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Parte 2 – Os pneus da Fórmula E

Rachael Patterson, Técnica de Pneus da Mahindra Racing, continua explicando sua rotina com exclusividade ao Boletim do Paddock

Na segunda parte do tópico “Os pneus da Fórmula E”, Rachael Patterson continua explicando as principais etapas do seu trabalho como Técnica de Pneus da Mahindra Racing e comenta as maiores semelhanças entre os compostos da categoria e dos carros de rua.

PONTO CRUCIAL

Dentre os diversos pontos a que Patterson precisa se ater, existem aqueles cruciais: “A Michelin definiu uma pressão mínima dos pneus e em nenhum momento quando o carro está funcionando a pressão dos pneus deve cair abaixo disso. 

“As consequências podem resultar na desclassificação da corrida, o que nunca deve acontecer. 

“Também estou plenamente ciente de que quando preparo os pneus, estou me certificando de que estou satisfeita com o estado deles. Os pneus podem ser danificados facilmente se entrarem em contato com outro carro ou com a parede, então é meu trabalho me certificar de que estou feliz com o pneu que piloto continuar, fazendo as verificações necessárias com a Michelin e os engenheiros”.

Por isso, ela afirma que “A parte mais importante do meu trabalho é ouvir o meus engenheiros e trabalhar com eles”

Falando em pilotos, Rachael avalia que a maior dificuldade deles em relação aos pneus é nas sessões antes das corridas: “Acho que a parte mais difícil para o piloto no fim de semana é administrar o uso dos pneus até a qualificação”. 

Foto: Spacesuit Media (Lou Johnson)

“O piloto tem que forçar e aprender o circuito, mas tem que ter em mente que ele precisa manter seus pneus em boas condições, pois vai precisar deles para o quali. 

“Para a corrida, o desafio é obter o equilíbrio certo entre obter o nível certo de regeneração e não aquecer demais/derrapar os pneus”.

DESEMPENHO E EFICIÊNCIA

A Michelin está na terceira geração de pneus desenvolvida exclusivamente para a Fórmula E. Não só o desempenho foi mantido ao longo dos anos como também houve uma redução no número de pneus necessários para o andamento das corridas.

O denominado MICHELIN Pilot Sport EV2 é a terceira e atual geração do composto criado pela Michelin que oferece uma melhoria significativa em sua eficiência energética. Essa versão avançada economiza mais de 9kg de matérias-primas por conjunto de pneus em comparação com o modelo original e é utilizada desde a 3ª temporada (2016/17).

Isso sem comprometer o desempenho de aderência, duração do uso e eficiência energética que é o objetivo maior de qualquer equipe na Fórmula E, por isso os pneus são altos e estreitos, assim gastam menos energia.

“O peso do pneu também é uma parte crítica da eficiência para reduzir a massa total e, particularmente, a massa não suspensa. O fato de esses carros com grande avanço no desempenho serem capazes de durar um fim de semana de corrida inteiro com dois jogos de pneus é bastante impressionante”, afirma Rachael.

Raras foram as ocasiões de furos ou desgaste de pneus ao longo de seis temporadas, mesmo com o alto contato entre os carros. 

Informações sobre os pneus da Fórmula E – Imagem: Boletim do Paddock

SOLUÇÕES CONECTADAS – PISTAS E RUAS

Rodas de 18 polegadas tornaram-se uma característica comum de carros de rua e isso facilita a transferência tecnológica e a implementação de políticas da marca como a “da pista para a rua” seguindo a estratégia “tudo sustentável”.

“O fato de a Fórmula E usar um pneu para todas as condições meteorológicas, que é muito próximo de um pneu que você pode comprar para seu carro de rua, é o que mais aproxima a Fórmula E dos carros comuns”, ela afirma. 

“São pneus de 18 polegadas que são muito semelhantes em tamanho e peso aos pneus de seu carro de rua, ao contrário dos grandes pneus slicks de 13 polegadas usados em outras categorias do automobilismo”, completa Patterson.

Um dos exemplos de tecnologia desenvolvida para a Fórmula E e adaptada aos produtos ofertados ao mercado automotivo é um sensor embutido nos pneus que monitoram a pressão automaticamente, sem intervenção humana. Os dados coletados são transmitidos diretamente para a FIA de forma criptografada. 

Esse sistema atende a um requisito do regulamento técnico do campeonato, outros benefícios da Fórmula E para a Michelin são:

  • Incubar e desenvolver soluções conectadas em condições extremas para o benefício dos atuais e futuros clientes da marca,
  • Ampliar a aquisição e análise de dados para aplicá-los a outros campos e responder às demandas do consumidor e do mercado. 

LEIA MAIS: Parte 1 – Os pneus da Fórmula E

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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