Crônicas de Shakir

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Enfim uma briga entre Mercedes e Ferrari em condições normais de temperatura e pressão. Sem chuva, sem retardatários, somente performance e braço em jogo durante boa parte da prova. Como bônus, ainda vimos ambos pilotos da Red Bull querendo se envolver na briga pela vitória, até que seus freios e pneus ficaram pelo caminho após o primeiro stint.

As surpresas já começaram no sábado, com um cenário diferente sendo montado para a corrida do dia seguinte. Pela primeira vez no ano as Mercedes completaram a dobradinha no Qualifying, mas dessa vez Valtteri Bottas ocupava a posição de honra. A primeira pole do finlandês foi combustível para diversas teorias e conjunturas para a corrida, mas acima de tudo colocou Hamilton no lado sujo da pista para a largada, um fator decisivo para o começo do GP. Além disso, a Renault deu seus primeiros lampejos de performance, finalmente colocando seus dois carros no Q3, fato inédito desde seu retorno, provando que a briga no pelotão intermediário será imperdível.

Fonte: Motorsportstalk

No domingo diversas perguntas cercavam o grid, com um foco justificável em Valtteri. Seu ritmo na liderança era desconhecido, bem como sua postura diante de seu companheiro de equipe, e sua natureza nórdica disfarçava qualquer sinal de nervosismo, mas a profundidade dessa frieza era incerta. Além de todos esses fatores, a perspectiva de um terceiro vencedor diferente em três corridas era animadora e apimentaria ainda mais a temporada de 2017. Finalmente as luzes se apagaram e a vantagem do lado limpo ficou evidente, já que Hamilton e Ricciardo foram prontamente engolidos por seus rivais e a partir daí o palco estava montado para mais uma batalha entre os cavalos rampantes e as flechas de prata.

Bottas teve uma largada extremamente tranquila e se estabeleceu na 1ª posição, entretanto, a Ferrari de Sebastian Vettel crescia cada vez mais nos espelhos da Mercedes e uma ultrapassagem parecia iminente. O que primeiro parecia ser uma simples vantagem de performance da Ferrari, também estava sendo ajudada por um problema na calibragem dos pneus do finlandês, que batalhava para se manter na liderança sem danificar tanto a borracha que calçava. Essa confusão foi perfeita para os pilotos da Red Bull, que encostaram na briga pela liderança e começaram a ameaçar seriamente a 3ª posição de Lewis Hamilton. Em um piscar de olhos nos deparamos com uma fila de 5 pilotos de 3 equipes diferentes na briga pela ponta. Enquanto isso, Kimi ainda tentava se livrar da Williams de Felipe Massa, coroando sua temporada extremamente melancólica até o momento.

Fonte: Sutton Images

Os cinco primeiros se aproximavam cada vez mais e a Mercedes era exposta a um cenário desconhecido nos últimos anos. Dessa vez, a briga não era interna e a dobradinha estava longe de ser uma garantia. A presença de outros dois times no duelo obrigou a equipe alemã a sair da zona de conforto e buscar improvisos para conquistar a vitória. Curiosamente, a pressão foi forte demais e tanto equipe, quanto pilotos cometeram erros, Hamilton e Bottas foram pulados após a janela de pits e o inglês ainda recebeu uma punição de 5 segundos como bônus. Falhas, ordens de equipes e incertezas resultaram em dois degraus do pódio, ambos com sabor amargo, tanto para Hamilton, que perdeu a chance de brigar pela vitória, quanto para Bottas, que largou na Pole e só andou para trás durante a prova. Enquanto isso, no box italiano ao lado, a Ferrari desenhou a estratégia perfeita para a corrida de Vettel, que assumiu a liderança após o Safety Car e teve a vitória nas mãos sem sustos. Contudo, uma equipe não é feita de apenas um piloto, e ao mesmo tempo em que Vettel festejava e voava na liderança, Kimi amargurava uma 5ª posição, praticamente esquecido pela escudeira. O finlandês encontrou-se preso atrás da Williams de Felipe Massa em duas oportunidades, além de ter que lidar com mais uma escolha estratégica equivocada da equipe, fatores que vão frustrando cada vez mais a temporada do campeão mundial de 2007. Após o primeiro stint, a Red Bull voltou ao cargo de coadjuvante atribuído a ela em 2017, Verstappen abandonou com problemas de freio e Ricciardo apanhou de várias maneiras dos pneus, provando que o RB13 ainda não está redondo, mas pode vir a incomodar no final do ano. Ainda sim, foi bonito ver a briga na ponta do grid com tantos personagens de tantas equipes diferentes.

Fonte: Newshub.co.nz

  No selvagem pelotão intermediário, Felipe Massa estabeleceu mais uma vez seu domínio ante a concorrência, desde que não chova durante o final de semana. O brasileiro teve uma corrida relativamente calma e chegou a andar em 4º no meio da prova, terminando na tão querida 6ª posição. Já Lance Stroll segue em sua maré de azar, mesmo com uma corrida constante, o canadense teve que abandonar após ser atingido por um torpedo chamado Carlos Sainz. Falando no espanhol, a Toro Rosso teve o famoso “final de semana para esquecer” (Felipe Massa™), já que Sainz abandonou após obliterar o estreante da Williams e Kvyat não conseguiu extrair um ritmo de corrida decente de sua STR12 e acabou se envolvendo em batalhas pelas ultimas posições com Palmer e Alonso no temido pelotão do Afeganistão (Carlos Del Valle™), terminando a prova em 12º. Em meio a esse caos, Force India, Renault e Haas saíram de Shakir como beneficiárias. Os indianos, sustentados pela confiabilidade da pantera cor de rosa, pontuaram com os dois carros pela 3ª vez no ano, mesmo com Perez largando em 18º, assumindo a 4ª posição nos construtores merecidamente. Já os franceses finalmente acordaram em 2017. A primeira vista, conquistar apenas 2 pontos após colocar seus dois pilotos no Q3 não parece ser uma conquista tão heroica, mas para um time que somou incríveis 8 pontos em 2016, esse 9º lugar de Nico Hulkenberg tão cedo na temporada pode ser considerado uma vitória. Por fim, os americanos marcaram mais 4 pontos valiosos, dessa vez com Romain Grosejan, já que Kevin Magnussen não se encontrou no Bahrein, largando em último e saindo a francesa com problemas mecânicos no começo da prova. 

Fonte: XPBimages.com

Fechando o grid, Pascal Wehrlein voltou com sangue nos olhos e quase pontuou com a Sauber, trazendo ainda mais otimismo para a equipe suíça, que pode sonhar com pontos em situações extremas. O alemão não só calou os boatos de uma possível troca por Antonio Giovinazzi, como também se estabeleceu como primeiro piloto do time, colocando 0.7s e uma sessão de Qualifying entre ele e Marcus Ericsson. Entretanto, o pessimismo ainda impera na McLaren. Vandoorne sequer conseguiu largar e Alonso se viu envolvido em brigas com Palmer, Ericsson e Kvyat, enquanto já sonha com Indianápolis e conta os dias para a Indy 500. O casamento entre Macca e Honda parece estar perto de um fim, resta saber quem irá propôr o divórcio.

Com Sochi no horizonte, é hora de deixar Shakir no passado e começar a pensar no que o território russo pode nos trazer dia 30 de Abril, de todo modo, Lewis é mais uma vez o piloto com a obrigação de responder com uma vitória, ou esse campeonato pode começar a escapar das mãos do inglês.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.