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Wolff considera vitória de Antonelli em Austin a melhor atuação do italiano

Chefe da Mercedes elogia controle de corrida, mentalidade e evolução do jovem piloto, que pode conquistar o título mundial no GP do México

Toto Wolff considera que a vitória de Andrea Kimi Antonelli no GP dos Estados Unidos foi a melhor atuação do italiano na Fórmula 1 até agora. O chefe da Mercedes destacou a capacidade do piloto de controlar a corrida em Austin, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela equipe no início do fim de semana, e elogiou sua postura diante da pressão pela disputa do título mundial.

Antonelli chegou ao Circuito das Américas depois de um início de fim de semana complicado para a Mercedes. A equipe ainda buscava o melhor acerto para o pacote de atualizações introduzido na etapa da Malásia, que vinha exigindo trabalho para encontrar a janela ideal de funcionamento. No entanto, a equipe conseguiu evoluir ao longo das sessões, e o italiano transformou o bom desempenho na classificação em vitória no domingo.

Além de conquistar a pole, Antonelli controlou a prova e cruzou a linha de chegada à frente de Charles Leclerc e Max Verstappen. Para Wolff, o resultado teve um peso especial pela maneira como o jovem piloto conduziu a corrida.

“Largar com o pneu inferior e depois controlar a situação o tempo todo. Uma corrida de campeão – que ainda não é campeão – mas excepcional”, afirmou Wolff.

“Então, acho que ele teve um desempenho melhor do que o carro. Talvez seja um pouco duro dizer isso, mas acho que o estilo de pilotagem dele combina perfeitamente com o carro. Vimos isso na classificação de ontem, onde na última volta ele poderia ter ficado mais um décimo e meio ou dois à frente.”

Questionado se a vitória nos Estados Unidos havia sido superior à recuperação de Antonelli em Monza, quando o italiano saiu do fundo do grid para vencer diante da torcida de casa, Wolff manteve sua avaliação, embora tenha reconhecido a importância dos dois resultados.

“Eu disse que esta foi provavelmente a melhor corrida que já vi, mas o meu problema é que não me lembro das corridas passadas!”, brincou. “Então, agora que você mencionou Monza, na verdade também foi muito boa, obviamente com a vantagem da torcida da casa e de ver todos aqueles tifosi um pouco confusos vestindo vermelho e ouvindo o hino italiano, mas com a equipe Mercedes no pódio.”

Além da velocidade, Wolff destacou a tranquilidade com que Antonelli tem lidado com a disputa pelo campeonato. Mesmo com a possibilidade de conquistar o título já no GP da Cidade do México, o italiano mantém o foco no trabalho e procura aproveitar a experiência de competir na principal categoria do automobilismo.

Na avaliação do dirigente, o fato de a temporada de 2026 ter começado com novos regulamentos técnicos também pode ter favorecido o jovem piloto. Diferentemente do ano anterior, quando os demais competidores já estavam habituados a carros que permaneciam sob o mesmo conjunto de regras havia várias temporadas, todos precisaram se adaptar a uma nova realidade.

Wolff contou que Antonelli demonstrou essa postura pouco antes de uma das sessões do fim de semana.

“Acho que talvez tenha sido uma vantagem para ele o fato de os regulamentos serem todos novos. No ano passado, ele entrou na equipe, e aqueles carros já existiam há quatro anos. Os outros pilotos estavam acostumados com eles, e este ano era tudo novo para todos. E ele simplesmente se adaptou, com sua mentalidade, com sua facilidade em lidar com as coisas.”

“Ele veio ao meu escritório antes de se arrumar, antes mesmo de se vestir, e simplesmente se sentou naquele sofá e disse: ‘Vou curtir essa. E não é engraçado? Não estou pensando nem um pouco no campeonato.’ E eu disse: ‘Exatamente. Mantenha essa atitude. Você tem o melhor emprego do mundo. Não se esqueça disso.’ Então ele também tem a mentalidade certa.”

Para o chefe da Mercedes, essa capacidade de lidar com a pressão sem perder a leveza tem sido uma das características importantes da temporada do italiano.

“Já faz mais de 30 anos que tento entender a mente de um piloto de corrida, e ainda não sei o que aconteceu durante o inverno. Sua capacidade de processar e apresentar algo excepcional, que não previmos.”

“Mas é preciso dar crédito a ele, aos seus engenheiros, ao ambiente em que vive, à sua família, por ele ter conseguido entregar o projeto dessa forma.”

O dirigente também reconheceu que ainda tenta compreender a dimensão da evolução de Antonelli em relação à temporada passada. Segundo ele, o salto de desempenho do piloto superou as expectativas da própria equipe.

Wolff, no entanto, fez questão de afastar a ideia de que o sucesso atual seja resultado apenas de um talento individual ou de uma descoberta recente. O dirigente lembrou que o programa de jovens pilotos da Mercedes acompanha Antonelli desde os 11 anos, em um processo que envolveu desenvolvimento técnico, adaptação à equipe e preparação para a Fórmula 1.

“Antes de mais nada, obrigado, mas eu não fui o único responsável por isso”, disse ele. “Foi trabalho de equipe. Foi nossa equipe júnior liderada por Gwen [Lagrue] que o descobriu quando ele tinha 11 anos, e o mérito é desse grupo que o desenvolveu ao longo de muitos anos.”

Wolff também recordou as críticas recebidas pelo italiano no início de sua trajetória na Fórmula 1. Após nove corridas sem pontuar na temporada passada, Antonelli chegou a ser questionado por pessoas que consideravam que ele não deveria ocupar uma vaga na Mercedes ou sequer estar na categoria.

“Muitas pessoas disseram no ano passado, depois de nove corridas sem pontuar, que ele não deveria estar na Mercedes. Pessoas em outras equipes disseram que ele nem deveria estar na Fórmula 1. As lágrimas em Spa, no Parque Fechado, e tudo mais.”

“Agora é extremamente gratificante ver o que ele é capaz de entregar, como ele está trabalhando com a equipe, com o Bono, e colhendo os resultados. Mas não foi um caminho fácil. Então, sim, estou feliz que, como você disse, esteja 99,9% concluído.”

Agora, o desempenho em 2026 representa uma resposta a essas dúvidas. Para Wolff, o resultado é especialmente gratificante por refletir o trabalho de uma estrutura que acompanhou o piloto durante anos, enquanto ele ainda estava na base.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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