Um Novo Campeão em Jerez – Dia 158 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada.

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7 meses, 4 continentes e 16 corridas depois, apenas os 305 km do GP da Europa restavam para decidir o campeonato mundial de 1997. De um lado, Jacques Villeneuve buscava alcançar um triunfo inédito para o Canadá e honrar o legado deixado pelo seu pai. Do outro, Schumacher contemplava um possível tricampeonato e o primeiro título da Ferrari desde 1979. Entre os dois, apenas um ponto.

Fonte: Continental Circus

A desclassificação do canadense na etapa anterior elevou significativamente a importância da última corrida do ano, em Jerez. Schumacher chegou ao circuito espanhol com um ponto de diferença, precisando apenas terminar a prova a frente de seu rival para conquistar mais um título mundial, feito que inclusive parecia virtualmente impossível em 1997. Todavia, as surpresas do final de semana já começaram na classificação de sábado. Três pilotos simplesmente empataram com o melhor tempo da sessão, fazendo com que a pole fosse decidida pelo momento em que o piloto fechou a volta. Jacques foi o primeiro a marcar 1:21.072, sendo assim, a pole ficou com Villeneuve, provando que a missão do alemão não seria nada fácil. Michael fechou a primeira fila e foi seguido por Frentzen e Hill. A 3ª foi ocupada pelas duas Mclarens e Irvine era apenas o 7º. Com todos os pilotos das principais potências agrupados e a briga pelo título totalmente aberta, o GP da Europa de 1997 já tomava contornos dramáticos antes mesmo da largada.

O cenário mudou completamente logo após as cinco luzes vermelhas se apagarem no domingo. Com um salto muito melhor, Schumacher pulou para a liderança antes mesmo da 1ª curva, despachando Villeneuve que ainda se viu obrigado a entregar mais uma posição. Por estar com o carro muito mais pesado em relação a Frentzen, Jacques optou por deixá-lo passar e partir para a briga pela ponta com Michael, torcendo para que os dois perdessem tempo e ele ainda sobreviver na batalha.

Fonte: Continental Circus

Mesmo com seu escudeiro apenas em 7º, Schumacher ditava o ritmo da prova e abria uma vantagem confortável em relação às Williams que completavam o pódio. 7 voltas depois, Villeneuve recuperou a 2ª posição devido às dificuldades que seu companheiro de equipe enfrentava, voltando agora a caçar o monoposto vermelho da Ferrari que liderava o GP. O controle do alemão foi total e absoluto na 1ª parte da prova, sem sofrer qualquer tipo de ameaça até a volta 22, quando partiu para sua primeira parada nos boxes. Jacques Villeneuve fez o mesmo na volta seguinte e manteve sua segunda posição, enquanto Frentzen caiu para quinto e Hakkinen superou seu companheiro de equipe, assumindo a 3ª posição.

Villeneuve foi lentamente se aproximando do seu rival durante o segundo stint, até que tudo mudou na volta 48. Com a porta aberta e a oportunidade clara de recuperar a liderança, o canadense freou mais tarde que a Ferrari e mergulhou por dentro. Michael por sua vez, em um momento de desespero ao ver o título possivelmente deixando suas mãos, tentou atingir a Williams de Villeneuve e encerrar sua corrida. Se o canadense abandonasse a prova, Michael era campeão, se o alemão deixasse a prova, Villeneuve precisaria marcar apenas um ponto para roubar o título das mãos do piloto da Ferrari, se ambos ficassem de fora da prova, Schumacher também conquistaria seu tricampeonato.

Fonte: Continental Circus

A manobra não foi tão bem-sucedida quanto o entrevero de 1994 com Damon Hill, e dessa vez Schumacher foi o único a deixar o bólido quando a poeira baixou. O alemão ainda torceu para que Villeneuve sofresse algum dano retardado, mas a Williams se manteve aparentemente incólume na pista. Com apenas 22 voltas restantes no campeonato de 1997, tudo que o piloto da Williams precisava fazer era levar seu monoposto até o final da etapa dentro da zona de pontuação.

Os danos deixados pelo impacto da Ferrari não foram terminais, mas deixaram sequelas no bólido do canadense que comprometiam muito sua performance na pista. O ritmo inconsistente aliado ao cuidado redobrado do piloto nas voltas finais foram responsáveis por reabilitar as Mclarens na prova. O que antes parecia uma ameaça distante, agora era uma possibilidade real de briga pela vitória. Vendo Hakkinen e Coulthard crescendo cada vez mais em seus retrovisores, Villeneuve optou por não disputar posição e colocar sua corrida em risco. Com isso, as duas Mclarens superaram o canadense na última volta e agora Hakkinen se encaminhava para sua primeira vitória na categoria.

Fonte: Continental Circus

O finlandês enfim conquistou seu primeiro triunfo na categoria, mas os focos estavam mesmo no canadense que havia escapado vitorioso de uma batalha com um dos melhores pilotos da história da categoria. Mostrando resiliência, coragem e persistência, Jacques levantou o troféu que outrora parecia destinado ao seu pai, que foi roubado da oportunidade de brigar por ele pelas injustiças da vida. 7 meses, 4 continentes e 17 etapas depois, Jacques Villeneuve era campeão mundial de Fórmula 1.

Fonte: Continental Circus

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.