22 de Junho de 1978, Muito Prazer, Dan Wheldon – Dia 32 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo

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  O ano era 1978, e na terceira quarta-feira do mês de Junho, nascia em Emberton um piloto destinado a escrever seu nome na história do automobilismo, entretanto, ao contrário de alguns de seus rivais nos tempos de kart, seu sucesso estaria guardado do outro lado do oceano Atlântico. Seu nome, Dan Wheldon. 

  Dan começou nos karts com apenas 4 anos, seguindo a paixão por gasolina que já vinha de berço, seu pai havia sido piloto amador de kart e sua mãe ainda trabalhava no circuito local. Não demorou para que o inglês começasse a crescer no cenário automobilístico britânico, e na medida em que amadurecia, seu talento se refinava cada vez mais. Aos 12 anos, Wheldon já garantia seu terceiro título nacional nos karts, batalhando grandes nomes como Anthony Davidson e Jenson Button, conquistando seu primeiro título internacional três anos depois, ainda nos karts. Sua ascensão avassaladora atraiu a atenção das categorias juniores, o que levou Dan para a Fórmula Vauxhall e finalmente para Fórmula Ford, onde cimentou ainda mais seu nome com vitórias em sua temporada de novato e brigas pelo título, novamente com Button. Jenson se sagrou campeão em 1998 e os custos exorbitantes das categorias mais altas na Europa inviabilizaram a permanência de Wheldon em sua terra natal, fazendo com que seu foco mudasse para o outro lado do Atlântico.

Fonte: cbsminnesota.files.wordpress.com

  A nova cara vinda do velho mundo chegou com autoridade nos Estados Unidos, dominando a Fórmula Ford americana em 2000, conquistando o título em sua primeira tentativa. Esse resultado abriu as portas da CART e da Indy Lights para o britânico, respondendo ao novo nível de competição com um segundo lugar em ambas as categorias. No ano seguinte, sua tão sonhada oportunidade na IndyCar apareceu e Dan recebeu um dos carros da Panther Racing para as duas corridas finais de 2002. Mesmo sem assento para as duas primeiras etapas de 2003, Wheldon contaria com um golpe de sorte para voltar a competir na categoria. O britânico foi contratado pela Andretti após um acidente motociclístico acabar com o começo da temporada de Dario Franchitti. Mesmo com o retorno do escocês, Michael Andretti optou por manter Wheldon no cockpit após uma performance promissora em Indianápolis. O britânico ainda conquistaria o prêmio de melhor novato da temporada. O ano seguinte marcaria um início do protagonismo do britânico,  vencendo três provas e  subindo em 11 pódios nas 16 etapas, o que resultou na 2ª posição no geral e o respeito definitivo do automobilismo americano, além de preparar o terreno para uma temporada seguinte simplesmente dominante.

Fonte: cbsminnesota.files.wordpress.com

  2005 foi o ano de Dan Wheldon, cruzando a linha de chegada na primeira posição em 6 etapas, um recorde até então, e se sagrando campeão com 80 pontos de vantagem em relação ao 2º colocado, Tony Kanaan. Além disso, a temporada também proporcionou o primeiro triunfo do britânico nas 500 milhas de Indianápolis. Em uma corrida dominada por Tony Kanaan e Dario Franchitti na primeira metade, Dan foi extremamente constante e escalou o grid de maneira perfeita, partindo para uma briga intensa nas últimas voltas com a então novata, Danica Patrick, pela vitória. O britânico prevaleceu na batalha e provou o sagrado leite da Indy 500. No ano seguinte, agora na Chip Ganassi, Wheldon manteve a boa forma e voltou a brigar pelo título. Mesmo empatado em pontos com Sam Hornish Jr., Dan ficaria com o vice campeonato de 2006 pelos critérios de desempate. 

Fonte: Wikimedia.org

  As temporadas seguintes foram consistentes novamente e dois 4º lugares na classificação geral mantinham o nome de Wheldon entre os melhores pilotos do pelotão enquanto o britânico fazia seu retorno para a Panther Racing em 2009. Todavia, seu retorno ao seu primeiro time na Indy não foi bem-sucedido e os modestos 4 pódios em 2 anos decepcionaram a equipe, culminando na demissão do britânico pouco antes da temporada de 2011, sendo substituído pelo novato J.R. Hildebrand. Mesmo sem um assento fixo, as duas corridas em que Wheldon conseguiu competir seriam marcantes, infelizmente da pior forma possível em uma delas.

Fonte: Car & Driver

  Com dois 2º lugares seguidos e um assento para as 500 milhas de Indianápolis, Dan Wheldon assistiu o domínio dos pilotos da Chip Ganassi, Scott Dixon e Dario Franchitti na primeira metade da corrida e as batalhas entre Danica, Rahal, e Tony na segunda metade enquanto mantinha um ritmo forte no topo do pelotão. Nas últimas voltas da prova, as estratégias começaram a render frutos e o britânico se viu em segundo novamente, mas longe demais do líder, J.R. Hildebrand, para tentar desafiá-lo pela vitória. Apenas um milagre poderia dar a vitória para Dan Wheldon, mas se tem uma pista em que milagres acontecessem, essa pista é Indianápolis. Por um capricho do destino, na última curva da última volta, o novato que havia roubado o assento do britânico perdeu o controle do carro e encheu o muro, deslizando até a linha de chegada apenas assistindo Dan Wheldon rasgando pela reta e conquistando sua segunda vitória da carreira na Indy 500. Em sua única corrida de 2011 até então, Wheldon conseguia tirar dezenas de pesos das suas costas. 

  Contudo, o automobilismo às vezes prega peças em nós, e ao mínimo sinal de conforto proporcionado pelas inovações na segurança do esporte, ele nos lembra que esses heróis ainda arriscam suas vidas ao entrarem no cockpit. Wheldon ainda conseguiria um assento para a última corrida do ano, em Las Vegas, mas nessa etapa, o pior aconteceu. O temido “big one” tirou 15 carros da prova ainda na volta 11. O sentimento de alívio ao vermos grande parte dos pilotos envolvidos saindo tranquilamente de seus carros foi logo suplantado por uma profunda tristeza, ao recebermos a notícia de que Dan Wheldon não havia resistido aos ferimentos do seu impacto com a grade de proteção, após seu carro voar por praticamente 100 metros. Infelizmente o esporte perdia um de seus competidores mais apaixonados e um dos pilotos mais amados pelo mundo do automobilismo no mesmo dia em que Dan havia assinado um contrato para voltar para a categoria em 2012. 

Fonte: TBO.com

  Após o choque devastador, Wheldon foi homenageado de diversas formas pela comunidade automobilística, desde o Chassis da Dallara recebendo seu nome, até uma curva do circuito de St. Petersburg passando a se chamar “Dan Wheldon’s way”, pequenos pedaços físicos de um imenso legado deixado pelo britânico em uma comunidade que o amava.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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