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IndyCar avança na renovação com Honda e Chevrolet e projeta nova geração de motores até 2030

Acordo iminente garante fornecimento exclusivo, introduz V6 híbrido 2.4 biturbo em 2028 e busca restaurar confiança após turbulências políticas e técnicas

Nos corredores discretos onde se decidem os destinos das corridas antes mesmo de a bandeira verde tremular, a IndyCar aproxima-se de selar um pacto que pode redefinir a sua próxima década. A categoria prepara o anúncio da renovação com suas duas únicas fornecedoras de unidades de potência, Honda e Chevrolet, encerrando um período de incertezas que, mais do que técnicas, foram políticas e simbólicas.

A notícia, antecipada pela revista Racer, aponta para um acordo que deverá vigorar até 2030. Não se trata apenas de uma extensão contratual; é, antes, um gesto de sobrevivência e de projeto. Em um campeonato que se equilibra entre tradição e necessidade de modernização, garantir a permanência das duas montadoras significa preservar o coração mecânico da competição enquanto se desenha o futuro.

Esse futuro tem data e especificação: 2028. A partir daí, os atuais V6 2.2 litros biturbo híbridos cederão lugar a unidades V6 2.4 litros biturbo híbridas, inseridas em um pacote técnico mais amplo que inclui também a estreia de um novo chassi. A promessa é de um produto mais atual, capaz de seduzir novas fabricantes e reposicionar a IndyCar no mapa tecnológico do automobilismo.

Mas a travessia até esse anúncio não foi serena. Entre as duas montadoras, a Honda foi a que mais vocalizou desconfortos. Sua divisão norte-americana de competição questionou publicamente a condução da categoria sob a gestão de Roger Penske, apontando custos elevados, retorno limitado e dúvidas quanto à estrutura de governança. Pairava ainda a sombra de um potencial conflito de interesses: o mesmo Penske que comanda a IndyCar é proprietário da Team Penske e da Ilmor Engineering, responsável pelos motores Chevrolet.

O ambiente tornou-se mais denso após o episódio dos atenuadores modificados ilegalmente, revelado na classificação das 500 Milhas de Indianápolis deste ano. A controvérsia ganhou contornos mais graves quando surgiram indícios de que o dispositivo poderia já ter sido utilizado na edição de 2024, vencida por Josef Newgarden, piloto da equipe de Penske. Em um esporte onde a confiança vale tanto quanto a potência, o dano foi sobretudo moral.

Como resposta, a categoria avançou na criação de um órgão de fiscalização independente, medida destinada a restaurar credibilidade e afastar suspeitas de parcialidade. Paralelamente, discute-se a concessão de um charter específico para Honda e Chevrolet, permitindo projetos oficiais de fábrica, um movimento estratégico para consolidar o vínculo técnico e garantir compromisso no médio prazo.

Se confirmada, a renovação não será apenas um contrato: será uma tentativa de reconciliação entre engenharia, política e espetáculo. A IndyCar, fiel à sua natureza, busca novamente alinhar velocidade e legitimidade, para que o rugido dos motores em 2028 não ecoe apenas potência, mas também confiança.


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Rubens Gomes Passos Netto

Editor chefe do Boletim do Paddock, me interessei por automobilismo cedo e ao criar este site meu compromisso foi abordar diversas categorias, resgatando a visão nerd que tanto gosto. Como amante de podcasts e audiolivros, passei a comandar o BPCast desde 2017, dando uma visão diferente e não ficando na superfície dos acontecimentos no mundo da velocidade. Nas horas vagas gosto de assistir a filmes e séries de ação, ficção científica e comédia. Atuando como advogado, também gosto de fazer análises e me aprofundar na parte técnica.

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