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Chuva, estratégia e ousadia: Evans triunfa em Miami em corrida caótica da Fórmula E

Em prova marcada por pista encharcada, Safety Car, múltiplas trocas de liderança e uso decisivo do MODO ATAQUE, neozelandês impõe controle absoluto nas voltas finais

A corrida em Miami começou sob um cenário desafiador. Com a pista molhada e sem qualquer rodagem prévia em condições de chuva, o pelotão foi conduzido atrás do Safety Car Porsche Taycan Turbo GT nas voltas iniciais. Apenas após cinco giros de neutralização, a prova ganhou contornos mais definidos, com uma largada parada que concentrou as atenções na Curva 1, onde os líderes disputaram espaço palmo a palmo.

Nico Müller manteve a dianteira nesse primeiro embate, mas Felipe Drugovich não tardou a lançar mão de sua primeira ativação do MODO ATAQUE, com impulso extra de 50 kW e tração integral. A estratégia surtiu efeito imediato, permitindo ao brasileiro assumir a liderança poucas curvas depois, mesmo com a pista ainda completamente encharcada.

Na sequência, Müller e Nyck de Vries ativaram o recurso estratégico uma volta mais tarde, enquanto Eriksson e Wehrlein o fizeram na oitava passagem. Na volta 9, a liderança voltou a mudar, com Müller e de Vries superando Drugovich durante a sobreposição de seus períodos de MODO ATAQUE. Pouco depois, na volta 11, o piloto da Andretti reagiu, ultrapassando de Vries para retomar a segunda posição, antes de superar Müller no Setor 1 e reassumir a ponta da corrida.

As condições seguiam traiçoeiras, com aderência mínima. António Félix da Costa foi o próximo entre os líderes a apostar no MODO ATAQUE e, beneficiado pela tração integral, levou seu Jaguar ao top 3 na volta 17. Com um minuto ainda restante de seu impulso extra, o português transformou a segunda posição em liderança na saída da última curva.

Jake Dennis? Não — foi Mitch Evans quem emergiu com força. O neozelandês seguiu o exemplo do companheiro de equipe e ativou sua primeira dose de MODO ATAQUE, escalando rapidamente desde o fundo do top 10 até o terceiro lugar, em mais uma demonstração do valor estratégico da tração integral naquele cenário adverso.

Na volta 24, da Costa liderava por margem mínima, seguido de Müller, Evans, Drugovich, de Vries, Wehrlein, Eriksson, Mortara, Martí e Maloney. A tensão aumentou no grampo, onde Müller retomou a liderança e conseguiu se manter à frente na Curva 1 seguinte, enquanto da Costa e Evans travavam intensa disputa pela segunda posição. Evans levou a melhor ao contornar a Curva 1 por fora na volta 26 e passou a pressionar Müller pela liderança.

O momento decisivo, porém, veio com drama. Com a chuva se intensificando, Drugovich tocou no carro de da Costa, provocando um rodopio do português, que caiu para a sexta posição. O brasileiro foi obrigado a ir aos boxes para reparos, deixando definitivamente a briga pelas primeiras posições.

Ao fim da volta 27, Evans protagonizou uma manobra de alta classe ao enganar Müller e assumir a liderança nas curvas finais, enquanto de Vries herdava a terceira colocação. Com a corrida se aproximando do desfecho, Evans abriu vantagem de 1s5 na volta 30, mas ainda havia uma incógnita: todos os pilotos do pelotão precisavam realizar a segunda ativação do MODO ATAQUE.

Wehrlein foi o primeiro do top 10 a cumprir essa etapa, acionando um período de quatro minutos com impulso de 50 kW. Müller respondeu na volta 34 para se proteger, enquanto Wehrlein subia para terceiro e Müller reassumia a segunda posição, pouco antes de Evans ativar seu próprio MODO ATAQUE.

A sobreposição foi administrada com precisão cirúrgica. Evans ampliou a vantagem para 2s5 com duas voltas restantes, deixando Müller e Wehrlein a distância segura. Sem cometer erros, manteve o controle absoluto até a bandeira quadriculada, confirmando uma vitória impecável em Miami, à frente de Müller e Wehrlein.


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Rubens Gomes Passos Netto

Editor chefe do Boletim do Paddock, me interessei por automobilismo cedo e ao criar este site meu compromisso foi abordar diversas categorias, resgatando a visão nerd que tanto gosto. Como amante de podcasts e audiolivros, passei a comandar o BPCast desde 2017, dando uma visão diferente e não ficando na superfície dos acontecimentos no mundo da velocidade. Nas horas vagas gosto de assistir a filmes e séries de ação, ficção científica e comédia. Atuando como advogado, também gosto de fazer análises e me aprofundar na parte técnica.

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