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Rafael Câmara impressiona em testes e ganha oportunidade na Haas para 2027

Líder da F2 e campeão da F3, brasileiro se destacou em testes em Portugal e deve formar dupla com Oliver Bearman na próxima temporada

A Haas escolheu Rafael Câmara para ocupar uma vaga no grid da Fórmula 1 em 2027. Atual líder da Fórmula 2 e campeão da Fórmula 3 em 2025, o brasileiro chamou a atenção da equipe norte-americana durante uma sessão de testes com carros anteriores (TPC) em Portimão, Portugal. A contratação marca mais um passo na trajetória do pernambucano, integrante da Academia de Pilotos da Ferrari, e o coloca no caminho para estrear na principal categoria do automobilismo mundial.

A decisão representa uma mudança na estratégia da Haas para o mercado de pilotos. Depois de confirmar que Esteban Ocon deixaria a equipe ao fim da temporada 2026, o chefe Ayao Komatsu passou a avaliar alternativas para a vaga. Entre os nomes considerados estavam o campeão da F2, Leonardo Fornaroli, o atual líder da categoria, Câmara, e os pilotos reservas Jack Doohan e Ryo Hirakawa.

A avaliação ocorreu por meio do teste TPC, que permite às equipes utilizar carros de temporadas anteriores em sessões avaliativas e de preparação para jovens competidores. Segundo informações divulgadas pela Fórmula 1, Câmara se destacou rapidamente em Portimão, tanto pela velocidade quanto pela capacidade de adaptação ao carro.

Evolução na F2 pesou na escolha

Câmara chega à oportunidade na F1 após uma temporada de crescimento na Fórmula 2. Competindo pela Invicta Racing, o brasileiro evoluiu ao longo do campeonato e assumiu a liderança da classificação a duas etapas do encerramento da temporada.

O desempenho recente se soma a uma trajetória consistente nas categorias de base. Em 2024, o pernambucano conquistou o título da Fórmula Regional Europeia e, em 2025, foi campeão da Fórmula 3 pela Trident. Na F3, estabeleceu o recorde de cinco pole em uma mesma temporada, além de vencer quatro corridas principais.

A Ferrari também teve participação importante em seu desenvolvimento. Câmara integra a academia de jovens pilotos da fabricante italiana desde 2022 e vem sendo acompanhado pela estrutura tanto nas pistas quanto fora delas. A relação entre Ferrari e Haas, que trabalham juntas desde a entrada da equipe norte-americana na F1 em 2016, também contribuiu para aproximar o brasileiro da oportunidade.

Além do desempenho esportivo, o interesse comercial associado à presença de um piloto brasileiro representa outro fator que pode tornar a contratação atraente para a equipe. Ainda assim, a promoção envolve riscos: Câmara não tem experiência em um fim de semana de Grande Prêmio com um carro atual da Fórmula 1.

Haas aposta novamente em um jovem talento

A escolha de Câmara também passa pela experiência recente da Haas com Oliver Bearman. O britânico, igualmente integrante da Academia da Ferrari, estreou pela equipe em 2025 e apresentou evolução em sua segunda temporada, especialmente na velocidade em voltas rápidas e na condução durante as corridas.

Bearman alcançou o quinto lugar como melhor resultado em 2026, na China, e soma 23 pontos no campeonato, contra sete de Ocon. Os números ajudam a explicar por que Komatsu pretende manter o britânico para a próxima temporada.

Embora a Haas ainda não tenha anunciado oficialmente o nome do segundo piloto para 2027 no material divulgado pela equipe norte-americana, Bearman é o favorito a permanecer, desta forma, a equipe terá dois pilotos que foram formados pela Academia de Pilotos da Ferrari, aumentando o vínculo com o time italiano. A expectativa é de que restem apenas detalhes contratuais antes de um novo acordo.

A Ferrari também estaria satisfeita com a evolução do britânico e gostaria que ele continuasse na Haas por enquanto. Uma possível promoção à equipe italiana permanece como perspectiva para o futuro, dependendo de seu desenvolvimento e das oportunidades disponíveis.

Brasil terá dois representantes no grid

Com a chegada de Câmara, o Brasil contará com dois pilotos na Fórmula 1 em 2027, ao lado de Gabriel Bortoleto. A presença de dois representantes brasileiros reforça a expectativa em torno da nova geração do automobilismo nacional.

O país será novamente representado por dois pilotos do Brasil, algo que aconteceu pela última vez em 2016, quando Felipe Massa defendia a Williams e Felipe Nasr estava na Sauber.

Para Câmara, o desafio será transformar os resultados das categorias de base em desempenho na F1. A adaptação à complexidade dos carros, aos pneus, às estratégias e à dinâmica de um fim de semana de Grande Prêmio exigirá uma nova etapa de aprendizado.

A Haas, por sua vez fornecerá tempo para que o brasileiro se prepare, afinal, ofereceram para o competidor um contrato de múltiplos anos. O time norte-americano, aposta que o talento demonstrado pelo pernambucano e o ambiente de desenvolvimento construído com Bearman poderão ajudar a prepara-lo para o campeonato.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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