Você conhece a Fórmula SAE?

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Estudantes de Engenharia de todo o Brasil se reúnem todos os anos, desde 2004, para a Fórmula SAE. O objetivo da competição é fazer com que os universitários coloquem em prática o que fora ensinado em sala de aula, desenvolvendo um projeto completo e construindo um protótipo de Fórmula. Todas as universidades tem as suas próprias equipes, gerenciadas por um Capitão, escolhido pelos próprios componentes do time. Os melhores colocados ganham o direito de representar o Brasil na competição realizada nos EUA.

Há duas categorias: elétrica e combustão. Durante quatro dias de evento, os carros passam por diversas provas, que visam avaliar a performance de cada projeto. Meses antes da competição, os estudantes enviam para o comitê organizador relatórios de custos, estrutura, atenuador de impacto e projeto. Durante a competição, o carro passa por inspeções técnicas, que definirão se o carro irá participar da última prova e a mais importante, que é realizada no Domingo. Chamada de Enduro, os projetos devem realizar 22 voltas na pista com dois pilotos diferentes. Além disso, os alunos precisam realizar apresentações individuais para os juízes. Todos os testes somam pontos e estes definirão os vencedores da competição.

Integrante da Equipe Buffalo trabalhando durante a Fórmula SAE. Foto: Lucas Neves/Boletim do Paddock

A engenheira da Equipe Ipiranga Racing, Rachel Loh, conversou com o Boletim do Paddock. Ela é fundadora da Equipe Buffalo, que participa da categoria a combustão, e é vinculada a Universidade Federal Fluminense (UFF), da cidade de Niterói (RJ). Rachel também é a criadora do “Desafio do Fan Push”, uma competição que integra as equipes universitárias com a Stock Car. Confira a conversa na íntegra:

lll BOLETIM DO PADDOCK: Por qual razão você levou a Fórmula SAE para Niterói, no Rio de Janeiro?

lll RACHEL LOH: Quando a Fórmula SAE finalmente chegou ao Brasil, eu já fazia parte da equipe do Baja e já era apaixonada por competição. A F-SAE permitia um desenvolvimento ainda maior no projeto e dava mais liberdade que o Baja. Eu achei que seria uma oportunidade incrível de trazer mais uma equipe e crescer os projetos estudantis em mobilidade na UFF. Então eu me empolguei e formei uma equipe de Fórmula, separada do Baja, para também não fechar a outra equipe – a ideia era manter as duas e assim aconteceu. E assim nasceu a Equipe Buffalo. Foi a primeira vez até que eu consegui abrir oportunidade para outras engenharias além da mecânica, que, por acaso, o Baja era muito fechado na Engenharia Mecânica, e eu acabei conseguindo integrar pessoas da Engenharia Química, da Engenharia Elétrica, para iniciar a Equipe Buffalo de Fórmula SAE, lá em Niterói.

Andreas Mattheis (frente) e Rachel Loh (atrás). Foto: Lucas Neves/Boletim do Paddock

lll B.P: Qual é a importância de uma competição como essa aqui no Brasil?

lll RACHEL: Aqui no Brasil, como uma pessoa apaixonada por automobilismo, eu sempre prego que no ramo motorsport a gente precisa alimentar as três pernas: formação dos pilotos; formação de profissionais da área técnica, como engenheiros; e a formação dos mecânicos. Então eu sempre tento me empenhar ao máximo para estar sempre desenvolvendo projetos para que a gente abra oportunidade nestas três áreas. Então eu consigo me envolver bem na área de formação de mecânicos e engenheiros. A Fórmula SAE é uma competição estudantil que já prepara o profissional para possivelmente atuar neste meio, proporcionando a ele todas as experiências do mundo profissional, como o trabalho sobre pressão, o desenvolvimento do projeto, a manutenção, a liderança da equipe, a organização da equipe… Participar desses projetos é importante para a carreira deles, independente de atuar no automobilismo ou não. Ela prepara o aluno de uma maneira que nenhuma matéria em sala de aula vai preparar.

lll B.P: Nem todos conhecem a Fórmula SAE, e o desafio do Fan Push, criado por você, é uma maneira inteligente de integrar os estudantes e uma competição de alto nível, que é a Stock Car. Como essa ideia surgiu?

lll RACHEL: Foi uma coincidência muito feliz. Eu já estava trabalhando em um projeto para aproximar os estudantes do meio profissional, abrir as portas para eles, fazendo com que eles experimentem o que é o nosso trabalho, pois isso os ajuda a saber se é isso que eles querem ou não. Então eu já estava envolvida com isso e eu percebi que havia uma falta de conhecimento muito grande dos estudantes a respeito do que é a Stock Car, quais são os pilotos que atuam na Stock, e, coincidentemente, a organização estava investindo no Fan Push como ferramenta de marketing e eu achei ela sensacional, pois foi uma forma de levar esse conhecimento para os estudantes e levá-los a conhecer mais a categoria, as equipes, os pilotos. Então foi uma maneira de divulgar todo esse trabalho que a gente faz aqui, integrando as duas coisas, e até mesmo selecionar quais equipes da SAE estarão com a gente aqui, por isso que é o “Desafio do Fan Push”. Eu digo que eu quero trazer todo mundo, mas eles são muitos pelo Brasil inteiro, então eu tive que pensar numa forma de fazer uma seleção. Estamos sempre modificando a brincadeira para que haja uma rotatividade entre as equipes e conseguir acolher o máximo de equipes possível.

lll B.P: E, na sua opinião, o que falta para a Fórmula SAE ser mais conhecida?

lll RACHEL: Eu acho que falta um pouco de atenção na mídia. Eu sei que perto do dia da competição, alguns veículos fazem matérias a respeito, mas, eu acho que falta uma forcinha de todos os lados na divulgação. Acredito que as universidades precisam dar mais apoio e mais visibilidade aos projetos dos alunos, para que quando um estudante recém chegado saiba da existência dessas equipes. Esses projetos trabalham muito com acolhimento estudantil, mas há a necessidade de um espaço maior nas mídias sociais, nas propaganda nas universidades… creio que deveriam explorar mais este lado. E o resto está nas mãos dos estudantes. Eu sempre digo isto a eles. A captação de patrocínio, que também é um grande desafio, deve instigá-los a buscar espaço na mídia. Eu vejo que tem equipes extremamente profissionais, com um instagram muito forte e um engajamento muito alto, e isto me deixa muito feliz. Eu acredito que no futuro a competição vai ficar mais conhecida sim, é só uma questão da gente ir dando abertura para que ela se destaque. Aqui na Stock, eu creio que todas as equipes tem um ex-bajeiro ou um ex-formuleiro. Já invadimos o pedaço. Já é um pré-requisito você ter participado de um projeto desses para ingressar na categoria.

lll B.P: O que você diz para um aluno que tem esse sonho e visa chegar aqui como você?

lll RACHEL: Eu digo que tudo é possível. Segundo, eu peço para que entre em contato comigo pois eu passo tudo o que for necessário. Peço muito para que não desista e o principal pré-requisito para trabalhar com automobilismo é paixão… Não é só a capacidade técnica, pois isto você desenvolve, mas você tem que gostar muito disso para sobrevier neste meio. É um meio que vive de paixão, pois você tem que abrir mão de muita coisa e saber lidar com a frustração. Em uma corrida, de 30 carros, só um vence. Então, tudo é possível e precisamos de gente nova. Precisamos de renovação.