Teddy Mayer: o homem que guiava fora das pistas – Dia 254 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

A McLaren possui uma história riquíssima dentro do esporte a motor mundial. Com 12 títulos de pilotos e oito de construtores na Fórmula 1, além das vitórias em grandes competições, como as 500 milhas de Indianápolis e as 24 horas de Le Mans, a marca que leva o sobrenome do neozelandês Bruce McLaren é referência em competições automobilísticas, bem como na fabricação de carros esportivos.

Teddy Mayer Fonte; Pinterest

Apesar de não vivenciar o crescimento da marca, Bruce teve o seu legado bem preservado e expandido ao longo dos últimos 50 anos.  Muito desse período foi na época em que Ron Dennis foi o comandante máximo da escuderia. No entanto, outro nome foi fundamental para a consolidação da McLaren: Teddy Mayer.

Nascido como Edward Everett Mayer em 8 de setembro de 1935 na cidade de Scranton, Pensilvânia, Teddy era filho de um combatente aéreo da I Guerra Mundial e de uma sobrevivente do naufrágio do Titanic. Ao contrário de outros personagens desta coluna, Mayer não teve um envolvimento imediato com o esporte a motor, se dedicou mais aos estudos, formando-se em Direito pela Universidade de Cornell.

A ligação com o automobilismo viria por meio do irmão mais novo, Timmy, este sim piloto. Também foi por intermédio do caçula, que Teddy conheceu Peter Revson, com ambos tornando-se grandes amigos.

Os irmãos Mayer e Revson foram para a Europa, aonde buscavam uma oportunidade das pistas. O trio se acertou com um jovem piloto neozelandês que havia adquirido carros da Cooper para disputar competições na Europa. Começava assim a aliança entre Teddy Mayer e Bruce McLaren.

Teddy, ao lado do irmão Timmy, não era o piloto da família Fonte: Continental Circus

Teddy, o único do grupo que não era piloto, passou a ser o responsável pela parte administrativa da empreitada de Bruce, enquanto o neozelandês corria junto com Revson e Timmy Mayer. A primeira empreitada ocorreu em 1964 na chamada Tasman Series (uma competição com carros de F1 realizados em pistas em países da Oceania, como Austrália e Nova Zelândia, mas que não fazia parte do calendário mundial da categoria).

O desempenho da equipe McLaren foi muito bom no certame continental, com Bruce disputando o título ponto a ponto com Jack Brabham. No fim, o neozelandês levou a melhor e ficou com o título. No entanto, não houve motivos para festa: durante os treinos para a última etapa, no circuito de Longford, Timmy Mayer perdeu o controle de seu carro e bateu em uma árvore, o levando a falecer aos 26 anos.

Domínio da McLaren na Can-Am durante a década de 1960 Fonte: Projeto Motor

Mesmo com a perda do irmão caçula, Teddy seguiu no comando administrativo da equipe, como foco mais nas competições norte-americanas. Embora na F1, a escuderia ainda engatinhava, nos States, a McLaren passou a dominar as competições de protótipos, em especial da Can-Am, uma das competições com maior criatividade em engenharia automotiva que existiu. O ano de maior domínio foi 1969, quando Bruce e seu compatriota Denny Hulme ganharam todas as provas daquela temporada.

Então veio outro baque: em 2 de julho de 1970, Bruce McLaren morria em um acidente no circuito de Goodwood, na Inglaterra, testando o carro da Can-Am. Sem o patrono, Hulme solicitou a Mayer para assumir o comando principal da organização. Assim, Teddy tornara-se o homem-forte da organização a partir daquele ano.

Enquanto a equipe fazia bons papéis nos Estados Unidos, com mais vitórias de Revson na Can-Am e uma vitória nas 500 milhas de Indianápolis de 1972, com Mark Donohue a bordo de uma McLaren Offenhauser da equipe de Roger Penske (que também já havia trabalhado com Timmy Mayer no começo da carreira do caçula), na F1, a escuderia tinha dificuldades em obter resultados consistentes e era uma mera figurante no campeonato.

Com Revson e Hulme, a McLaren começou a crescer e tornar-se competitiva no certame mundial de monopostos. O americano venceu duas vezes, enquanto o neozelandês uma na temporada de 1973, levando a escuderia ao terceiro lugar naquele ano, o melhor resultado na F1 até então.

