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Hamilton cobra “conversa séria” na Ferrari após incidente com Leclerc no GP do México

Britânico acredita que a disputa na primeira volta custou a vitória e uma possível dobradinha à equipe. Heptacampeão também questionou a punição de cinco segundos aplicada ao companheiro

Lewis Hamilton deixou o GP da Cidade do México com a sensação de que a Ferrari desperdiçou uma oportunidade de conquistar uma dobradinha. Depois de terminar a corrida na segunda posição, atrás de Max Verstappen, o britânico apontou o incidente com Charles Leclerc na primeira volta como um dos fatores determinantes para o resultado e cobrou uma discussão interna na equipe.

O heptacampeão havia conquistado sua primeira pole pela Ferrari e manteve a liderança na largada, mesmo com a pressão inicial de Leclerc. O monegasco tentou a ultrapassagem por fora na sequência de curvas, mas os dois pilotos frearam tarde e acabaram escapando dos limites da pista.

Na aproximação da curva 4, Hamilton conseguiu inicialmente permanecer à frente. Leclerc, porém, cortou a grama e retornou ao traçado na liderança, enquanto o britânico perdeu velocidade ao escapar na saída da curva. A situação abriu espaço para Max Verstappen ultrapassá-lo pouco depois.

A manobra foi investigada pelos comissários, que aplicaram a Leclerc uma punição de cinco segundos. A penalidade, no entanto, não impediu que o piloto da Ferrari mantivesse a posição na pista naquele momento. A consequência apareceu durante as paradas, já que ao cumprir a punição nos boxes, o monegasco perdeu a liderança para Verstappen.

Tanto Hamilton, como Verstappen acharam a punição para o monegasco branda, com o neerlandês debochando dos cinco segundos que foram aplicados.

Essa não é a primeira corrida do ano que Hamilton se sente lesado com o comportamento do companheiro de equipe. Por vezes o heptacampeão mundial mencionou a necessidade de eles trabalharem juntos, mas é algo que não tem acontecido e dessa forma deixaram escapar mais uma possibilidade de vitória.

Lewis teve mais uma oportunidade e viu a corrida mudando de mãos depois da bandeira vermelha provocada pelo abandono de Valtteri Bottas. Na relargada parada Hamilton atacou o companheiro de equipe e recuperou a segunda posição, enquanto Leclerc também acabou ultrapassado por Andrea Kimi Antonelli. Apesar de Hamilton pressionar o piloto da Red Bull até a bandeirada, não conseguiu recuperar a primeira posição.

A insatisfação do britânico ficou evidente ainda durante a corrida, quando questionou a penalidade aplicada a Leclerc. Após a prova, Hamilton voltou ao assunto e comparou a decisão dos comissários com uma punição de 10 segundos que recebeu na temporada anterior por uma manobra semelhante.

Segundo o piloto, havia um entendimento no briefing pré-corrida de que quem cortasse a pista nas primeiras sequências de curvas deveria devolver a posição. Hamilton também considerou que a Ferrari tinha desempenho suficiente para terminar com seus dois carros nas primeiras posições.

“Obviamente, no ano passado eu recebi uma penalidade de 10 segundos pela mesma manobra que ele fez. No fim das contas, foi isso que nos custou a vitória hoje, e acho que precisamos ter algumas conversas sérias nos bastidores, com certeza.”

O britânico evitou aprofundar publicamente o desentendimento com Leclerc, mas deixou claro que o episódio precisará ser discutido internamente. Para ele, a disputa entre os próprios pilotos não pode comprometer o resultado coletivo da equipe.

Hamilton ressaltou que as decisões tomadas dentro do cockpit têm impacto sobre todos os profissionais envolvidos no trabalho da Ferrari. Na avaliação do piloto, a colaboração entre os companheiros é parte fundamental do compromisso com a equipe.

“O cara tem 28 anos, então não acho que seja uma questão de idade. Acho que é uma questão de mentalidade. Ele é tipo: “É tudo ou nada. Ou eu venço ou nenhum de nós vence”, e não deveria ser assim. Deveríamos estar focados em conquistar aquela dobradinha.”

“Deveríamos conseguir a dobradinha. Como eu disse, ainda é uma ótima sensação. Sabe, em Silverstone, eu poderia ter ido para cima dele de forma kamikaze, tirá-lo da pista e nos fazer perder a vitória, mas em vez disso, a dobradinha estava lá. Acho que conseguimos a dobradinha. Ou foi uma dobradinha, primeira e terceira, uma dobradinha? Tanto faz. Para mim, estou feliz pela equipe ter vivenciado. Mas tenho esperança de que, no futuro, trabalharemos para um lugar melhor, um ambiente de trabalho melhor.”

O britânico reconheceu que disputas entre companheiros de equipe fazem parte da Fórmula 1 e nem sempre terminam sem incidentes. Ainda assim, defendeu que situações como a do México precisam ser evitadas.

“Acho que o mais importante para recordar, e que talvez venha com a idade, é que cada decisão que você toma no carro impacta todas as pessoas que trabalham nos bastidores para toda a equipe”.

Hamilton também lembrou que já protagonizou disputas intensas com Leclerc ao longo da temporada. Os dois haviam se envolvido em uma batalha acirrada na China, enquanto o monegasco chegou a pedir desculpas após empurrar o companheiro para fora da pista na largada do GP da Itália.

“Portanto, trabalhar em equipe faz parte do nosso trabalho e do nosso contrato. Temos que trabalhar em equipe, o que poderíamos ter feito facilmente hoje. É uma pena ver essa situação se deteriorar, como aconteceu. Isso só vai continuar se medidas forem tomadas, se uma conversa séria e profunda for realizada.”

“Portanto, isso não deve acontecer daqui para frente. Claro, já tive disputas acirradas com companheiros de equipe no passado, e nem sempre conseguimos acertar, mas nove em cada dez vezes deveríamos ser capazes.”

“Então, acho que vamos levar isso para o privado e ter algumas boas conversas, espero. Com certeza, não será fácil, mas precisa ser feito.”

A Ferrari deixa o México com um segundo lugar de Hamilton e a vitória escapando em uma corrida na qual, segundo o próprio britânico, havia ritmo para conquistar as duas primeiras posições. Agora, a equipe terá de administrar o episódio internamente para evitar que a disputa entre seus pilotos volte a comprometer seus resultados.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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