Após o grande início da Mercedes na temporada 2026, confirmando todas as apostas que foram realizadas ainda na pré-temporada, a fabricante de motores está envolta em novos questionamentos relacionados a sua unidade de potência. McLaren e Williams manifestaram publicamente a insatisfação com a forma como as informações sobre os novos motores estão sendo compartilhadas pela fabrica alemã.
A equipe de Woking, teve um fim de semana totalmente apagado na Austrália, enquanto a Williams tem enfrentado vários problemas, dificultando o seu desenvolvimento para coleta e dados.
A insatisfação de ambos os times surge, por conta da diferença de cenário entre as equipes clientes da Mercedes. Atualmente a fabricante atende Williams, McLaren e Alpine; a segunda equipe vindo da conquista dos dois últimos Mundiais de Construtores.
Andrea Stella, chefe de equipe da McLaren comentou que a postura da Mercedes High Performance Powertrains (HPP) tem sido um tanto reativa, diferente da colaboração proativa que eles esperavam. No modelo de trabalho atual, os engenheiros da equipe de Woking, só podem analisar o desempenho depois que o carro entra em pita, o que limita a capacidade do time para simulações e as evoluções constantes esperadas no cenário da competição.
Entre as reclamações da McLaren, também estão atrasos na entrega dos mapas de telemetria detalhados, dificuldade em calibrar o software de simulação pré-corrida, limitações no conhecimento sobre o limite de desempenho do sistema híbrido e diferença notável entre a exploração de energia pela equipe fabricante e dos clientes.
Os fabricantes de motores na Fórmula 1 são obrigados a oferecer o mesmo hardware, mas o embate entre os clientes e os fornecedores têm focado na parte de desempenho que está ligada à forma como o sistema híbrido da unidade de potência tem sido operado. A McLaren acredita que está ainda nos estágios iniciais para compreender e extrair o potencial dos motores entregues pela Mercedes.
“O que eles estão fazendo demonstra que entendem muito mais, e talvez o fluxo de informações não tenha sido tão intenso quanto o esperado”, disse Stella.
“A discussão com a HPP sobre a necessidade de mais informações já dura semanas”, disse ele. “Porque mesmo nos testes, nós basicamente íamos para a pista, ligávamos o carro, analisávamos os dados e pensávamos: ‘Ah, é isso que temos – ótimo, agora temos que reagir ao que temos’.”
“Mas não é assim que se trabalha na Fórmula 1. Na Fórmula 1, o que acontece na pista, você simula [antes], você sabe o que está acontecendo, você sabe o que está programando, você sabe como o carro vai se comportar.”
“Então, você também tem seus planos de como evoluir o carro, planos que já definiu porque sabe o que esperar dele. Devo dizer que, como somos uma equipe voltada para o cliente, esta é a primeira vez que nos sentimos em desvantagem, mesmo quando se trata da capacidade de prever o comportamento do carro e de antecipar como podemos melhorá-lo.”

Do lado da Williams, James Vowles, que deixou a Mercedes para se juntar à Williams em 2022, disse que também esperava que o departamento de motores da Mercedes fosse mais transparente em relação à sua unidade de potência líder da categoria.
“Eu já esperava isso até certo ponto, sim. Por isso disse que fui pego de surpresa ontem. Não é uma porta aberta, como você poderia imaginar, porque é aí que se encontra o talento. Portanto, cabe a nós tentar contornar a situação.”
“Temos que reconhecer que nós, da Williams, não temos a mesma sofisticação que eles têm em outras tecnologias, e definitivamente a responsabilidade é nossa. Eu diria que o inverso também é verdadeiro: eles possuem algum conhecimento intrínseco que nós não temos. E cabe a nós descobrir como desenvolvê-lo.”
Antes do início dos testes de pré-temporada, já se falava de uma possível vantagem que a Mercedes teria comparada com as equipes rivais, por conta da taxa de compressão.
Agora o que surge é esse questionamento feito pelas próprias equipes clientes. Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, defendeu a abordagem da empresa em relação aos clientes, mas também rivais.
“Estou muito feliz. A integração, a unidade de potência e o chassi funcionaram bem”, falou à Sky F1.
“Você pode ver também a Ferrari, que é uma estrutura integrada, e a Audi, também como equipe de fábrica, que tem certas vantagens, porque você aprende cedo.”
“Mas o que realmente me deixa satisfeito é o desempenho do carro. Quer dizer, você vê nas câmeras onboard, o carro está impecável, e a maior parte do tempo ganho por volta foi nas curvas.”
Wolff atribui a diferença que os rivais têm sentido, ao trabalho que eles fizeram no desenvolvimento aerodinâmico.
“Cada um tem um conceito diferente”, disse Wolff. “Com a McLaren, sem entrar em detalhes, eles tomaram algumas decisões muito diferentes das nossas, por exemplo, em relação às relações de transmissão. Então, isso pode ter sido bom ou ruim.”
“Mas é um carro totalmente novo. São as equipes de fábrica que estão na frente, mas é só uma questão de tempo, porque você vê o que os outros estão fazendo. Você tem exatamente o mesmo hardware, exatamente o mesmo software.”
“Mas nesse caso, qual a melhor maneira de simular isso? E não tenho dúvidas de que a McLaren é uma equipe formidável, que em breve estará na briga pela liderança.”
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