O piloto norte-americano resolveu mudar de ares e mudou-se para a Shadow em 1974, mas a campanha de Revson não durou muito, pois viria a falecer após um acidente com incêndio nos treinos para o GP da África do Sul daquele ano.

Apesar da tristeza pela perda do amigo, o ano de 1974 foi bastante positivo para Mayer no campo profissional. A McLaren contava com uma dupla campeã do mundo: Hulme, vencedor em 1967, e Emerson Fittipaldi, vitorioso em 1972 e que vinha da Lotus. Além disso, a McLaren deixava de lado o laranja-papaia dos seus primórdios e passava a estampar o patrocínio da Marlboro, em acordo que durou mais de 20 anos, sendo uma das marcas mais lembradas da história do automobilismo.

O M23, primeiro carro da McLaren campeão do mundo Fonte: Continental Circus

Dentro das pistas, os ventos sopraram favoráveis a escuderia britânica. Com as três vitórias de Emerson e a regularidade do brasileiro com seu M23, a McLaren pela primeira vez faturava os títulos de pilotos (o bicampeonato de Fittipaldi) e o primeiro caneco entre os construtores. A conquista da equipe também foi o último momento de Hulme na F1, já que anunciara sua aposentadoria dentro do certame naquela época.

Além disso, a McLaren celebrou a vitória na indy 500 pela segunda vez, com Johnny Rutherford como piloto, a bordo do carro com as cores originais da escuderia (a mesma estampada por Fernando Alonso na edição de 2017 da prova). Rutherford repetiria a dose em 1976, completando a trinca vencedora da escuderia na Brickyard.

Após o revés na temporada de 1975, a McLaren já se mexia para surpreender no ano seguinte, com o projeto do M26. Entretanto, a saída de Emerson para a Copersucar pegou a todos de surpresa. Mayer e seu braço-direito, Tyler Alexander, parceiro desde os tempos de Bruce, conversaram com alguns nomes, até apostarem em James Hunt.

Mayer ao lado de James Hunt Fonte: Europsort

Em uma temporada cheia de polêmicas e reviravoltas, como você já deve saber, Hunt conseguiu ser o piloto certo na hora certa e conseguiu superar Niki Lauda para levar o segundo título de pilotos de um piloto McLaren.

Todavia, o período de vacas gordas foi chegando ao fim. Hunt ainda venceu três corridas em 1977, mas depois disso, a escuderia entrou em uma seca nas temporadas seguintes, sendo suplantada pelas equipes que desenvolveram bólidos melhores com o conceito do efeito solo.

Com desempenho sofrível entre os anos de 1978 a 1980, a McLaren chegou a ficar atrás de equipes como Wolf, Arrows e Copersucar Fittipaldi. A Philip Morris, dona da marca Marlboro estava insatisfeita com os rumos da equipe e sugeriu mudanças. Nisso, foi chamado o apoio de uma equipe bem-sucedida da Fórmula 2, chamada Project Four.

Desta forma, no começo de 1981, a McLaren se fundia a Project Four, com a ascensão de Ron Dennis como novo chefe da tradicional equipe. A partir daquele ano, os carros produzidos pela escuderia viriam com a alcunha MP4, em referência a fusão. Em meio a todas as mudanças, Mayer ainda atuou por mais um ano, como diretor administrativo, mas deixou a organização em 1982.

A última investida, no fracassado projeto da Lola Haas em 1986 Fonte: DriveTrib

Mayer voltou aos Estados Unidos, onde montou sua equipe na CART durante os anos 1980. Em 1986, uma nova oportunidade para voltar à F1, com o projeto de Carl Haas em disputar a categoria com os chassis Lola e motores Ford. Porém, a empreitada realizada em 1986 terminou em um enorme fiasco.

Após um ano sabático, Mayer retornou para o mundo do automobilismo como vice-presidente de Operações da Penske. Entre 1988 e 2007, a organização se consolidou como uma das marcas mais vitoriosas dos Estados Unidos, principalmente na Indy, contando com nomes como Rick Mears, Emerson Fittipaldi, Al Unser Jr., Gil de Ferran e Hélio Castroneves. A equipe obteve nove vitórias de 500 milhas de Indianápolis e seis títulos entre CART e IRL.

Teddy se aposentou em 2007 e foi morar na Inglaterra. Diagnosticado com Mal de Parkinson, passou os anos finais em tratamento da doença, mas não resistiu e faleceu em 30 de janeiro de 2009.

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!

%d blogueiros gostam disto: