A temporada de 2026 será um divisor de águas para a Fórmula 1. Além da introdução de novas unidades de potência e de uma filosofia diferente para os carros, a categoria também passará a utilizar combustíveis 100% sustentáveis. A iniciativa, que busca alinhar a F1 às metas globais de neutralidade de carbono, promete ganhos ambientais, mas traz consigo uma conta salgada que preocupa equipes e fornecedores.
Segundo informações do portal britânico The-Race, representantes da FIA e da Fórmula 1 devem se reunir com os fornecedores logo após o GP da Itália, em Monza, para discutir o impacto financeiro dos novos biocombustíveis. Durante as primeiras projeções, a faixa atual do combustível, na casa de US$ 22 a US$33 por litro, saltaria para cerca de US$ 170 a US$ 225 por litro.
No entanto, novas projeções chamam a atenção para o combustível custar US$ 300 por litro às equipes, com os valores chegando na casa de US$ 12 milhões por ano para cada time.
No início deste ano, Toto Wolff detalhou a preocupação, pois os combustíveis devem ficar acima do que todos esperavam, quando comparado com o que foi visto quando as regras para 2026 foram estabelecidas.
“O que torna isso tão caro é que toda a cadeia de suprimentos e a contribuição energética precisam ser verdes. Para conseguir tudo isso, você precisa de uma certa especificação de ingredientes que é muito mais cara – e está custando muito mais do que qualquer um imaginava”, comentou o chefe de equipe da Mercedes.
“Portanto, precisamos analisar se há algo que possamos ajustar para reduzir o preço por litro. Queremos ter a mente aberta. A Petronas [parceira da Mercedes] tem sido uma grande parceira nossa. Eles estão totalmente comprometidos tecnicamente com o projeto, e com eles estamos avaliando se existe alguma regulamentação que possa ser alterada para torná-lo mais sustentável financeiramente?”
De acordo com Wolff e outros dirigentes, os primeiros testes com os combustíveis que serão obrigatórios em 2026 já demonstraram que a realidade financeira pode ser ainda mais pesada do que o previsto. Entre as equipes, não faltam relatos de que os custos beiram o “ridículo”, colocando em xeque o equilíbrio entre sustentabilidade ambiental e sustentabilidade econômica da categoria.
Antes dessa mudança completa, as equipes demonstram preocupação até mesmo com os custos extras de desenvolvimento e materiais que serão repassados a eles.
O The Race soube que uma reunião acontecerá com a presença dos fornecedores de combustível da F1 na semana depois do GP da Itália, para discutir formas de reduzir os custos.
O polêmico ex-dirigente Flavio Briatore já havia alertado em maio que os testes de bancada com os novos combustíveis seriam o ponto mais caro de toda a transição. Agora, as projeções confirmam a preocupação.
Vale destacar que esses custos não entram no teto orçamentário da Fórmula 1 para o próximo ano – medida tomada pela primeira vez, então esse valor extra não precisará cortar parte do desenvolvimento dos carros. Porém, isso significa um aumento nas contas das equipes, que precisaram encontrar novos patrocinadores, mas caso esse apoio não aconteça, ele afetará outras áreas para balancear as contas.
O aumento é bem grandioso em uma conta anual com combustíveis que vai de US$ 3 a 4 milhões, ara US$ 10 a 12 milhões a partir o início do próximo ano.
Mesmo com reuniões em andamento, um eventual acordo entre a F1 e fornecedores para redução dos custos só poderia entrar em vigor em 2027. Até lá, as equipes precisarão absorver os valores elevados em meio a um calendário recorde de corridas e a pressão constante por competitividade.
O caso evidencia o dilema enfrentado pela categoria, pois, ao mesmo tempo, em que busca se tornar um laboratório de soluções sustentáveis para a indústria automotiva, a Fórmula 1 precisa garantir que tais inovações não ameacem a viabilidade financeira das próprias equipes.
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