30 de Novembro de 1966, O Segundo Mika – Dia 193 dos 365 dias mais importantes na história do automobilismo

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Atualmente, a famosa eficiência de grandes pilotos finlandeses já está mais do que consolidada. Além dos títulos mundiais de Keke Rosberg, Mika Hakkinen e Kimi Raikkonen, sete dos oito pilotos advindos do país nórdico que participaram de um GP, subiram ao pódio. Todavia, ainda que  a nação possua quatro triunfos entre os pilotos, essa fama também foi construída por coadjuvantes que batalharam para manter o legado vivo, entre eles, um homônimo de um campeão mundial que tinha o estranho hábito de estar no lugar certo, na hora certa.

Fonte: Vice Sports

Mika Juhani Salo nasceu em Helsinki no dia 30 de Novembro de 1966. Com pais interessados no mundo do automobilismo, teve sua primeira passagem pelo kart logo aos cinco anos. Anos depois, experiências competitivas o levaram rapidamente para a Fórmula Ford, onde voltou a ter sucesso. Seu ótimo desempenho na categoria foi suficiente para conseguir uma vaga na prestigiada Fórmula 3 britânica em 1989. Sua primeira temporada não foi competitiva, principalmente devido ao pacote Alfa Romeo desatualizado que era levado pela sua equipe, entretanto, um chassis renovado em 1990 foi suficiente para Salo conquistar 6 vitórias em seu segundo ano na categoria. Mesmo com a performance acima da média, o finlandês terminou o campeonato em segundo, ficando atrás de um rival que se tornaria presença constante durante sua carreira, seu compatriota Mika Hakkinen.

Hakkinen conseguiu um assento na Lotus logo na temporada seguinte, já Salo partiu para o oriente em busca da Fórmula 3000 japonesa. Seu objetivo real era a Fórmula 3000 européia, mas o orçamento permitiu apenas um cockpit competitivo na terra do sol nascente. Mesmo assim, Salo teve quatro temporadas apagadas. Frustrado e batalhando por qualquer sinal de progresso na Ásia, o sonho da Fórmula 1 parecia cada vez mais distante, até que um telefonema mudou a vida do finlandês. A saída de Johnny Herbert da decadente Lotus havia aberto um assento na categoria mais prestigiada do automobilismo pouco antes do GP do Japão. Foi então que Salo recebeu a ligação inesperada, na qual foi perguntado se seria capaz de pilotar na categoria dentro de seis dias sem treino algum. Não foi difícil para Mika aceitar a oportunidade, ainda mais por conhecer o traçado. Uma semana depois, o finlandês, que outrora parecia perdido nas categorias de base do Japão, estreava na Fórmula 1 aos 28 anos.

Fonte: Jcspeedway

O finlandês foi mantido pela Lotus para as duas ultimas etapas da temporada, entretanto, o desmanche da equipe no final de 1994 o deixou sem assento na Fórmula 1 mais uma vez. Foi então que Salo se encaminhou para a Tyrrell, onde foi capaz de marcar pontos em diversas ocasiões durante os três anos do seu contrato, incluindo um heroico 5º lugar no chuvoso GP de Mônaco de 1997. O sucesso de Mika foi suficiente para render um dos cockpits da Arrows no ano seguinte, ao lado de Pedro Paulo Diniz. Todavia, mesmo com outro resultado expressivo nas ruas de Monte-Carlo, dessa vez uma 4ª posição, Salo se viu mais uma vez sem assento no final da temporada, até que a vida provou novamente ser uma caixinha de surpresas. Durante os treinos para a segunda etapa da temporada de 1999, Ricardo Zonta, então piloto da BAR, machucou o pé esquerdo e ficou impossibilitado de participar das três corridas seguintes. Salo foi contratado pela equipe britânica para substituir o brasileiro, respondendo com três performances sólidas e se recolocando no radar do paddock. Zonta eventualmente recuperou seu cockpit, mas a sorte voltaria a sorrir para o finlandês poucas etapas depois.

Fonte: Pinterest

Nos treinos para o GP da Inglaterra, outro piloto sofreu uma contusão que o impossibilitaria de participar das provas seguintes, mas dessa vez a proposta era um pouco mais especial. Devido ao acidente de Michael Schumacher em Silverstone, Salo foi contratado pela Ferrari para correr pela equipe nas seis provas seguintes. Com a missão clara de ser escudeiro de Irvine, o finlandês fez jus à importância do assento que havia recebido, chegando inclusive perto de uma vitória em Hockenheim, não fossem as ordens de equipe para deixar o irlandês ficar com a 1ª posição. Mika terminou sua campanha em Maranello com dois pódios e apenas um abandono, suficiente para render um dos cockpits da Sauber no ano seguinte.

Fonte: Vice Sports

Os resultados pela modesta equipe suíça foram razoáveis, pontuando em quatro etapas durante o ano, entretanto, o piloto abandonou o programa logo no final de 2000 para participar dos preparativos para a entrada da Toyota na categoria em 2002. Salo retornou com os japoneses, marcando o primeiro ponto da equipe logo em sua estreia, se tornando o primeiro piloto desde seu compatriota, JJ Lehto, a alcançar tal feito na primeira corrida da história de um time. Contudo, o sucesso da primeira etapa não foi convertido em consistência durante o ano e o finlandês pontuou em apenas uma corrida além da Austrália, o que acarretou na sua demissão e consequente aposentadoria no final da temporada. Mika deixou a Fórmula 1 com 109 largadas, 33 pontos, 2 pódios e 7 equipes diferentes. 

Fonte: Pinterest

Ainda que um claro coadjuvante, Salo nos mostrou a verdadeira essência de pilotos finlandeses, além de ajudar a construir o legado do país no automobilismo. Mesmo com passagens atípicas pelo paddock, o piloto também foi capaz de deixar clara sua paixão pelo esporte e seu profissionalismo, mesmo com um lado descontraído que conquistou diversas amizades. Uma carreira que não alterou recordes históricos, mas que certamente foi muito bem vivida. 

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.