Com dois dias de testes no Bahrein e agora com a presença da imprensa, os pilotos são perguntados constantemente sobre o que acharam dos novos regulamentos da categoria. Essa é uma das maiores mudança na Fórmula 1, pois além da alteração dos motores, também foi necessário realizar uma reformulação dos carros. Lewis Hamilton e Max Verstappen deixaram comentários que acendem um alerta sobre este novo regulamento.
Em um certo momento do ano passado, parecia que a Fórmula 1 não estava pronta para essa transição. Vários detalhes de ambos os regulamentos demoraram para ser definidos, com as equipes explicando constantemente à FIA o que dava ou não para ser feito.
A categoria segue em busca de ampliar a competitividade, ter mais montadoras parceiras, carros mais leves que facilitem as disputas em pista, a necessidade de uma categoria mais verde e se inserir em novos mercados.
Só que no meio de todo esse debate, surgiu a conversa que a categoria deveria retornar para os motores V8; mas seria um verdadeiro tiro no pé, já que parte das montadoras que decidiram entrar na categoria, estavam interessados na proposta inicial para 2026, tinham investido dinheiro e tempo de pesquisa para os motores com divisão 50/50 – combustão e elétrica. Não era uma opção deixar isso para trás ou se quer permanecer com os motores de 2025 e fazer uma alteração em mais alguns anos.
O resultado de tudo isso, temos acompanhado nos testes do Bahrein, quando a imprensa de fato conseguiu acesso aos times e os pilotos. Em Barcelona, com o Shakedown de portas fechadas – as equipes tentaram não passar uma ideia errada sobre os problemas iniciais e o desafio com o desenvolvimento.

O heptacampeão mundial, Lewis Hamilton, está passando por uma nova transição regulamentar na categoria, mas agora com a Ferrari. O piloto não gostou muito das regras de efeito-solo e enfrentou alguns problemas de adaptação na última era regulamentar, então ele de certa forma está ansioso para que os novos carros sejam a chance de voltar ao mais alto nível.
No entanto, Hamilton fez questão de destacar que os atuais carros, apesar de “divertidos”, são mais lentos do que aqueles guiados entre 2022 e 2025. Para o piloto, eles pareciam mais lentos que os Fórmula 2.
A pole no ano passado no Bahrein foi de Oscar Piastri, na casa de 1m29s841, enquanto a pole na F1 ficou em 1m44s008, obtida por Leonardo Fornaroli. Os tempos de volta no Bahrein do primeiro dia de testes comandado por Lando Norris foi de 1m34s669 – cerca de 9 segundos de diferença entre o F1 da pré-temporada, para o tempo do F2 do ano passado no mesmo circuito.
“O carro é menor, mais leve e, na verdade mais fácil de controlar. É divertido, parece muito com o rali. Mas acho que estamos mais devagar que a GP2 [atual F2] agora. É a sensação que temos”, disse Hamilton durante a coletiva de imprensa nesta última quarta-feira.
Fazendo um comparativo direto com a sessão que tiveram em Barcelona, em condições mais frias, onde eles reclamaram da falta de aderência e dificuldade para fazer o aquecimento dos pneus, com aquilo que se depararam no Bahrein, Lewis disse:
“Barcelona não foi tão ruim, mas aqui, tem muito mais poeira, é muito mais quente… então é muito mais difícil encontrar o balanço ideal. Lá, são cerca de 600 metros de lift and coast (técnica para fazer o gerenciamento de energia, pneus, combustível) em uma volta de classificação, o que é muito comum. Aqui, não conseguimos fazer isso, porque já uma zona de frenagem, então isso definitivamente não ajuda.”
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Durante a última hora de testes – exibidos pela F1TV nesta semana, é possível observar os pilotos enfrentando dificuldade para completar algumas curvas do circuito, especialmente a curva 10.
Hamilton também abordou a complexidade que o sistema de recuperação de energia trouxe para os carros de 2026.
“Nenhum dos fãs irá entender, é ridiculamente complexo. Tive sete reuniões em um dia e eles [engenheiros] nos explicaram como funciona. Eu não sei, parece que precisamos de um diploma para entender tudo”, afirmou.
“Em termos de gerenciamento eu diria que é bem simples. Talvez em ritmo de corrida seja diferente, como dá para ver. Mas também existe um sistema que pode, automaticamente, assim que você termina uma volta, aprender a forma como você está pilotando”.
“Mas, por exemplo, se você trava a roda e sai da pista, como isso aumenta a distância percorrida, acaba afetando aquele algoritmo. Então estamos apenas tentando dominar isso e entender melhor, mas todo mundo está no mesmo barco”, finalizou.

Max Verstappen também foi para pista no primeiro dia de testes no Bahrein, o tetracampeão mundial afirmou que os novos carros “não são divertidos de pilotar” e comparou a Fórmula 1, com a categoria elétrica: “Parece a Fórmula E com esteroides”.
“Para ser honesto, pilotar esses carros, não é muito divertido”, disse ele. “Eu diria que a palavra certa é gestão. Não é muito parecido com a Fórmula 1. Parece mais uma Fórmula E com esteroides. Mas as regras são as mesmas para todos, então você tem que lidar com isso.”
“Como piloto, gosto de pilotar no limite, e no momento não dá para fazer isso. Muita coisa acontece. Muitas das minhas ações como piloto, em termos de controle, têm um impacto enorme no consumo de energia. Para mim, isso simplesmente não combina com a Fórmula 1. Talvez seja melhor pilotar na Fórmula E, não é? Porque lá tudo gira em torno de energia, eficiência e gerenciamento.”
Nesta última hora que a categoria tem exibido, é possível observar que em um circuito com tantas retas como o Bahrein, a potência dos carros acaba antes do término da reta principal, com a velocidade caindo vertiginosamente.
Ainda no ano passado, essa preocupação fora levantada e o quão difícil será realizar algumas corridas em circuitos que não tem um bom desenho para trabalhar a recuperação de energia. No entanto, essa ação faz mais parte dessa nova Fórmula 1 atual, principalmente após adicionarem o botão de ultrapassagem e o boost.
“Estamos com falta de energia. Eu só quero dirigir normalmente, como deveria ser, sem ter que ficar pensando: ‘Ah, se eu frear um pouco mais, ou menos, ou subir ou descer uma marcha…’. Isso impacta muito o desempenho nas retas. Além disso, a aderência está bem baixa com esses pneus e a configuração do carro. É um grande retrocesso em relação ao que era antes.”
“Honestamente, acho que a proporção do carro está boa. Esse não é o problema. É todo o resto que, para mim, é um pouco anti-corrida. Provavelmente as pessoas não ficarão felizes em me ouvir dizer isso agora. Mas eu sou franco e por que não posso dizer o que penso do meu carro de corrida? Não posso evitar”, Verstappen foi categórico.
“Por outro lado, também sei o quanto de trabalho tem sido feito nos bastidores. Também na parte dos motores, para a equipe. Então, nem sempre é a coisa mais agradável de se dizer. Mas também quero ser realista como piloto, em relação aos sentimentos.”
“Eu também sei o que está em jogo para a equipe; nosso próprio motor e a empolgação das pessoas. É claro que, quando entro no carro, sempre dou o meu melhor. Eles sabem disso. O nível de empolgação não é tão alto assim para pilotar.”
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