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Audi vê chassi competitivo, mas reconhece déficit na unidade de potência

Sob comando de Mattia Binotto, o engenheiro comenta sobre os desafios de ser uma equipe de fábrica e produzir o próprio motor

A Audi estreou na temporada 2026 da Fórmula 1, após sofrer uma transição se utilizando da estrutura da Sauber. O time alemão inicia os seus primeiros capítulos como uma equipe de fábrica em meio aos desafios esperados, e outros nem tanto, dentro de um projeto ambicioso que mira do topo do grid até o final da década.

Sob o comando de Mattia Binotto, que construiu sua carreira na Ferrari, ele sabe que os desafios são múltiplos para ter uma equipe competitiva e que consiga atingir os seus objetivos no grid. A Audi tem mirado as primeiras posições e a chance de disputar títulos, mas dentro do time, existe o entendimento de que o projeto ainda está em fase de amadurecimento.

Apesar de um início irregular — incluindo dificuldades operacionais nas primeiras etapas, o desempenho em pista trouxe sinais positivos. O brasileiro Gabriel Bortoleto garantiu pontos logo na estreia do projeto, enquanto Nico Hülkenberg demonstrou consistência ao brigar próximo da zona de pontuação nas corridas seguintes.

Binotto destaca que o carro, especialmente no que diz respeito ao chassi, apresenta uma base sólida. No entanto, o principal gargalo está na unidade de potência — um desafio esperado para um fabricante estreante nesse novo ciclo técnico.

Audi R26 #27, Nico Hulkenberg – Foto: divulgação Audi

“Não há nada de fundamentalmente errado com o nosso carro e com o nosso projeto, o que é o mais importante, porque quando se tem um problema fundamental, é preciso corrigi-lo e resolvê-lo”, apontou o dirigente.

“Estamos gastando muita energia, tempo, capacidade e orçamento, dentro do limite disponível, para lidar com questões fundamentais. Embora eu acredite que não tenhamos problemas fundamentais, podemos nos concentrar em nossos projetos para avançarmos para as próximas etapas.”

Segundo o dirigente, a diferença de desempenho em relação às equipes de ponta está concentrada no motor, mas vai além da simples potência. Questões como eficiência energética, gestão do sistema híbrido e dirigibilidade ainda precisam ser refinadas. Problemas na entrega de potência e na suavidade das trocas de marcha, por exemplo, impactam diretamente o comportamento do carro em frenagens e acelerações.

“Também estamos cientes de que, se analisarmos o desempenho geral e a diferença para os melhores, o maior ganho de desempenho está na própria unidade de potência; portanto, a maior parte da nossa diferença de desempenho está na unidade de potência, o que não é nenhuma surpresa”, diz Binotto.

“Já esperávamos por isso. Sabemos o quão difícil é construir uma unidade de potência totalmente nova, então não é algo que nos surpreendeu. Não é algo que nos desaponta. Não, é um fato.”

“Sabíamos que esse seria o maior desafio. Tínhamos conhecimento que é aí que se tem o maior potencial de ganho em termos de desempenho, porque acho que a diferença é significativa, principalmente na unidade de potência, mas temos planos para desenvolvê-la.”

O novo regulamento da Fórmula 1, focado principalmente nos motores, foi encarado como uma oportunidade de atrair outras montadoras para competição. A Audi apresentou um interesse genuíno nas questões que envolvem a sustentabilidade, assim como a ampliação da importância da parte elétrica do motor. Nas fases de discussão sobre a construção das regras dos motores, a Audi também deixou clara as suas expectativas com relação as unidades de potência e aquilo que poderia ser desenvolvido.

A Audi tem ciência que existe a necessidade de continuar desenvolvendo o motor, mas essa não é a única preocupação da equipe para extrair desempenho do carro.

“Não se trata apenas de potência”, diz ele. “Trata-se de eficiência energética, de utilização da energia, mas também da dirigibilidade do próprio motor. Quando falamos de dirigibilidade, também nos referimos à troca de marchas, que está muito brusca para nós no momento.”

Em algumas entrevistas Gabriel Bortoleto, piloto brasileiro da Audi e companheiro de Nico Hülkenberg abordou a dirigibilidade do carro, alguns detalhes que ainda precisam de melhorias para tornar a experiência de guiar o equipamento melhor.

“O carro é instável na frenagem e na aceleração devido à baque da troca de marchas. Talvez a relação de transmissão não esteja correta. Há muita coisa a se considerar em termos de dirigibilidade, tanto quanto em desempenho puro”, falou Binitto.

“Acho que, se somarmos os dois fatores, entre desempenho e dirigibilidade, podemos chegar a um segundo por volta. Acredito que fizemos um bom trabalho com o carro em si, em termos de chassi. A maior parte da diferença vem da unidade de potência. Vamos conseguir.”

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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