A Evolução da F1 – Parte 2: De assistências a Segurança

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A temporada de 2017 verá uma das maiores revoluções técnicas nos últimos 20 anos, com o regulamento incentivando a busca por mais velocidade, ao invés de tentar controlá-la. Enquanto esperamos pelo GP da Austrália, o portal oficial da Fórmula 1 trouxe outros momentos nos quais projetistas e engenheiros foram forçados a se adaptar a mudanças drásticas no regulamento, como no início dos anos 90.

Fonte: formula1.com

Com a chegada dos anos 90, os monopostos tinham se tornado cada vez mais tecnológicos e as equipes ponteiras alcançavam todo tipo de inovação para melhorar a performance de seus carros, incluindo suspensão ativa, controle de tração, ABS e controle de partida. Entretanto, em meio a inúmeras críticas sobre a verdadeira importância dos pilotos e em busca de cortar gastos, a FIA anunciou durante a temporada de 1993 (imagem acima) que todas as assistências de direção, com exceção das caixas de câmbio semi-automáticas, seriam banidas em 1994. Além disso, o reabastecimento (imagem abaixo) retornaria pela primeira vez desde 1983, outra decisão que impactaria diretamente o processo de desenvolvimento dos carros.

Veja também:

A Evolução da Fórmula 1 – Parte 1: Dos Carros-asa aos Assoalhos Planos

+ A Evolução da Fórmula 1 – Parte 3: A Chegada de Carros Mais Estreitos

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Fonte: formula1.com

O tricampeão Ayrton Senna era um dos pilotos abertamente contra as assistências de direção, contudo, o brasileiro infelizmente perderia a vida na terceira corrida da temporada, em Imola. “Os carros são rápidos e difíceis de guiar” afirmou Senna nos testes de pré-temporada. “Será uma temporada com muitos acidentes e eu arrisco dizer que teremos sorte se nada sério acontecer.” Os acontecimentos daquele fatídico final de semana em Imola, tanto com Senna, quanto com Ratzenberger, causaram inúmeras mudanças no design dos bólidos para diminuir performance e melhorar a segurança dos pilotos.

Fonte: formula1.com

Em um espaço de três corridas, entre Espanha e Alemanha, diversos passos foram dados em direção a uma categoria mais segura, incluindo restrições em relação a dimensão das asas dianteiras, asas traseiras, aletas laterais e difusores, redução da potência e a introdução de uma placa de madeira de 10mm (imagens acima e abaixo) sob todos os carros.

Fonte: formula1.com

Essa placa, que é usada até hoje, prevenia que equipes tentassem deixar seus bólidos extremamente baixos porque apenas 1mm de desgaste era permitido no fim das provas. A Benetton foi uma famosa vítima dessa regra no GP da Bélgica, no qual checagens pós-corrida comprovaram um desgaste excessivo na placa do carro de Michael Schumacher. A equipe tentou argumentar que uma rodada sobre uma zebra havia causado essa alteração, mas o recurso foi negado e Damon Hill herdou a vitória.

Fonte: formula1.com

Do GP do Japão em diante, as equipes foram permitidas a colocar 10 placas de titânio no assoalho de seus carros para proteger a placa de madeira, porém, uma mudança muito mais significativa nessa área dos bólidos ocorreu na temporada seguinte, com a introdução dos assoalhos planos com degraus (imagem abaixo). A chegada do degrau fez com que cada lado do assoalho fosse elevado em 25mm, uma mudança que reduziria a pressão aerodinâmica gerada pela parte de baixo do monoposto em 5o%.

Fonte: formula1.com

Mais alterações aerodinâmicas foram feitas em 95 (imagem acima), diminuindo a altura das asas traseiras e a altura das aletas das asas dianteiras. Além disso, a redução da capacidade dos motores de 3.5 para 3 litros fez com que as velocidades diminuíssem ainda mais.

Fonte: formula1.com

Já no âmbito de segurança, uma das maiores evoluções de uma temporada para a outra foi atingida. A abertura do cockpit foi aumentada em comprimento para limitar a possibilidade de contatos frontais diretos com o chassis, enquanto a largura foi diminuída e as laterais foram aumentadas para cobrir os ombros dos pilotos. Os chassis também foram obrigados a se estender por 300mm (ao invés de 150mm) além dos pés dos pilotos e serem capazes de aguentar ainda mais força. A famosa célula de sobrevivência também foi introduzida. Essas mudanças resultaram em um bólido bem diferente de seu antecessor, especialmente em relação as partes visíveis do piloto (imagem abaixo).

Fonte: formula1.com

Equipes tiveram que trabalhar duro, mas os monopostos estavam agora mais seguros do que nunca, e ficariam ainda mais nos próximos anos.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.