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Billy Monger, de piloto à inspiração

Em abril de 2017, o piloto inglês Billy Monger fazia uma corrida de F4 britânica em Donington Park quando ao tentar ultrapassar um adversário, não viu um carro parado no caminho. A batida forte destruiu as pernas do rapaz de 17 anos e a equipe de resgate demorou cerca de 90 minutos para retirá-lo do carro. No hospital, os médicos não puderam fazer muito e Billy teve as duas pernas amputadas, uma acima do joelho e a outra um pouco abaixo.

Ainda no hospital, mensagens de apoio chegaram aos milhares, inclusive de muitos pilotos da F1 e uma campanha arrecadou dinheiro para a aquisição de próteses e para a adequação da casa da família.

E quem achava que sua carreira no automobilismo tinha acabado, se surpreendeu com a atitude positiva que Billy adotou ainda no hospital, quando começou a se familiarizar com um volante adaptado. Três meses depois, ele estava testando um carro da Fun Cup.

Faltava ainda uma etapa fundamental, convencer a FIA a aceitar que ele corresse em monopostos, já que uma regra em vigor limitava pessoas com deficiência de correr nesse tipo de carro. A pressão deu certo e a regra foi alterada. Billy estava liberado para assinar com a Carlin e disputar a F3 britânica em 2018. E logo na primeira corrida, Billy conseguiu subir ao pódio!

Imagem: reprodução

Se esse feito por si só já era uma inspiração para muitos, Billy foi além e resolveu participar em fevereiro deste ano, de um desafio para angariar fundos para a fundação Comic Relief. O desafio seria dividido em quatro etapas.

A primeira seria uma caminhada de 30 quilômetros, entre as cidades de Newcastle e Durham. A segunda parte seria percorrer de caiaque uma distância de 26,5 quilômetros, com a terceira parte contando com uma pedalada de aproximadamente 105 km. Já a última etapa seria constituída de um duatlo de 65 quilômetros no circuito de Brands Hatch, sendo 18 voltas ao redor da pista em bicicleta e mais três caminhando, totalizando os 225 quilômetros do desafio.

Havia apenas um pequeno problema na realização de tamanha proeza. Até aquele dia, o máximo que Billy já tinha caminhado sem parar eram pouco mais de 3 quilômetros, bem menos do que os 30 propostos para o primeiro dia. Além disso, ele nunca tinha andado de caiaque antes e depois do acidente, não tinha mais subido numa bicicleta.

Foram dois meses de preparação intensa, já que o ideal era que fossem seis. Assim mesmo ele partiu para o desafio. O primeiro dia já se mostrou mais desafiador do que o imaginado. Todo o treino para a caminhada foi feito em terreno plano e o percurso da prova tinha muitas subidas e descidas, o que acabava causando dor por conta do posicionamento das próteses. Billy ainda conseguiu um descanso no segundo dia, que teve que ser adiado por conta do mau tempo. Quando Billy conseguiu ir para a água, já no dia seguinte, não houve tempo para completar a prova inteira antes de escurecer. Sem querer pular nenhum quilômetro, o que falou completar na água foi acrescentado ao último dia.

Para a parte do ciclismo, novas dificuldades. Andando no meio da cidade, muitas vezes Billy se viu obrigado a parar em cruzamentos. E subir na bicicleta e continuar a pedalar era algo difícil de se fazer por conta das pernas mecânicas, o que rendeu a ele algumas quedas. E novamente as subidas se mostraram uma dificuldade, já que ele não conseguia ficar de pé na bicicleta para ter uma força a mais. Exausto, Billy conseguiu completar o desafio e restava apenas mais um dia de prova pela frente.

No último dia, as elevações da pista aliado ao cansaço se mostraram mais desafiadoras e quando Billy estava próximo a terminar a parte do ciclismo, seu ritmo começou a cair drasticamente, o que preocupou a equipe médica, que correu ao seu encontro. Mesmo com muita dor, Billy conseguiu completar a parte da pedalada e cruzou a linha de chegada aos prantos, revelando que essa parte do desafio foi a que trouxe mais emoções à tona e que só conseguiu chegar até o fim por pensar nas pessoas que iriam se beneficiar com as doações. “Eu tive tanto apoio desde o meu acidente, mas esse desafio nunca foi sobre mim. É sobre as pessoas as quais isso pode fazer a diferença”, disse Billy, que ao final de cada dia, ainda tirava um tempo para responder às mensagens de apoio dos fãs no Twitter.

Para completar o desafio, só faltavam as voltas finais de caminhada. Às 20h, Billy cruzou a linha de chegada, com direito a mais choro e uma sensação de dever cumprido. “O principal que eu aprendi com o desafio do Comic Relief é que é muito assustador quando você tem que se esforçar para ir além, tentar novas coisas. Mas uma vez que você se permite ir além, a única coisa que te assusta é perceber que você consegue alcançar muito do que jamais imaginou”.

Alguns dias depois, foi divulgado o valor que Billy conseguiu arrecadar com sua campanha até o dia 19 de março: 2.376.183 libras, algo em torno de 18 milhões de reais. Com a campanha ainda em aberto, essa quantia já está perto de chegar aos 3 milhões de libras.

E não é a primeira vez que Billy faz algo semelhante. Em outubro de 2017, ele fez uma caminhada solidária no pit lane de Brands Hatch, para agradecer às pessoas que o salvaram e arrecadar dinheiro para as equipes de resgate, mesmo só estando com as próteses há poucos dias e ainda estar aprendendo a andar com elas. “Com o apoio que eu tive, é muito importante para mim espalhar uma mensagem positiva para todos e tentar mostrar que, mesmo se algo desse tipo aconteça, você ainda pode ter uma atitude positiva e fazer algo com a sua vida”.

Imagem: reprodução

 

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Denise Vilche

Uma revista antiga sobre carros fez nascer uma paixão: a F1. Uma menina curiosa de oito anos queria saber quem eram aqueles tais de Senna, Piquet, Mansell e cia. que a revista mostrava em gráficos coloridos. E mais de 30 anos depois, essa menina, agora jornalista, continua mais apaixonada pela F1 do que nunca.

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