Espere por mim, não vou demorar – Dia 242 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

Quando criança Gilles era e ainda é tão cultuado que no meu imaginário sobre a Fórmula 1, ele havia sido um piloto campeão um título apenas, porém era campeão, era impossível um monstro sagrada da Fórmula 1 ter tantos fãs e um autódromo com o seu nome e não ter títulos, porém esta foi uma grata rasteira que realidade me deu, pois quando dos meus primeiros acessos à internet, quando tudo isso aqui ainda era mato, fui surpreendido quando no hall da fama da Fórmula 1 Gilles estava ausente, para meu espanto, algo se quebrou.

Anos se passaram, não entendia o amor e a admiração que os fãs de Fórmula 1 nutriam por ele, até que um dia eu recebi em uma corrente de e-mails, um vídeo apenas um vídeo, de poucos minutos, que elevava aos céus as corridas dos anos 80, vídeo este que tratava da batalha mais épica da Fórmula 1 chegou a mim, assisti aquilo como louco, não havia Youtube na época era aquela a única fonte que eu tinha de uma batalha a muito selada pela tempo, mas o tempo foi bom para todos nós uma vez que de uma sorte inimaginável do destino esta batalha pode ser revista no post do Valesi que trata exclusivamente da Batalha de Dijon, porém eu deixo abaixo o vídeo para o deleite de você meus caros leitores:

lll Dos Prolegômenos

Gilles jamais venceu um campeonato e seus números são tão rasos quando comparado com a sua fama, pois vejamos:

67 – Grandes Prêmios;

06 – Temporadas;

02 – Equipes (McLaren e Ferrari);

06 – Vitórias (8,96% dos GPs);

02 – Poles (2,99% dos GPs);

08 – Voltas Rápida (11,94% dos GPs);

13 – Pódios (19,40% dos GPs);

30 – GPs não finalizados (44,78% dos GPS);

107 – Pontos (1,60 pontos por GP e 17,83 pontos por temporada);

534 – Voltas lideradas;

2.251 – Kms na liderança;

3.283 – Voltas;

15.194 – Kms percorridos;

Quando dizem que “os números dizem por si só” Gilles é a exceção à regra, algo que na matemática da Fórmula 1 se confirma.

lll Salut Gilles

Gilles era um monstro, nunca na história da Fórmula 1 um piloto destruiu tanta Ferraris como ele e jamais existirá, hoje em que desgaste de peças e pneus causa arrepios nas espinhas dos chefes e dos donos de equipe não se compara a época em que Enzo Ferrari sorria com as peripécias do jovem Gilles, com fala mansa e jeito de quem não quer nada mais tudo sabe, Gilles conquistou a todos.

Por sorte Gilles esteve na Fórmula 1 na época correta, não que hoje a Fórmula 1 não comportasse o seu talento, porém naquela época, caixas de câmbios, chassis e motores formavam pilhas e mais pilhas em Maranello depois de usados e sucateados por Gilles.

Sua bunda era valorizada, nunca um piloto soube usar tão bem, ele a malhou nas corridas de esqui motorizados nos lagos congelados do Canadá, onde sua nádegas ficaram calejadas de saber como deslizar e retornar ao trajeto como se nada tivesse acontecido ou na pior das hipóteses tudo aquilo fazia parte do show, show este que ninguém entendia, como podia um piloto deslizar na pista e para fora dela com uma Ferrari e na maioria das vezes retornar intacto ou quase intacto, bom, as vezes ele não retornava.

Gilles Villeneuve a bordo da McLaren M23 em sua única passagem pela McLaren. Fonte: @Tumblr

Conseguia extrair o máximo do carro, em sua estreia no GP da Inglaterra de 1977 como uma McLaren M23, três anos de uso, conduziu com o diabo no corpo, colocou tempo no companheiro de equipe Jochen Mass com uma novíssima M26 e ainda no começo da prova pressionou o campeão e veterano James Hunt, ou seja, não havia limitações ao seu talento, salvo um carro todo destruído como no GP da Holanda de 1979 com chances de brigar pelo título contra o seu companheiro, sendo que um era o louco e outro era o regular, o louco decidiu que iria vencer com uma agressividade demoníaca, liderou por 47 voltas, mas seu pé não ficava leve, até que rodou, na tentativa de se recuperar na prova o pneu estoura na volta 51 roda e vai parar na brita, não contente engata a ré e decide ir aos boxes, porém fazendo volta de classificação em um triciclo quando o eixo traseiro quebra, porém ele chega aos box da Ferrari e exige que sua Ferrari seja consertada, não deu, nessa corrida o azar tentou lhe avisar mais de uma vez que não dava.

