O argentino Franco Colapinto fez um apelo público aos próprios torcedores para que parem de atacar outros pilotos e integrantes das equipes nas redes sociais. Segundo o piloto da Alpine, as ofensas feitas por fãs que acreditam estar defendendo-o acabam produzindo o efeito contrário, pois prejudicam sua imagem e podem comprometer suas perspectivas futuras na Fórmula 1.
A manifestação ocorre após uma série de episódios de hostilidade envolvendo pilotos e membros da categoria nos últimos dois anos. Desde que Colapinto assumiu uma vaga titular na Alpine, em maio de 2025, a equipe precisou publicar comunicados em pelo menos quatro ocasiões para condenar ataques nas redes sociais. Entre os casos mais recentes estão incidentes envolvendo os pilotos da Haas, em abril, e Lando Norris, no mês passado.
Em um vídeo publicado em espanhol, Colapinto agradeceu pelo apoio recebido desde o início de sua carreira, mas pediu que os fãs não confundam lealdade com agressividade.
“Olá a todos, há algo muito importante que preciso conversar com vocês há algum tempo”, disse Colapinto em um vídeo publicado em espanhol, com o intuito de falar diretamente com a torcida argentina.
“Provavelmente deveria ter falado com vocês antes, mas isso é algo que precisa ser abordado, algo que precisamos mudar e melhorar.”
“Serei eternamente grato e me sinto verdadeiramente sortudo por ter tido o apoio de todos vocês desde o início. Sou grato por todo o apoio que me dão, por me ajudarem a alcançar resultados e por me incentivarem constantemente a almejar mais.”
“Vocês me ajudam, e à equipe, a alcançar nossos resultados, corrida após corrida, dia após dia, enquanto treinamos e buscamos melhorar. E sou genuinamente grato por tudo isso. Sei que vocês ficam incrivelmente orgulhosos quando as coisas vão bem para mim, quando marco pontos para mim e para a equipe. E sempre fui muito grato por esse apoio.”
“Mas às vezes, passamos dos limites. Em vez de me apoiarem, acabamos criticando e atacando outros pilotos, outros colegas, meus companheiros de equipe, meus mecânicos, meus engenheiros – pessoas com quem trabalho todos os dias. Eu sei que vocês acham que estão me defendendo, mas na verdade estão fazendo o contrário. Vocês não estão me ajudando nem ao meu futuro.”
O argentino reconheceu que parte dos torcedores acredita estar defendendo-o ao atacar adversários, mas destacou que esse comportamento produz o efeito contrário.
Colapinto também ressaltou a importância do apoio recebido nos momentos positivos, como quando conquista pontos para si e para a equipe. A mensagem, portanto, não foi uma rejeição à torcida, mas um pedido para que a demonstração de apoio não se transforme em perseguição a outras pessoas do paddock.
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O episódio mais recente ganhou força após o GP do Azerbaijão, quando Colapinto provocou um acidente envolvendo vários carros durante uma relargada. Norris, que acabou envolvido na colisão, chegou a dizer que certos pilotos não deveriam estar na Fórmula 1. Porém, com cabeça fria, o britânico pediu desculpas para Colapinto e também fez uma publicação para dizer que já tinha se resolvido com o piloto da Alpine.
A repercussão foi acompanhada por uma onda de ataques direcionados ao britânico nas redes sociais.
Na etapa seguinte, na Malásia, Colapinto já havia comentado o problema e pedido que os pilotos tivessem cuidado com declarações capazes de alimentar a hostilidade virtual. Na ocasião, também defendeu que todos contribuíssem para conter esse tipo de comportamento.
Os ataques, porém, não se limitaram a adversários. Integrantes da Alpine também foram alvo de mensagens ofensivas, incluindo o companheiro de equipe Pierre Gasly e pessoas próximas ao francês. A sequência de episódios levou a equipe a se posicionar publicamente em diferentes momentos da temporada.
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O apelo acontece em um momento importante para a carreira do argentino. Em agosto, a Alpine confirmou a renovação de seu contrato por mais uma temporada, garantindo sua permanência na equipe em 2027. Aos 23 anos, Colapinto vive sua temporada mais produtiva na categoria, com pontos conquistados em oito corridas, domando 27 pontos, contra 41 de Gasly.
Não é a primeira vez que as equipes precisam soltar notas de repúdio, tentando conter a ação em massa dos fãs. Além disso, outras situações envolvendo a torcida argentina também já chamaram a atenção, como aquelas observadas com Agustín Canapino na Indy Car, quando ainda era piloto da Juncos.
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