Dia 04 de 365 Dias dos Mais Importantes do Automobilismo – 25 de Maio de 2008, Chove Chuva, Resta Um, “Não Deixa Morrer” e Sutil Inconsolável em Mais um Clássico GP de Mônaco

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  É difícil acreditar que a clássica temporada de 2008 ocorreu 9 anos atrás, por mais recente que pareça, a batalha heroica de Felipe Massa, culminando em um vice-campeonato comovente em Interlagos, deu-se há quase uma década. Nesse mesmo ano, o GP de Mônaco terminou no tempo máximo pela segunda vez na história, um claro indicativo do nível de imprevisibilidade da prova. 

Fonte: ferrari-collection.net

  Sob chuva intensa no principado, Felipe largava na pole e os inúmeros problemas atingindo seus principais concorrentes pareciam indicar uma tempestade perfeita em favor do brasileiro, que buscava sua segunda vitória consecutiva. Antes mesmo da largada, o 3º colocado no grid, Heikki Kovalainen, ficou pelo caminho devido à falhas elétricas e foi forçado a largar dos boxes. Apenas cinco voltas depois, a outra McLaren enfrentou problemas. Lewis Hamilton, que havia largado em 4º, encontrou o muro externo na Tabac, furou seu pneu traseiro e foi obrigado a fazer uma parada prematura para calçar novos intermediários, encher o tanque e partir para sua corrida de recuperação. Três voltas depois, foi a vez de Alonso, que começou a prova em 7º, marcar os guardrails de Monte Carlo e lidar com um furo de pneu. Além disso, Raikkonen, que havia largado ao lado de Felipe Massa, recebeu um drive-through por não ter os pneus em seu carro três minutos antes da prova começar. Com 10 voltas de GP, esse verdadeiro jogo de resta um colocava apenas Robert Kubica nos espelhos do brasileiro, que parecia ter o controle total da prova mesmo sob o temporal que ainda castigava as ruas da cidade-Estado.

  Todo esse conforto na liderança da prova foi para o espaço na volta 15, quando Massa perdeu a frente do carro na freada para a curva 1 e passou reto na St. Devote, para o desespero de Galvão Bueno, que soltou a icônica frase: “Ah, Felipe! Volta! Volta! Volta! Volta! Não deixa morrer! Não deixa morrer!”. De fato o brasileiro voltou para a pista, mas Kubica se aproveitou do deslize do piloto da Ferrari para se estabelecer com folga na 1ª posição. Nesse ponto, o polonês e o brasileiro mantinham o mesmo ritmo, e consequentemente, a mesma diferença na briga pela ponta, enquanto Hamilton e Raikkonen fechavam o Top 4 ainda tentando se recuperar dos incidentes iniciais. 11 voltas depois, foi a vez de Kimi perder o carro na mesma curva 1 e danificar sua asa dianteira, sendo forçado a passar pelos boxes mais uma vez. Kubica e Massa, até então ilesos em meio ao caos nas pistas de Mônaco, fizeram suas paradas programadas e entregaram a liderança para Lewis Hamilton, que já havia trocado pneus e reabastecido no começo do GP. 

  Com o carro bem acertado, o inglês começou a abrir uma vantagem assustadora na liderança, chegando a ter 33 segundos de diferença para o 2º colocado. Agora Lewis tinha a prova na mão enquanto a chuva se dissipava e a pista começava a formar o trilho seco. A passagem para os pneus macios foi tranquila para o líder e extremamente proveitosa para Kubica, que conseguiu saltar Massa nos boxes e recuperar a 2ª posição, entretanto, o que parecia ser mais uma vitória tranquila do inglês, mudou completamente de figura com 17 voltas para o fim, quando Rosberg bateu muito forte na curva da piscina e causou a entrada do carro de segurança, aproximando o pelotão inteiro para a parte final da prova. 

  O limite de duas horas começava a se aproximar enquanto os comissários de pista tentavam limpar os detritos deixados pela Williams na pista. Na saída do Safety Car não eram voltas, mas sim minutos que determinavam o restante da prova. Ao cruzar a linha de chegada com pé embaixo, Hamilton tinha a missão de segurar seus concorrentes por mais 11 minutos nas ruas escorregadias do principado. Mesmo com pouquíssimo tempo no relógio, uma corrida heroica ainda teria um fim trágico. Na primeira volta após a relargada, Raikkonen perdeu seu carro na saída do túnel e obliterou a traseira de Adrian Sutil, que buscava completar sua primeira corrida do ano e de quebra sustentava uma incrível 4ª posição, que representaria os primeiros pontos da então novata Force India. Ambos os pilotos foram para os boxes mas apenas Kimi saiu. O finlandês apenas trocou o bico e voltou para pista, completando um GP de Mônaco terrível fora dos pontos. Já Sutil foi obrigado a abandonar, para o desespero dos mecânicos e do próprio alemão, que parecia não acreditar na maré de azar inacreditável que o atingia.

Fonte: F1-fansite.com

  Na ponta, Hamilton segurou seus rivais com tranquilidade e venceu sua segunda etapa no ano, seguido por Kubica e Massa. Esses resultados, aliados ao modesto 9º lugar de Kimi Raikkonen, deixaram a briga pelo título de pilotos ainda mais aberta. Lewis liderava com 38 pontos, contra os 35 de Kimi, 34 de Felipe e 32 de Kubica. A diferença de míseros 6 pontos entre o primeiro e o quarto na 6ª etapa da temporada era apenas o início de uma briga espetacular entre os quatro pilotos em 2008. 

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Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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