi Maseratti ruiamaraljrblog

Em 1954, foi a vez dele seguir o amigo. Ambos desembarcaram na Lancia, na tentativa de fazer com a equipe estreante o que fizeram na Ferrari. Mas em abril daquele ano, enquanto testava o carro na região italiana de Rimini, sofreu um acidente que o deixou algumas semanas no hospital em estado grave.

Voltou ao circuito, mas aos 45 anos não tinha mais o mesmo entusiasmo. A segunda tragédia de sua vida estava a caminho, e quando Ascari perdeu a vida em Monza, o coração de Luigi desistiu de competir. Seu corpo ainda permaneceu dirigindo até 57, encerrando sua carreira na Maserati e até vencendo algumas provas secundárias, mas o cara sensível e brincalhão tinha se aposentado há tempos.

Gigi Pinterest

Villoresi tentou seguir carreira como vendedor de carros, mas não tinha o tino comercial para isso. Viveu na pobreza por vários anos, mas quando descobriram sua real situação os italianos não o deixaram na mão. Com um fundo criado por e financiado principalmente pela Ferrari e por Michael Schumacher, Luigi “Gigi” Villoresi pôde viver seus últimos anos em um confortável retiro para idosos nas redondezas de Maranello, de onde saía com freqüência para ser homenageado em eventos automobilísticos por toda a Itália. Morreu em 1997, com 88 anos, sabendo que fez muito pelo automobilismo italiano e que era reconhecido por causa disto.

lll FORA DAS PISTAS

Nasceram em 16 de maio o ator Henry Fonda, a Enciclopédia do futebol Nilton Santos, o 007 Pierce Brosnan, a cantora italiana Laura Pausini e o croata Krist Novoselic, o gigante baixista do Nirvana. Nada mais justo do que nos despedirmos ao som deles.

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

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Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.