7 de Fevereiro 1981, O GP que salvou a Fórmula 1 – Dia 262 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo.

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A disputa de poder entre Fisa e Foca ameaçava promover um racha na Fórmula 1, apoiando a Fisa e Jean Marie Ballestre as equipes ligadas a montadoras, Ferrari, Renault, Alfa Romeo e a Ligier parceira da Talbot, e as pequeninas Osella e Toleman. Com a Foca e Bernie Ecclestone as equipes garagistas, Brabham, Williams, Lotus, Tyrrell, Ensign, Fittipaldi, Arrows, March e Theodore. A disputa política pelo controle do campeonato e consequentemente do poder e do dinheiro gerado pela Fórmula 1 fez com que Ballestre e Ecclestone jogassem suas cartas naquele início de 1981.

Fonte: Tumblr

A disputa começou quando a Fisa proibiu as saias laterais, medida que claramente favorecia as equipes alinhadas a ela. As hostilidades aumentaram quando a Fisa adiou o GP da África do Sul inicialmente marcado para fevereiro para o mês de abril. Tal mudança desagradou os promotores sul africanos e claro a Foca, que por conta própria resolveu organizar a prova em Kyalami na data inicialmente prevista, 7 de fevereiro. A Fisa foi enfática ao afirmar que a prova sul africana só contaria pontos para o campeonato se ocorresse em abril.

Os problemas da Foca começaram com o fornecimento de pneus para os times que iriam a África do Sul, a Foca costurou um acordo com a ITRS que fornecia os compostos para a Aurora Series. Todos os carros que estariam em Kyalami eram equipados com o bom e velho Ford Cosworth DFV. Por não ter o caráter de evento oficial a prova foi disputada sobre o regulamento de Formula Livre, logo as saias laterais poderiam ser usadas.

Fonte: Tumblr

O GP da África do Sul que tinha a intenção de afrontar a Fisa e mostrar a força da Foca já começou a se mostrar um fiasco com a ausência de ninguém menos que Bernie Ecclestone. Com os carros na pista Nelson Piquet colocou sua Brabham na pole, a seu lado Carlos Reutemann (Williams), na segunda Alan Jones (Williams) e um surpreendente Keke Rosberg (Fittipaldi), na terceira fila Elio de Angelis (Lotus) e outra surpresa Ricardo Zunino (Brabham). O sábado amanheceu chuvoso em Johanesburgo e a largada com 19 carros foi dada com o piso molhado. Piquet pula na frente seguido pela Lotus de De Angelis, as Williams começam incrivelmente mal com Reutemann despencando literalmente para o fim do grid. Reutemann foi um dos primeiros que apostou nos pneus slick, já Piquet fazia toda a longa reta de Kyalami fora do traçado original para procurar água e resfriar seus pneus biscoito.

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Na volta 20 o top 5 era Piquet, Watson, Zunino, Serra, Reutemann e Surer. Piquet vai aos boxes na volta 27 para trocar os pneus, Watson assume a ponta, Reutemann em um duelo argentino supera Zunino. Quando John Watson vai aos boxes Carlos Reutemann assume a ponta. O argentino manteve a ponta até a bandeirada, Nelson Piquet foi o segundo, Elio de Angelis o terceiro. Na sequência Keke Rosberg (Fittipaldi), John Watson (McLaren), Riccardo Patrese (Arrows), Eddie Cheever (Tyrrell), Chico Serra (Fittipaldi), Nigel Mansell (Lotus) e Derek Daly (March) cruzaram a linha de chegada.

Keke Rosberg (Fittipaldi) – Fonte: Tumblr

Reutemann e a Williams não foram efusivos ao comemorar a vitória pois sabiam que seria praticamente impossível a Fisa voltar atrás e considerar o GP válido para o mundial. O fracasso de público e a pouca repercussão da prova mostraram a Foca que bancar uma categoria independente sem o apoio da Fisa seria inviável, por sua também mostrou a Fisa que uma separação minaria seu próprio poderio, afinal que credibilidade teria uma entidade que organizasse um campeonato com 8 ou 10 carros?

Fonte: Tumblr

O fracasso da prova sul africana mostrou para dirigentes e equipes que cada lado deveria fazer concessões para que o negócio Fórmula 1 continuasse forte e todos continuassem a ganhar dinheiro. Talvez se este GP tivesse obtido um mínimo de sucesso e a Fórmula 1 como conhecemos hoje sequer existiria.

Cristiano Seixas

Fã hardcore de Fórmula 1, apreciador da história, números e estatísticas da categoria, mais conhecido como Mestre Cristiano Seixas, pois é um PHD e MDA em Fórmula 1 ainda é Graduado, Pós-Graduado, Mestrado e Doutorado sobre História da Fórmula 1, Wikipédia erra o Cristiano não.

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