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Ferrari sob desconfiança pode frustrar Hamilton e preservar recordes históricos de Senna

Johnny Herbert questiona força real da equipe italiana e aposta que escuderia não brigará pelo título da Fórmula 1

O brilho exibido pela Ferrari nos ensaios de pré-temporada pode ter encantado olhos apressados, mas, para o experiente Johnny Herbert, cautela é palavra de ordem. Em entrevista à plataforma Snabbare, o ex-piloto lançou dúvidas sobre o real alcance técnico da escuderia de Maranello para 2025, projetando um cenário que pode impedir Lewis Hamilton de ameaçar marcas históricas de Ayrton Senna.

Senna permanece soberano nas ruas do Principado. É o maior vencedor do Grande Prêmio de Mônaco, com seis triunfos, além de ostentar a impressionante sequência de cinco vitórias consecutivas entre 1989 e 1993, façanha que atravessa décadas como símbolo de domínio absoluto.

Herbert, no entanto, enxerga nos testes um palco de ilusões estratégicas.

Será que a Ferrari é tão rápida quanto parece? Eles estão realmente rápidos ou é só porque as outras equipes ainda não mostraram tudo o que têm? Eu acho que é mais a segunda opção. Se você tem algo muito bom, você esconde, não sai mostrando tudo.”

O britânico pondera que elogios de Hamilton ao novo carro não representam, por si só, a garantia de um pacote capaz de impor superioridade.

Mostrar velocidade nos testes é positivo, principalmente porque os comentários do Lewis foram positivos. Mas sentir que o carro está mais próximo do que ele gosta não significa que seja um carro vencedor. Pode ser mais fácil de pilotar, mas não necessariamente o mais rápido.”

A memória recente serve de argumento. Herbert recorda o entusiasmo gerado quando Charles Leclerc despontou como o mais veloz nos testes de Barcelona no ano passado, desempenho que não se traduziu em supremacia ao longo da temporada.

Eles fizeram exatamente a mesma coisa com o Charles; ele foi o mais rápido no fim dos testes, mas não terminou a temporada como o mais rápido.”

Para o ex-piloto, evolução não basta. É preciso excelência inequívoca.

Melhorar não é suficiente. Tem que ser incrível. A única forma de vencer corridas e ganhar um campeonato é quando o carro é melhor do que todos os outros.”

Embora reconheça que o início do campeonato renova expectativas e coloca todos em condição de igualdade, Herbert mantém o ceticismo quanto às recentes mudanças estruturais em Maranello.

Houve mudanças na estrutura, mas será que é suficiente? Esse é o ponto de interrogação. Eles conseguiram criar o ambiente certo, com as pessoas certas? Eu não acho que a Ferrari vá brigar pelo campeonato. Acho que eles vão ficar em uma posição parecida com a do ano passado.”

Se o presságio se confirmar, Hamilton poderá ver escapar mais uma chance de escrever seu nome na galeria máxima de Mônaco, e os números eternizados por Senna seguirão intocados, preservados pela história e pela dificuldade quase mítica de superá-los.


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Rubens Gomes Passos Netto

Editor chefe do Boletim do Paddock, me interessei por automobilismo cedo e ao criar este site meu compromisso foi abordar diversas categorias, resgatando a visão nerd que tanto gosto. Como amante de podcasts e audiolivros, passei a comandar o BPCast desde 2017, dando uma visão diferente e não ficando na superfície dos acontecimentos no mundo da velocidade. Nas horas vagas gosto de assistir a filmes e séries de ação, ficção científica e comédia. Atuando como advogado, também gosto de fazer análises e me aprofundar na parte técnica.

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