Interlagos ontem e hoje

| Cristiano Seixas – publicado em 03 de novembro de 2015, às 18:12

Curva 1, Curva 2, Retão, Curva 3, Curva 4, Ferradura, Subida do Lago, Reta Oposta, Curva do Sol, Sargento, Laranja, Pinheirinho, Bico de Pato, Mergulho, Junção, Curva do Café e Subida dos Boxes.

Acabamos de dar uma volta no velho traçado de Interlagos, que diga-se de passagem era magnífico, um dos melhores do mundo em sua época, mas que acabou se tornando obsoleto com evolução da velocidade das máquinas e exigências de segurança.

Quem teve a oportunidade e o prazer de pilotar no lendário traçado de 8 kms da pista paulistana acaba desprezando um pouco o traçado atual de pouco mais de 4 kms.

O traçado antigo era fantástico, desafiador, excitante? Sim.

Mas infelizmente o tempo passou e pista foi engolida por vizinhos urbanos; residências, indústrias e comunidades carentes são vizinhas do autódromo mais famoso do Brasil.

O que quero dizer com isso? Que a reforma feita no inicio de 1990 para trazer de volta a Fórmula 1 à São Paulo e que sepultou, provavelmente para sempre, o traçado original, foi necessária para que a pista, que estava abandonada renascesse.

Já imaginaram se Interlagos tivesse tido o mesmo triste fim de Jacarepaguá? Se fosse apenas uma saudosa lembrança em fotos e videos? Por estar em uma área urbana densamente povoada não há espaço para se aumentar as áreas de escape. Quem conhece o traçado antigo sabe bem que a área de escape da antigas curvas 1 e 2 eram tão pequenas quanto a da Tamburello de Imola, a curva 3 então, termina em um muro, por fim a curva do sol e o café sofrem do mesmo problema.

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A antiga Curva 1 (Fonte: @Tumblr)
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A antiga Curva 3  (Fonte: @Tumblr – Carlos Banesso)

A proposta inicial de reforma feita por Chico Rosa, previa a construção de um chicane similar a bus stop no final do retão e uma ligação antes da ferradura com a subida do lago, que passaria a ser descida do lago (como é atualmente), fazendo o laranja e o restante como sempre foi; esse projeto preservava o traçado original, mas Bernie Eclestone não aceitou e nasceu então o famoso S do Senna, o resto é historia.

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Proposta de Chico Rosa (Fonte: @Tumblr)

Creio que o autódromo José Carlos Pace poderia ter tido o mesmo fim que Jacarepaguá, que foi extinto, ou teria ficado relegado ao abandono como Brasília, não oferecendo condições minimas de segurança sequer para as provas nacionais, e claro estaria totalmente fora do calendário de qualquer categoria internacional.

Como uma singela sugestão, pediria apenas a administração do autódromo que preservasse o que restou do traçado antigo, curvas 1 e 2, o retão e a reta que chegava à ferradura, como uma homenagem aos pilotos que desafiaram as retas e curvas do lendário traçado, como Chico Landi, Luiz Pereira Bueno, Bird Clemente, Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Zeca Giaffone, Fabio Sotto Mayor, Alfredo Guaraná Menezes, Juan Manuel Fangio, Nelson Piquet, Niki Lauda, Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson, Clay Regazzoni, Jean Pierre Jarier, Carlos Reutemann, Jacky Ickx, Mario Andretti, Henri Pescarolo, e tantos outros que fizeram historia nesta pista; uma homenagem também as lendarias equipe Willys e Vemag que tantos bons nomes revelaram ao automobilismo nacional.

O tempo passou novamente e uma nova reforma nos boxes e para expansão da área do paddock fez-se necessária; que possam também em breve fazer a reforma para criar área de escape na curva do café.

Vida longa à Interlagos.

Efemérides:

até o final dos anos 60 o grid de largada e o que se podia chamar de boxes inicialmente ficava logo após a curva do café.

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Grid de largada na década de 50 (Fonte: @Tumblr)

o primeiro vencedor de Interlagos, Nascimento Jr 12 de maio de 1940 com Alfa Romeo;

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(Fonte: @Tumblr)

GP Brasil 1973 , vista do atual setor A;

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(Fonte: @Tumblr)

o magnifico retão

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(Fonte: @Tumblr)

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca

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