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Hamilton aponta vantagem de Mercedes e Red Bull nas retas após Ferrari perder força em Austin

Após liderar os três treinos livres, Ferrari termina a classificação com Charles Leclerc em quarto e Lewis Hamilton em quinto; britânico destaca a velocidade dos rivais, enquanto monegasco cita dificuldades com os pneus

A Ferrari voltou a enfrentar dificuldades para transformar o bom desempenho nos treinos livres em resultado na classificação da Fórmula 1. Depois de liderar as três sessões de preparação para o GP dos Estados Unidos, a equipe italiana não conseguiu colocar nenhum de seus pilotos na primeira fila em Austin, com Charles Leclerc em quarto e Lewis Hamilton em quinto.

O resultado contrastou com o ritmo apresentado ao longo da sexta-feira e do terceiro treino livre. Leclerc havia comandado os dois primeiros treinos, enquanto Hamilton terminou a última sessão na liderança. Na hora decisiva, porém, Mercedes e Red Bull conseguiram levar vantagem na disputa pelas primeiras posições.

Hamilton encerrou a classificação apenas 0s044 atrás do companheiro de equipe. Apesar de considerar que seu carro apresentou bom comportamento e que sua volta foi consistente, o britânico apontou a velocidade em linha reta como um dos fatores que dificultaram a disputa com os rivais.

“Não sei o que aconteceu. Meu carro estava ótimo. A volta foi sólida, então eles simplesmente foram mais rápidos.”

O piloto também considera que a diferença entre as equipes não se resume à unidade de potência. Embora a Ferrari tenha sido apontada como referência em termos de chassi durante boa parte da temporada, Mercedes e Red Bull teriam evoluído nos últimos eventos e reduzido a distância nas curvas.

Hamilton destacou que a Mercedes introduziu uma atualização que representou um ganho significativo de desempenho algumas etapas atrás e que a equipe parece estar aproveitando melhor esse pacote agora. Já a Red Bull teria avançado no nível de downforce, tornando o carro mais competitivo também nas curvas.

Na visão do britânico, a Ferrari não conseguiu dar um passo equivalente para compensar a desvantagem nas retas. Com os concorrentes mais próximos em desempenho nas curvas e mantendo vantagem nas acelerações, a equipe italiana encontra dificuldades para sustentar o ritmo que demonstrou nos treinos livres.

“Como eu disse, o carro estava ótimo, então foi uma volta limpa, sem problemas mesmo. Então, acho que esse é o único ponto fraco [a reta]. Acho que nosso carro é muito sólido. Quer dizer, pelo menos tão bom quanto, se não um pouco melhor, que os outros”, observou o piloto da Ferrari.

“Mas acho que eles melhoraram bastante o chassi. Vimos a Red Bull melhorar a pressão aerodinâmica. A Mercedes deu um passo de três décimos na atualização, pelo menos há algumas corridas. Acho que eles estão começando a entender como usar isso a seu favor e, por isso, agora estão conseguindo acompanhar o nosso ritmo nas curvas.”

“E não conseguimos dar esse passo, nesta temporada, para atingir essa velocidade na reta.”

Questionado sobre o desempenho da unidade de potência da Red Bull, desenvolvida em parceria com a Ford, Hamilton reconheceu que os números observados durante o fim de semana indicavam uma diferença considerável em alguns trechos.

O britânico estimou que a vantagem poderia chegar a três décimos de segundo em determinados pontos, com diferenças ainda maiores em outros setores. Ele ressaltou, contudo, que não havia conferido os dados definitivos da sessão.

Hamilton usou a aproximação da curva 1 como exemplo: enquanto a Ferrari começa a perder velocidade, o carro da Red Bull continua acelerando. Essa característica torna a disputa mais difícil, sobretudo em um circuito como Austin, que combina curvas técnicas com longas retas.

“Se tivéssemos o mesmo poder que eles, estaríamos lá no meio da batalha. Acho que provavelmente estaríamos na linha de frente. Mas sabemos que não é assim, então tentamos tirar o melhor proveito da situação.”

Charles Leclerc teve uma avaliação diferente da classificação. Ao contrário de Hamilton, que considerou sua volta limpa e sem problemas relevantes, o monegasco admitiu que não conseguiu preparar os pneus nas condições ideais antes da tentativa decisiva no Q3.

O piloto explicou que a volta de saída dos boxes não foi a ideal e que o carro apresentou bastante deslizamento. Uma diferença aparentemente pequena na temperatura dos pneus acabou tendo impacto significativo no desempenho durante a volta rápida.

“É muito decepcionante”, declarou Leclerc, ao reconhecer que a Ferrari tinha potencial para obter um resultado melhor naquela sessão.

“Porque acho que houve outros fins de semana em que fomos fortes nos treinos livres, mas aí, na classificação, ficou muito claro que os outros estavam muito mais fortes nas retas, e é muito difícil para nós acompanharmos isso.”

“Mas eu senti que hoje era uma sessão de classificação em que tínhamos potencial no carro. Mas o carro também depende dos pneus. E no Q3, infelizmente, não estávamos no lugar certo, e a diferença era de um ou dois graus, e para mim fez uma enorme diferença. Tive muita dificuldade na volta de aquecimento – já estava derrapando bastante desde então, e isso tornou tudo muito mais difícil depois disso.”

Em Austin, o problema com a preparação dos pneus se somou à diferença de velocidade apontada por Hamilton. O resultado foi uma segunda fila para Leclerc e uma terceira para o britânico, enquanto Andrea Kimi Antonelli garantiu a pole position pela Mercedes.


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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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