Zandvoort em três rodas – 1979 Fonte: Pit Lane

Foram tempos difíceis na Ferrari, na temporada de 1979 ajudou o companheiro a Jody Scheckter a conquistar o título após um pedido do próprio Commendadore para auxiliar Jody na briga pelo título, porém nas temporadas de 1980 e 1981 a briga foi pelo desenvolvimento do motor V6 da Ferrari e Gilles julgava que conseguiria o título e que o Commendadore iria lhe favorecer como fez ao seu companheiro no passado, mas não foi assim, em Imola no ano de 1982, Didier Pironi lhe roubou a vitória, de forma injusta até, porém Enzo Ferrari calou-se, não repreendeu Pironi, Gilles ficou em um estado de nervos que nunca foi visto, porém o fez de forma velada, silenciosa, mas todos notavam o seu descontentamento com a traição do amigo e do patrão do qual tinha um apego quase paternal.

Na corrida seguinte, Gilles não pode repetir a frase que sempre fez a sua esposa Joanne, “Espere por mim, não vou demorar”, pois Joanne estava em Mônaco cuidando dos dois filhos do casal Melaine e Jacques e assim não compareceu ao GP da Bélgica em Zolder, Gilles estava fechado concentrado além do normal, na classificação não sente confiança nos pneus que esta usando, decide retornar e colocar novos compostos mais duros, estava atrás do companheiro na classificação, aquilo lhe consumia, na volta que retornaria aos box ele vem rápido além do necessário para quem iria entrar nos box, no caminho encontra uma March que também estava a caminhos dos boxes, mas Gilles não tira o pé, e sua Ferrari encontra a March… fim da linha para Gilles, morre sem nem ao menos ter a chance de brigar por um título de forma justa e como ele sempre defendeu, dentro da pista.

Infelizmente ali terminava a mais promissora carreira de um piloto não campeão, muitos defendem que ele era o piloto mais rápido que a Fórmula 1 já viu, Gilles jamais irá figurar no hall da fama, pois lá somente os pilotos que conquistaram o título de campeão podem permanecer, há campeões que nem lembramos deles e já foram esquecidos, já pilotos que apenas são amados serão sempre lembrados por todos, não por títulos ou vitórias, mas pelo que eles representaram na pista, Gilles era e sempre será materialização dos desejos mais selvagens dos amantes da Fórmula 1.

Gilles sempre viverá enquanto fãs de Fórmula 1 não ligarem para os rótulos.

Fonte: Mercedes F1

Rubens Gomes Passos Netto

“Netto”, popularmente conhecido entre os imigrantes Guaxupeanos que tocam a zueira no pequeno município de São Paulo, gosta de comprar livros e outras bugigangas que orbitam o universo da Fórmula 1, já semeava a discórdia ao aceitar o rótulo de “nerd”, quando em terras tropicais, tal rotulo era algo, um tanto quanto pejorativo aos descendentes de primatas residentes nas regiões montanhosas produtoras de café, o que julgava ser maravilhoso, ainda mais sendo um apaixonado pela Fórmula 1, fã da McLaren por paixão e pela Ferrari por criação, já que nasceu em uma família descente de italianos produtores de café e não fabricantes de macarrão, na sua pacata opinião a melhor temporada foi a 2008, já que por um infortúnio reprodutivo de seus pais não conseguiu assistir a temporada de 1986, admira e muito o Emerson Fittipaldi, tem como o carro dos sonhos o McLaren MP4/4 e sonha em um dia ou noite pilotar em Spa e provar que as teorias que não levam a humanidade a lugar algum dos quais ele defende são mais úteis que um relógio digital, salvo se for para comer um pastel de camarão acompanhado de um chopp escuro.